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Shakira à conquista de Madrid: começa esta sexta-feira a "celebração da latinidade" com 12 concertos (e não só)

Lucros recorde e 650.000 espectadores na "maior residência da história da Europa". Shakira fundou uma nova cidade em Madrid dedicada ao espírito latino e a inspiração foi Gabriel García Márquez.

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A cantora colombiana Shakira, à chegada a Madrid, na passada segunda-feira, dia 14 de setembro, para o festival "Es Latina"

Europa Press via Getty Images

A cantora colombiana Shakira, à chegada a Madrid, na passada segunda-feira, dia 14 de setembro, para o festival "Es Latina"

Europa Press via Getty Images

Shakira regressa a Madrid para celebrar a “latinidade”, após 8 anos afastada dos palcos espanhóis. Começa esta sexta-feira a residência de 12 concertos da colombiana numa cidade em ponto pequeno desenhada à sua medida, o Macondo Park — que o diretor da Live Nation em Espanha comparou à “Disneylândia”. Nas 12 datas anunciadas, que antecipam cerca de 650.000 espectadores, a cantora propõe uma experiência que combina música, literatura, gastronomia, moda, dança e artes visuais, distribuídas por 30 hectares do bairro madrileno de Villaverde.

“O festival ‘Es Latina’ converte Madrid no epicentro de uma celebração aberta, onde a latinidade se vive através da criatividade, sensibilidade e cocriação”, lê-se na sinopse da “maior residência da história da Europa“.

As mulheres não choram, as mulheres faturam“, já dizia Shakira na polémica canção que fez com o produtor e DJ argentino Bizarrap em 2023, após a separação do futebolista Gerard Piqué, com quem esteve casada durante 11 anos. Além dos lucros de bilheteira e merchandising que a equipa da colombiana deverá arrecadar no evento, com bilhetes entre os 73 e os 700 euros, também se esperam dividendos significativos para a cidade de Madrid — e que já foram estimados em mais de 100 milhões de euros.

Segundo o jornal El Mundo, 19% dos espectadores das 12 noites de residência são originários do outro lado do Atlântico, especificamente da América Latina, o que antecipa rendimentos significativos nos mercados de alojamento, restauração, transportes e comércio. A plataforma de reservas hoteleiras Booking confirmou um aumento de procura superior a 50% face ao mesmo período do ano passado. Já a agência de viagens Kiwi.com registou um aumento de 84% nas reservas de voos com destino à capital espanhola.

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Shakira foi recebida por uma legião de fãs que celebraram a festa da "latinidade" na capital espanhola, onde um em cada sete habitantes são naturais da América Latina.

Europa Press via Getty Images

Numa carta que Shakira remeteu ao El País na antecipação do evento, escreveu que, em Madrid, “a imigração é tolerada, é celebrada”. “Espanha abraçou-a”, continua a artista, “e esse abraço tornou [o país] mais jovem, mais pujante, mais criativo. A integração comove pela sua naturalidade, talvez porque, há cinco séculos, foram os espanhóis que cruzaram o oceano”. A hospitalidade da capital espanhola, onde uma em cada sete pessoas é originária do continente americano, foi a razão pela qual Shakira decidiu “montar acampamento” em Madrid, o único destino europeu da “Las Mujeres No Lloran World Tour” — a digressão mais lucrativa de sempre no contexto da música latina.

O presidente da Câmara de Madrid, José Luis Martínez Almeida, admitiu estar “orgulhoso” da cantora que definiu como “a artista latina mais reconhecida do mundo” e cuja residência honra a cidade que preside. Depois de superar a “Debí Tirar Más Fotos World Tour”, de Bad Bunny, em lucros, a digressão de Shakira conseguiu acumular 417 milhões de euros, apenas atrás de Coldplay, Beyoncé e The Weeknd no panorama internacional.

