O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, defendeu esta quinta-feira, no Cairo, o reforço das “já boas relações” com o Egito e o envolvimento egípcio na cooperação trilateral com a União Europeia (UE) na agenda internacional.
Numa declaração aos jornalistas após mais de duas horas de reunião com o homólogo egípcio, Badr Abdelatty, o chefe da diplomacia portuguesa destacou a “grande quantidade de coincidências de pontos de vista” entre os dois países, considerando o Egito “o campeão do multilateralismo”.
No Cairo, onde chegou na quarta-feira, Paulo Rangel, que manteve também de manhã um encontro com o secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Fahmy, destacou que Portugal mantém uma relação de “proximidade” com o Egito, mas que pode ser “ainda mais aprofundada”.
Agradecendo o apoio do Cairo à eleição de Portugal como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, que Lisboa presidirá em janeiro de 2027, Rangel insistiu que os dois países consideram que o multilateralismo, no atual momento internacional, “é decisivo”. “É decisivo para alcançar a paz e reforçar a segurança. E, sem a lei internacional, sem o multilateralismo, o mundo estará numa situação muito mais difícil, tal como podemos ver com as várias brechas da lei internacional, algum desrespeito pelo multilateralismo e a situação em diferentes regiões do globo se tem deteriorado muito”, sublinhou.
Rangel aproveitou para anunciar que Lisboa acolherá, em fevereiro ou março de 2027, a Comissão Conjunta de Cooperação, que contará com um Fórum Económico, uma Comissão de Comércio, destinada a melhorar e reforçar as relações bilaterais. “Existem setores como o turismo, como a construção e infraestruturas, como energias renováveis, onde há muito o que fazer, que podem ser positivos para ambos os países e para ambos os povos”, defendeu Rangel.
O chefe da diplomacia portuguesa quer também incentivar um intercâmbio mais cultural. “É verdade que temos uma admiração muito forte pela cultura egípcia e pelo antigo Egito, mas há muito da modernidade do Egito e de Portugal que precisamos de aprender”, sustentou.
Em relação à cooperação trilateral, Rangel realçou que o Egito é um país africano e que Portugal mantém, desde sempre, uma relação muito próxima com o continente. “A cooperação trilateral pode ser uma muito boa forma de trabalhar juntos. Ambos os países têm a cooperação internacional como um objetivo importante, especialmente em África, e como nós trabalhamos cada país por si mesmo, também podemos ter projetos comuns juntos com outros países na África, e eu acho que isso é algo muito importante”, afirmou.
“Também é muito importante trazer a União Europeia para os problemas mediterrâneos, e acho que a situação está a melhorar nos últimos anos, mas podemos fazer muito juntos e ter essa parceria entre o Egito e a União Europeia, porque o Egito é realmente um interlocutor muito, muito bom”, acrescentou Rangel. “Porque é razoável, porque é moderado, porque sempre está a defender o reforço da segurança, da paz, e para aliviar as tremendas consequências dos conflitos”, salientou o chefe da diplomacia portuguesa, destacando o papel do Cairo na Líbia, Sudão, Iémen, no conflito com o Irão, na questão palestiniana com Gaza, na Cisjordânia, em Jerusalém, no Líbano e na Síria.
Para Rangel, o importante é que o Egito “está do lado dos bons”, tentando criar boas condições para melhorar a situação, para parar hostilidades, para começar um diálogo, para não interromper os canais de diálogo, mesmo quando as coisas vão mal. “Olhando para as coisas concretas, cooperação na África, desenvolvimento e economia, relações bilaterais, cultura, mas também para os nossos papéis na comunidade internacional, diria que foi muito importante hoje estarmos aqui. Isso só mostra que estamos juntos”, concluiu.