A Volta a Espanha 2026 tinha arrancado este sábado com um contrarrelógio individual em Mónaco — e Tadej Pogačar não podia ter pedido melhor estreia. O esloveno, que reside no Principado, venceu a prova inaugural por apenas 0,09 segundos, com a margem suficiente para vestir a camisola vermelha de líder. “Definitivamente acho que ganhei esses 0,09 segundos a passar em frente ao meu apartamento”, disse, sorridente, no final.

A segunda etapa arrancava também de Mónaco este domingo, mas com outra dimensão: mais de 200 quilómetros até Manosque, em território francês, a etapa mais longa de toda esta edição da prova. O percurso subia acima da cidade medieval de Èze antes de descer em direção a Nice, seguindo pela Promenade des Anglais até virar para o interior. A partir daí, o terreno ondulado não dava descanso — subidas e descidas encadeadas, com um trecho final em rampa antes da chegada em subida a Manosque.

O perfil não apontava para uma grande agitação entre os favoritos à vitória final, mas também não convidava ao descanso. Nos últimos anos, as chegadas a Manosque têm produzido sprints reduzidos, onde os ciclistas mais explosivos e capazes de manter potência nas rampas curtas têm tendência de levar a melhor. A questão era saber se os favoritos aproveitariam o terreno para tentar algo — ou se deixariam a etapa resolver-se entre os velocistas que sobrevivessem ao desnível acumulado ao longo do dia.

A corrida passou a maior parte do dia num ritmo controlado, com uma fuga de quatro — Koen Bouwman, Diego Uriarte, Sinuhé Fernández e Ethan Hayter — a animar a corrida sem nunca preocupar verdadeiramente o pelotão. A presença de Hayter na fuga tinha um propósito claro: o britânico da Soudal Quick-Step tinha terminado no mesmo tempo que Pogačar no contrarrelógio deste sábado, e bastavam alguns segundos de bonificação no sprint intermédio para saltar para a liderança da prova.

A UAE Emirates e a Visma deixaram-no ir sem resistência. Hayter saiu a solo a 49 quilómetros da chegada, cruzou o sprint intermédio de Géroux-les-Bains em primeiro lugar e vestiu provisoriamente a camisola vermelha. Van Aert chegou em segundo no mesmo sprint, também ele à procura de alguns segundos na classificação geral. Mas o pelotão apanhou Hayter a 34 quilómetros do fim — e, incapaz de acompanhar o ritmo na subida final, o britânico chegou a Manosque com 31 segundos de atraso, perdendo a liderança que tinha conquistado pelo caminho.

Com Hayter fora da equação, a corrida entrou nos últimos quilómetros com o guião esperado: equipas a empurrar para a frente, posições a ser disputadas metro a metro. A Visma tinha três cartas fortes para jogar numa chegada em rampa — Laporte, Van Aert e Brennan. A UAE queria ganhar a etapa, com o próprio Pogačar a posicionar-se pessoalmente para o sprint final, o que não deixou de surpreender quem acompanhava. A cinco quilómetros, duas curvas fechadas seguidas baralharam o pelotão e forçaram todos a reorganizarem-se.

Foi então que a Visma baralhou as contas pela última vez. Van Aert lançou um ataque violento numa curva em ligeira subida, e só Pogačar conseguiu reagir. Alessandro Romele juntou-se ao par, mas os três foram apanhados já à entrada do último quilómetro, sem conseguirem colaborar. O sprint que se seguiu foi um dos mais rápidos do ano: Finn Fisher-Black arrancou cedo, Matthew Brennan seguiu-o, e quando Mads Pedersen tentou o seu esforço longo e potente — o tipo de sprint que vence em superfícies planas — não havia resposta possível para a velocidade explosiva do jovem britânico da Visma. Brennan ganhou com uma distância de avanço clara sobre Pau Miquel, com Pogačar a terminar em terceiro.

Para o esloveno, o terceiro lugar foi suficiente para manter a camisola vermelha. Na classificação geral, Van Aert segue em segundo a nove segundos, com Brennan a saltar para terceiro e para a camisola branca de melhor jovem. Hayter caiu para fora do top dez. Roglic segue a 22 segundos, Rodriguez a 27, com os grandes candidatos à vitória final — Gall, Onley, Uijtdebroeks — já a mais de 40 segundos do líder após apenas dois dias de prova. A montanha começa já esta segunda-feira, em Font-Romeu.