Macondo Park: a “Disneylândia” de Shakira inspirada em Gabriel García Márquez

“Junto ao estádio, estamos a construir algo mais: uma cidade“, escreve Shakira na mesma nota endereçada ao El País. “Trinta hectares para celebrar e entender a nossa cultura, com mais de cem artistas amigos, onde cada visitante poderá atravessar ‘o latino’ pelo caminho que preferir: literatura, dança, música, moda, gastronomia, cinema, arte.” Esta é a premissa do Macondo Park, um parque temático inspirado no universo literário do escritor colombiano Gabriel García Márquez, e no qual Shakira assume o papel de protagonista.

“Não falo [apenas] da mistura [de culturas]: eu sou essa mistura”, continua a carta. “E o que quero celebrar em Madrid é o resultado bom de estarmos todos misturados. García Márquez foi o grande explorador desse território. Ninguém entendeu como ele os vínculos, a imaginação, a felicidade, a mistura que somos. Macondo [Park] não é uma cidade: é um espelho.”

O local eleito pela cantora foi o espaço Iberdrola Music, no bairro suburbano de Villaverde (região sul de Madrid), onde anualmente se realiza o festival Mad Cool. Com uma extensa área verde de 300.000 metros quadrados (30 hectares), e inspirado no tema do evento, “Es Latina”, deve abranger uma série de estruturas provisórias — como um estádio que acolhe 55.000 pessoas e um ecrã LED expedido especialmente da China e com 244 metros de comprimento.

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Mas as opções de entretenimento são bastante mais ambiciosas e abrangem todas as faixas etárias. Há um parque infantil, uma livraria, um edifício que exibe desfiles de moda, uma praça destinada à divulgação do flamenco, um museu temático da cantora, uma área onde são recriados os cenários dos seus videoclips mais icónicos e um palco secundário. Este segundo espaço de atuações recebe um catálogo de artistas originários de todo o universo latino — inclusive de Portugal, que a cantora MARO representa. Além dela também constam da programação os espanhóis Amaia, Nathy Peluso, Guitarricadelafuente e Lia Kali, a argentina Louta, a boyband mexicana Santos Bravos, entre outros.

A livraria é responsabilidade do grupo editorial Penguin Random House e apresenta uma seleção de livros vinculados ao universo cultural da cantora, provenientes de todas as latitudes do mundo latino. Também dispõe de uma programação variada, que inclui clubes de leitura e encontros com autoras — não fosse o evento marcado pela omnipresença do feminino —, como Julia Navarro ou Rosa Montero. “O Atelier”, dedicado à indústria espanhola da moda, combina exposições e desfiles, e tem a participação especial da designer e empresária Ágatha Ruiz de La Prada e de outros nomes nacionais. Ali será apresentada a marca de produtos capilares de Shakira, ÍSIMA. Os gastrónomos podem visitar “O Mercado”, onde o chef sevilhano Rafa Zafra concebeu um menu de inspiração latino-americana, apoiado por uma equipa de chefes de renome internacional.

O espaço está aberto apenas a quem adquiriu bilhete para os concertos, e nos respetivos dias — que se distribuem por quatro fins de semana entre 18 de setembro a 11 de outubro — das 15h30 às 00h15. Todas as noites terminam com uma banda do Carnaval de Barranquilla, a festividade mais celebrada (e declarada património oral e imaterial da humanidade pela UNESCO) da cidade onde Shakira nasceu, na costa norte da Colômbia.

“O carnaval é a expressão máxima de um povo que nasceu da fusão”, continuam as declarações da cantora, que aterrou em Madrid na segunda-feira, instantaneamente rodeada por uma legião de fãs. “Em Madrid somos todos latinos. […] A solidão não tem de durar cem anos. E que as estirpes aprendam a abraçar-se e tenham uma segunda oportunidade sobre a terra”, conclui Shakira, numa referência ao livro de culto de García Márquez, Cem Anos de Solidão.

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