O CDS-PP exigiu esta sexta-feira ao Chega um pedido de desculpas pelas acusações relacionadas com o processo de aquisição de três fragatas, considerando que uma recusa do partido em se retratar significa uma “perda de credibilidade absoluta“.
Em declarações à agência Lusa, o deputado centrista João Almeida defendeu que “tem de existir ética e dignidade na relação entre partidos e entre políticos” e acusou o Chega de ter lançado suspeitas sobre o ministro da Defesa, Nuno Melo, e o próprio CDS-PP de “negociatas” e “eventuais desvios de dinheiro” na compra das fragatas a Itália.
“Aquilo que o CDS entende ao abrigo dessa ética e dessa dignidade que tem de existir na relação entre políticos e entre partidos, é um pedido de desculpas por parte do Chega por ter feito acusações que são manifestamente infundadas”, exigiu.
Na sequência de uma notícia do 24Horas sobre o alegado afastamento à última hora de uma empresa portuguesa (NTGroup) como intermediária da compra das fragatas, o Chega partilhou nas suas redes sociais um vídeo do seu líder, André Ventura, a defender uma investigação sobre o destino de “várias dezenas de milhões” de euros que, segundo disse, deviam ter sido usados para pagar comissões.
O deputado Pedro Frazão, num vídeo publicado nas redes sociais, reagiu à notícia falando de “mais um escândalo” do Governo e de um negócio associado a “sérias dúvidas de honestidade e de integridade”.
Esta quinta-feira, em comunicado, a NTGroup assegurou que não integrou a “equipa formal de negociação intergovernamental”, nem participou nas reuniões finais para aquisição de três fragatas por Portugal a Itália, frisando que não reclama qualquer pagamento ao Estado português.
Para João Almeida, o comunicado divulgado esta quinta-feira pela NTGroup vem “desmentir absolutamente todas as acusações feitas pelo Chega” e um não pedido de desculpas por parte do partido de André Ventura resultará numa “perda de credibilidade absoluta por parte do Chega e da sua ação política”.
“Fica-se a saber que o Chega, mesmo mentindo, não tem a dignidade de reconhecer que faltou a essa verdade quando é desmentido pelos factos”, considerou o deputado.
O deputado assegurou, no entanto, que PSD e CDS-PP mantêm a intenção de ouvir Nuno Melo na Comissão de Defesa Nacional, para que também em sede parlamentar “tudo isto fique esclarecido”.