Quinto dia, segundo bis na Volta a Espanha. A edição 81 da competição espanhola continua a ser dominada por dois nomes, com Matthew Brennan (Visma-Lease a Bike) a igualar Tadej Pogacar (UAE Team Emirates-XRG) em termos de vitórias, sem que mais ninguém tenha conseguido vencer na corrida roja. A Visma voltou a mostrar que tem o melhor comboio de sprinters desta Vuelta, com Wout van Aert a fazer um trabalho exímio na fase mais dura e Christophe Laporte a lançar o britânico na altura certa. Se, na classificação geral, não houve alterações, o mesmo não se pode dizer de João Almeida, que perdeu mais 8.35 minutos e continua bastante longe da sua melhor versão.
“Foi uma etapa muito dura e tensa, especialmente na subida. A subida era estreita e difícil, mas fizemos um ótimo trabalho como equipa. Estou feliz. Cada segundo conquistado é importante. Quanto mais vantagem tens, mais calmo ficas em termos psicológicos para os dias que se seguem. Veremos. Estou a sentir-me bem e amanhã [quinta-feira] será mais um dia difícil. Estado físico? Acho melhor não dizer nada”, partilhou o esloveno ao Eurosport, terminando a declaração com um sorriso rasgado no rosto.
Por outro lado, Van Aert protagonizou mais um momento de boa disposição com o esloveno que, dias antes, oferecera os seus óculos vermelhos ao seu filho, no final de uma etapa. “Que pena… Recebi um par de óculos novos pouco antes da corrida. A determinado momento, eles não estavam bem encaixados na minha cabeça e, quando olhei para trás, voaram. Não sou como o Pogacar, que ganha um par de óculos novos todos os dias. Se alguém encontrar os meus óculos, devolva-os, por favor”, partilhou o belga com bastante humor.
Van Aert ha perdido sus gafas nuevas en plena carrera ????
"No soy como Pogacar, no puedo estrenar gafas todos los días. Si alguien las encuentra que me las devuelva, por favor" ????#LaVuelta26 pic.twitter.com/R5QdUix2un
— Eurosport.es (@Eurosport_ES) August 26, 2026
O pelotão continuou a rumar a sul esta quinta-feira, com a sexta etapa a percorrer na íntegra a zona de Valência, passando por estradas bem conhecidas da Volta à Comunidade Valenciana, prova que Almeida perdeu para Remco Evenepoel (Red Bull-Bora-hansgrohe) no início da época. A partida aconteceu em mais um local inédito, agora Alcossebre, bem junto ao mar Mediterrâneo, ao passo que Castelló voltou à Vuelta dez anos depois. Ao todo, a jornada de sobe e desce, que Alberto Contador apelidou de “montanha russa”, contou com 177,5 quilómetros e pouco mais de três mil metros de desnível positivo acumulado. Para a história ficaram quatro contagens de montanha: Serratella (14 km a 3,8%), Bandereta (4,6 km a 6,7%), Desierto de las Palmas (7,6 km a 4,9%) e Bartolo (9,4 km a 7,1%). Esta última era uma das maiores surpresas desta Vuelta, já que tinha rampas a chegar aos 20% e cerca de dois quilómetros em terra batida.
☀️ GOOD MORNING!⁰
A little bit of everything today ????????⁰
Climbs, sterrato and a fast descent into Castellón. Get ready for Stage 6! ????????☀️ ¡BUENOS DÍAS!⁰
Hoy tenemos un poco de todo ????????⁰
Subidas, sterrato y un rápido descenso hacia Castellón. ¡Prepárate para la etapa 6!… pic.twitter.com/y1mpuODncU— La Vuelta (@lavuelta) August 27, 2026
Com a partida real, onde não esteve Joshua Tarling (Netcompany Ineos), que não se encontra no melhor estado psicológico, vieram os múltiplos ataques e os problemas mecânicos, que afetaram particularmente Lorenzo Fortunato (XDS Astana) e Jay Vine (Emirates). Ainda assim, o pelotão conseguiu anular as investidas, com a Decathlon CMA CGM a mostrar intenções de lutar pela vitória na etapa. Foi na aproximação à segunda contagem de montanha que 15 elementos saíram do pelotão, com Van Aert à cabeça, mas foram neutralizados pouco depois. No Coll de la Bandereta foi a vez de George Bennett (NSN), Gijs Leemreize (Picnic PostNL), Andreas Kron (Uno-X Mobility) e Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious) atacarem, ganhando depois a companhia de mais 12 elementos, com o belga da Visma de novo em evidência. Na descida, o pelotão chegou a partir-se, mas a recolagem deu-se ainda a 91 quilómetros da meta.
