Quatro em quatro antes do primeiro tira-teimas. Ao cabo de quatro jornadas, restavam apenas duas equipas na liderança da Serie A só com vitórias: Roma e Inter Milão, equipas que se defrontaram este sábado no mítico Estádio Olímpico da capital italiana. Para lá do aproveitamento total em termos de pontos, as duas equipas partiam para a quinta jornada com uma média de três golos por partida, pelo que se perspetivava um grande embate para decidir a liderança do Campeonato italiano. Ainda com Rodrigo Mora à procura de encontrar o seu espaço na equipa de Gian Piero Gasperini, Donyell Malen tem assumido o protagonismo neste arranque de temporada e perfilou-se como o melhor marcador da Serie A ao cabo de quatro jornadas. Por outro lado, o campeão em título continuava a valer pelo seu coletivo, que Cristian Chivu tem aprimorado.

Enquanto Mora aproveita o tempo, Malen não tem tempo a perder: Roma volta a vencer e assume liderança da Serie A

Na antecâmara do jogo, o internacional português deu uma entrevista à Sky Sports Itália, na qual revelou ter como ídolo o colega Paulo Dybala e assumiu ter falado com José Mourinho antes de ter assinado pelos giallorossi. “Acho que a Roma é um clube muito importante, com uma história e uma tradição que se sente assim que chegamos. A forma como joga convenceu-me a fazer esta escolha. É um futebol com grande visão e ideias precisas, e depois há a Liga dos Campeões. Foi um passo importante na minha vida e estou convencido de que o dei no momento certo. Mourinho? Falámos um pouco quando cheguei. Contou-me o quanto gosta deste clube, de Roma e como é especial a relação com a cidade. Não foi uma conversa longa, mas é um grande treinador e uma grande pessoa. Estou muito grato pelas palavras que teve para mim. Fez-me sentir bem-vindo. Quero ganhar títulos. É o objetivo mais importante que tenho e aquilo que me motiva todas as manhãs quando chego ao treino”, disse Mora.

“É bom chegar a este jogo na posição em que nos encontramos, tendo em conta a forma como temos jogado e os jogos que vencemos. O Inter fez algo semelhante. É um grande jogo. O estádio vai estar cheio, com um ambiente fantástico, muito entusiasmo e duas equipas que têm alcançado excelentes resultados. Diria que é um jogo muito aguardado, que surge logo no início da época, depois de ambas as equipas terem tido um início realmente bom. É um jogo pelo qual as pessoas estão realmente ansiosas. Na minha opinião, qualquer entusiasmo ou desejo é energia positiva que deve ser aproveitada. Depois, claro, há o próprio jogo e os resultados. Quando as coisas não estão a correr muito bem, surge o outro lado da moeda, em que o risco é, talvez, ficarmos demasiado desanimados. Mas não podemos pensar nisso. Temos de nos concentrar neste jogo contra o Inter, na nossa forma e no facto de irmos jogar num ambiente que será muito positivo”, assumiu o treinador italiano.

“Temos um plantel que nos permite jogar de uma determinada forma, manter um nível elevado e permanecer fiéis à identidade e ao ADN da equipa. A minha preocupação é fazer as escolhas certas sem perturbar o equilíbrio. Nunca vi uma equipa perfeita na minha vida. Vamos tentar preservar a nossa identidade também contra a Roma. Tendo em conta tudo o que este grupo conquistou ao longo dos anos e os valores que representa, é assim que temos de jogar. Os riscos vão custar-nos mais em alguns jogos do que noutros. Podemos voltar a enfrentar dificuldades, mas será crucial encontrar o equilíbrio certo sem sacrificar a ambição e a qualidade deste grupo. Alguns jogadores não tiveram uma pré-temporada ideal devido ao Mundial, por isso estamos a tentar dar tempo de jogo a todos e colocá-los a par da situação. É claro que o jogo contra a Roma, imediatamente antes da pausa internacional, é muito importante”, abordou o romeno.

