A empreitada das novas instalações da Unidade de Saúde Familiar (USF) Cardilium, em Torres Novas, está concluída após uma prorrogação de 270 dias, disse esta terça-feira à agência Lusa o presidente da câmara municipal.
“Não existe ainda uma data definida para a entrega do edifício à Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, prevendo-se, contudo, que esta possa ocorrer a curto prazo, previsivelmente durante o mês de outubro”, afirmou José Trincão Marques.
A obra, situada na Avenida Xanana Gusmão, junto ao Hospital Rainha Santa Isabel, no concelho de Torres Novas, distrito de Santarém, teve receção provisória em 24 de agosto e encontra-se concluída física e financeiramente.
O presidente do conselho de administração da ULS Médio Tejo, Casimiro Ramos, disse esta terça-feira à agência Lusa que a transferência da Unidade de Saúde Familiar (USF) Cardilium deverá ocorrer “a curto prazo”, mas depende ainda de trabalhos técnicos.
“Encontram-se ainda em curso alguns trabalhos técnicos no edifício, nomeadamente relacionados com a infraestrutura e a rede informática, essenciais à instalação e funcionamento dos serviços”, afirmou.
A data da mudança será articulada com o município após o edifício estar plenamente operacional, seguindo-se a instalação de equipamentos e preparação da transferência.
A empreitada foi adjudicada em 2024 por 1,948 milhões de euros, com um prazo inicial de 550 dias, que sofreu uma prorrogação global de 270 dias.
José Trincão Marques explicou que o prolongamento resultou de condições meteorológicas adversas, incluindo a tempestade Kristin, falta de mão de obra, atrasos no fornecimento de materiais e necessidade de trabalhos complementares.
“O contrato de comparticipação prevê um valor de 2.269.871,90 euros, o que permitirá ao município não assegurar contrapartida nacional”, acrescentou o autarca, faltando ainda concluir o processo de submissão e validação das despesas para efeitos de pagamento da comparticipação.
A USF Cardilium tem atualmente 10.223 utentes inscritos, todos com médico de família, e uma equipa de seis médicos, seis enfermeiros e quatro assistentes técnicos, segundo dados facultados à Lusa pela ULS.
“A nova infraestrutura permitirá criar condições para um futuro alargamento da capacidade assistencial”, afirmou Casimiro Ramos.
Esse crescimento dependerá, contudo, “da disponibilidade de médicos de Medicina Geral e Familiar e do preenchimento das vagas que venham a ser colocadas a concurso”, sendo depois ajustado o número de enfermeiros e assistentes técnicos.
O novo edifício, com cerca de 1.390 metros quadrados, foi projetado para uma capacidade de resposta próxima dos 14 mil utentes e inclui gabinetes de consulta e observação, salas de tratamento e áreas de apoio aos profissionais.
A localização junto ao Hospital Rainha Santa Isabel foi igualmente pensada para facilitar a articulação entre diferentes respostas de saúde existentes na cidade.
A transferência da Cardilium permitirá também libertar espaço no edifício-sede do Centro de Saúde de Torres Novas, onde funcionam outras unidades e serviços dos cuidados de saúde primários.
“A saída da USF permitirá proceder a uma reorganização e otimização dos espaços disponíveis”, disse Casimiro Ramos, acrescentando que essa redistribuição deverá melhorar a adequação dos espaços às necessidades assistenciais e funcionais das equipas.
Ali funcionam, além da Cardilium, a USF Almonda, a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados, a Unidade de Cuidados na Comunidade e serviços de Saúde Oral, Cardiopneumologia, Serviço Social e Psicologia.
Segundo o presidente da ULS Médio Tejo, a reorganização deverá traduzir-se em melhores condições físicas e organizacionais, com ganhos de conforto, funcionalidade e organização dos circuitos de atendimento.