O desempenho comercial do Porsche Taycan tem sido preocupante, podendo até ser considerado um certo fiasco. Em 2023 e com apenas quatro anos no mercado, vendeu 40.629 unidades, somando as três carroçarias (Taycan berlina, Taycan Sport Turismo e Taycan Cross Turismo), para em 2025 cair 40,2% para apenas 16.339 unidades, isto apesar de ter usufruído de um restyling e de algumas alterações técnicas que o melhoraram em diversos aspectos, a começar pela autonomia.

Mas a sangria das vendas não ficou por aqui, uma vez que no seu maior mercado, a América do Norte, em que os EUA são de longe o mais representativo, o Taycan viu as vendas colapsarem quase 50%, tendo transaccionado 2.083 unidades nos primeiros seis meses de 2025, mas somente 1.079 no período homólogo em 2026. Isto originou comentários do outro lado do Atlântico, antecipando que a Porsche cessasse a venda das versões Sport Turismo e Cross Turismo, as menos procuradas.

As versões Sport Turismo (na foto) e Cross Turismo poderão ser as primeiras a desaparecer na gama do Taycan, devido à necessidade de simplificar a produção para reduzir os custos da Porsche

De acordo com a publicação alemã WirtschaftsWoche, a Porsche decidiu “matar” o Taycan progressivamente até 2030, começando desde já a descontinuar as versões e motorizações menos vendidas, para depois avançar para os modelos com menor procura, como o Sport Turismo e Cross Turismo, visando simplificar a produção e, com isso, reduzir custos. O CEO da Porsche avançou que a marca “não planeia encerrar a produção do Taycan a curto prazo”, o que é manifestamente pouco para afastar as “nuvens negras” que pairam sobre o futuro da berlina eléctrica, uma vez que o “a curto prazo” encaixa na perfeição no desligar da ficha em 2030.

Paralelamente, abundam as referências ao desejo de juntar o Taycan ao Panamera, construindo um modelo que possa utilizar motores híbridos e apenas eléctricos, capaz de satisfazer todo o tipo de clientes. Mesmo se esta versatilidade obrigar a marca a abrir mão da especificidade que as diferentes necessidades dos motores a combustão e dos eléctricos exigem, para se tornarem mais eficientes e vantajosos em separado.

Para tentar obter uma posição definitiva sobre o futuro do Taycan, a Reuters questionou a Porsche sobre a estratégia que vai seguir, sem que conseguisse obter um comentário, o que poderia afastar as dúvidas, reforçando a ideia de que o Taycan está mesmo condenado. E o facto de a marca alemã se queixar sistematicamente que os eléctricos não se vendem, apesar de exemplos opostos de construtores que apenas comercializam carros a bateria, leva a questionar a estratégia do construtor alemão, tanto mais que a Porsche tenta há muito que a União Europeia não acabe com a comercialização de motores a combustão em 2035.