O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), manifestou-se esta terça-feira “alarmado por muitas situações” em termos de segurança na cidade e afirmou que não se trata de ideologia, apelando ao apoio das “forças moderadas”, em prol da democracia.
“A situação que vivemos hoje em termos de segurança já me preocupava muito, hoje estou num momento em que me sinto alarmado por muitas situações que estamos a viver nesta cidade, e esse alarmismo é um alarmismo necessário para quem é presidente da câmara e está todos os dias na rua, e posso-vos dar muitos, muitos exemplos daquilo que se tem vivido nesta cidade, e em todas as zonas”, declarou o social-democrata Carlos Moedas, na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML).
Na apresentação do trabalho do executivo camarário entre junho e agosto, em resposta ao deputado do CDS-PP Francisco Camacho, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) realçou as preocupações que tem ouvido dos lisboetas, dando como exemplo uma visita à Rua Ferreira Borges, onde o município está a intervir no espaço público: “As primeiras três pessoas que eu encontrei na rua foi para me dizerem os assaltos que está a haver em Campo de Ourique nos últimos dias e isso é muito preocupante.”
“É importante que, de uma vez por todas, se retire esta ideia de uma guerra na classe política da segurança, a segurança é a segurança dos lisboetas. Não há aqui ideologia, há a segurança das pessoas”, defendeu, referindo que de 2010 a 2026 a população de Lisboa aumentou em 109 mil pessoas e perdeu 2.000 polícias, passando para cerca de 6.000 Polícias de Segurança Pública (PSP).
“Como é que podemos não dizer que há um problema de segurança?”, interrogou, reforçando que a população na cidade cresceu, mas tem menos polícia na rua.
Sobre o reforço de polícias prometido em maio pelo Governo de PSD/CDS-PP, Carlos Moedas reconheceu que ainda não se concretizou: “Ainda não temos os 100 polícias municipais, nem os 200 PSP. Não os temos, mas eu acredito, profundamente, que o Governo vai cumprir e tem de cumprir este ano.”
“Peço para as forças moderadas, aqueles que connosco acreditam na democracia deste país, que sem segurança, sem polícia, não há democracia, isso é claríssimo. Nós temos de ter uma cidade segura”, apelou o social-democrata, considerando que, quando um polícia é agredido, o poder político tem de estar do lado da polícia.
“Quando eu tenho um polícia municipal que é agredido e que esse polícia municipal me diz a mim que tem receio de reagir ao ladrão porque se reagir ao ladrão na justiça será ele o culpado, eu não quero esse país assim. O país na justiça não pode funcionar assim. Quando temos alguém que é baleado na baixa lisboeta, essa pessoa [que baleou] não pode ficar em liberdade. Não pode, não pode pela nossa democracia”, expressou o autarca do PSD, afirmando que não se irá calar sobre a segurança na cidade, porque “é a voz dos lisboetas”.
Carlos Moedas destacou o investimento da CML em videoproteção, assim como na reabilitação de seis esquadras e na procura de “mais casas para os polícias”, inclusive no antigo edifício da Presidência do Conselho de Ministros, imóvel doado pelo Governo ao município, transferência que será assinada “dentro de dias”.
Nesta reunião, o presidente da CML enalteceu a trajetória de redução das pessoas em situação de sem-abrigo em Lisboa, passando de 3.780 pessoas em 2020 para 2.822 pessoas em 2025, o que corresponde a uma queda de 25%, sendo que o relatório do último ano ainda está a ser validado pela Estratégia Nacional para a Integração das Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA), prevendo-se que “nas próximas semanas” esteja concluída essa análise.
Maria Escaja, do BE, questionou sobre o estudo da carga turística, tendo o vereador do Turismo, Diogo Moura (CDS-PP), afirmado que esse estudo foi lançado em junho, estando em análise as propostas.
Por proposta do PS, a AML aprovou recomendações pela regularização urgente dos pagamentos do Subsídio Municipal ao Arrendamento Acessível (SMAA) e pela ação climática e sustentabilidade em Lisboa, com liderança municipal no combate à pobreza energética.
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