Nos últimos dias, Gasperini contou com novidades, já que Wesley França e Evan Ndicka voltaram a treinar com o plantel, e o brasileiro até saltou para o onze, juntando-se a Mario Hermoso, que estava em dúvida por conta de uma entorse no tornozelo sofrida no último jogo. Para o meio-campo entrou ainda Manu Koné, ao passo que Matías Soulé foi o escolhido, em detrimento de Mora, para se juntar a Paulo Dybala e Malen no ataque. Já Chivu ficou apenas privado de Hakan Çalhanoglu e John Stones, com lesões musculares, na visita à capital, entrando em campo com Yann Bisseck, Manuel Akanji e Alessandro Bastoni no setor mais recuado e com Curtis Jones, Piotr Zielinski e Nicolò Barella no meio-campo.

O pré-jogo ficou marcado pela homenagem a Sandro Mazzola, que morreu na sexta-feira aos 83 anos. O antigo avançado defendeu as cores do Inter Milão durante toda a sua carreira, tendo conquistado duas Ligas dos Campeões, duas Taças Intercontinentais e quatro Campeonatos italianos, para lá de ter vencido o Europeu-1968 e sido vice-campeão do mundo em 1970 ao serviço da azzurra. Roberto Mancini, selecionador italiano, não faltou à chamada e assistiu a um início de jogo bastante bom dos giallorossi, que se colocaram em vantagem logo a abrir, numa jogada em que Nahuel Molina recuperou a bola em zona subida, deixou para Dybala cruzar para o segundo poste, soltou-se e atrasou de cabeça para Koné, que atirou forte para o fundo das redes (6′).

A partir daí o jogo abriu-se, com Dybala a ficar muito perto de dobrar a vantagem em duas ocasiões (13′ e 20′). A resposta nerazzurri apareceu por Bisseck, que se isolou, mas Mile Svilar aguentou bem a posição e fechou-lhe o ângulo (26′). Pouco depois, Jones encontrou Bastoni na área, com o central a atirar ao poste (33′). A resposta romana apareceu por meio da eficácia, com o avançado argentino a soltar-se, uma vez mais, no corredor direito e a cruzar para o segundo poste, onde Gianluca Mancini não conseguiu dominar e Koné finalizou de pé esquerdo para o bis (37′).

Depois do intervalo o Inter Milão apareceu com outra cara e reduziu as contas logo no primeiro minuto, com Lautaro Martínez a conduzir o contra-ataque pelo meio e a combinar com Marcus Thuram, que se soltou na esquerda e cruzou atrasado para o remate de primeira do argentino (46′). Carlos Augusto e Petar Sucic entraram pouco depois e a equipa visitante continuou a dominar com bola, mostrando dificuldades em contrariar a marcação homem a homem do adversário. Ainda assim, o ala brasileiro começou a atacar o espaço na esquerda e, num desses lances, cruzou rasteiro para um pormenor técnico de Thuram para fora (59′). Gasperini respondeu com Evan Ndicka, Niccolò Pisilli e Devyne Rensch, numa tripla alteração que motivou as críticas dos adeptos. Luis Henrique e Daniele Ghilardi saíram no banco depois, numa altura em que o jogo se encontrava bastante amarrado.

Já na ponta final, o Inter Milão ficou muito perto do empate num lance de bola parada, Svilar negou o empate com uma grande defesa, Lautaro Martínez cabeceou à barra na recarga e, na insistência, Augusto cruzou, o capitão falhou o domínio, mas acabou por emendar da melhor forma depois de Bisseck também ter falhado (79′). Rodrigo Mora acabou por não sair do banco, já que a última substituição ficou reservada para a entrada de Konstantinos Koulierakis, mas o campeão continuou mais forte e, em novo lance de transição que nasceu num canto da Roma, Thuram tentou apanhar Svilar fora de posição com um remate de fora da área, mas a bola saiu a rasar o poste (88′). Seguiram-se as entradas de Ange-Yoan Bonny e Pio Esposito, e nova bola parada de perigo, mas Mile Svilar acabou por agarrar depois de ninguém ter conseguido desviar (90′).

Terminada a partida, Roma e Inter continuam na liderança da Serie A, com 13 pontos, mas podem ser alcançados por Como e Lazio no decorrer da jornada (2-2).