Na segunda metade da etapa, Wout van Aert foi o primeiro no sprint intermédio de Benicàssim e saltou para o segundo lugar da classificação dos pontos, despedindo-se dos fugitivos na subida, depois de ter saudado a família junto à estrada, quando João Almeida assumiu o ritmo do pelotão e recuperou cerca de 35 segundos na subida de Desierto de las Palmas, onde José Manuel Díaz (Burgos Burpellet BH) foi o mais rápido. A Emirates continuou a carregar na transição para a última subida do dia, altura em que o pelotão já era comandado por Domen Novak, com o Bota Lume a aparecer junto ao carro para abastecer os companheiros. No Puerto El Bartolo, Jay Vine foi o último elemento da equipa do Médio Oriente a trabalhar antes de Pablo Torres, já com a diferença abaixo dos 40 segundos. A 24,4 quilómetros da meta, Pogacar passou para a frente em definitivo e lançou o seu habitual ataque, que só foi seguido por Oscar Onley (Netcompany).
Vatios extra para Wout ⚡????
Van Aert, en fuga, saluda a la familia.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/oilOfKnTmQ
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Si saben cómo se pone para qué le invitan ????
Nadie puede seguir a Pogacar en El Bartolo.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/wOvMzdKr5o
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Ainda assim, como seria de esperar, o britânico aguentou pouco tempo, com o esloveno a apanhar um a um os ciclistas da fuga no sterrato. O último resistente foi Ramses Debruyne (Alpecin-Premier Tech), que também não conseguiu seguir o esloveno. Atrás, Enric Mas (Movistar) deixou Primoz Roglic (Red Bull), Felix Gall (Decathlon) e Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), passou por Onley e fez o impensável: foi buscar Pogacar no final da subida e assumiu o ritmo na descida, até porque, na fase em que o esloveno passou para a frente, uma saída de estrada fê-lo abrandar. A perseguição organizou-se atrás, o tempo baixou dos 20 segundos, mas o camisola vermelha voltou para a frente e colaborou com o espanhol na tentativa de evitar a reentrada dos rivais. A vantagem acabou por passar dos 30 segundos com a chegada de Carapaz e Harold Tejada (XDS) ao grupo perseguidor, com a vitória a ser discutida pelo espanhol e o esloveno.
Es real. Está pasando.
❤️???? Enric Mas coge a Tadej Pogacar, ataca y se lleva la bonificación. #LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/RErycxY76w
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No se cae ni saliéndose.
???? El recto de Pogacar en el descenso del Bartolo.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/SmKg1GiqRg
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Bem mais forte que o Movistar nestas circunstâncias, Pogacar não precisou de muito para vencer pela terceira vez nesta Vuelta, esperando pelos últimos 200 metros para sprintar em direção à 130.ª vitória da sua carreira. Curiosamente, foi numa etapa parecida, com um troço de terra batida na etapa final, que o esloveno venceu pela primeira vez na Grande Volta espanhola, na altura em Cortals d’Encamp, em Andorra, na nona etapa de 2019. O grupo perseguidor entrou na meta a 46 segundos, com Debruyne a conseguir terminar no terceiro lugar. Quanto a João Almeida, o dorsal 12 chegou no 110.º lugar a 20.39 do companheiro de equipa.
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Pogacar gana su tercera etapa ante un gigantesco Enric Mas.#LaVuelta26 #LaCasadelCiclismo pic.twitter.com/UyKw9CaM0R
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Olhando à nova geral, Pogacar tem agora 3.34 minutos de avanço para Enric Mas, que passou Primoz Roglic e subiu ao segundo lugar, tendo uma vantagem de 47 segundos para o esloveno. O quarto classificado é agora Richard Carapaz, a 4.50, seguindo-se Felix Gall a 4.55. Almeida é 104.º, a 53.09.