“Assaltos a museus são vistos normalmente como uma forma não violenta de roubo organizado de propriedade”. É esta a premissa inicial de um relatório da Europol, publicado esta segunda-feira, que conclui que esta realidade já não se verifica. Utilizando como exemplo o assalto ao museu do Louvre, em outubro do ano passado, a agência de cooperação policial da União Europeia descreve uma “evolução na natureza de assaltos a museus”.
O relatório dá conta de três grandes mudanças nos roubos de museus. Em primeiro lugar, os assaltos utilizam cada vez mais violência, quer como forma de entrar nos locais, quer como ferramenta para intimidar os funcionários e seguranças. “Os infratores utilizam ferramentas como marretas, explosivos e armas de fogo“, aponta a agência.
Por outro lado, os assaltos têm agora alvos mais caros, como obras de arte com elevado valor cultural ou joalharia com metais e pedras preciosas, o que torna as operações muito mais lucrativas. A Europol descreve que esta mudança dos alvos é possível porque se expandiram também os mercados negros onde é possível revender estas peças. No caso do assalto ao Louvre — o mais mediático dos três assaltos mencionados no relatório —, os prejuízos chegaram aos 88 milhões de euros.
Em paralelo com a expansão do mercado, os grupos criminosos também se diversificaram. Em vez de grupos especializados em roubos não violentos e em tráfico de arte, os infratores, sem qualquer ligação ao mundo artístico e cultural, são recrutados pelas redes sociais. Muitos dos criminosos são descritos como “oportunistas”, atraídos por um mercado negro cada vez mais lucrativo.
Além do roubo do Louvre, a Europol destaca ainda, como exemplos desta tendência, o assalto ao museu Drents, nos Países Baixos, em janeiro de 2025, em que um grupo utilizou explosivos para roubar peças de ouro do património histórico romeno, e o assalto ao museu Cognacq-Jay, também em Paris, em novembro de 2024, em que os assaltantes utilizaram machados para destruir os expositores e roubar artefactos no valor de mais de um milhão de euros.
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