O Grande Prémio do Azerbaijão é desde logo um fim de semana atípico no calendário da Fórmula 1. Ao contrário do habitual, as sessões de treino começaram logo na quinta-feira, a qualificação aconteceu na sexta-feira e a corrida acontecia este sábado, ou seja, tudo era antecipado um dia face ao normal. Tudo para evitar o Dia da Memória, celebrado este domingo no país, um dia solene e de luto nacional dedicado à memória dos militares e civis que morreram em Nagorno-Karabakh.

Ora, a Fórmula 1 chegava a Baku já dentro da segunda metade da temporada e numa altura em que Kimi Antonelli parece lançado para uma conquista de um Campeonato do Mundo que há um ano era difícil de antecipar. Vindo de duas vitórias consecutivas, em Espanha e em Itália, o jovem piloto da Mercedes lidera a classificação geral à frente do colega de equipa George Russell e a verdade é que, por muito que Lewis Hamilton, Charles Leclerc e Max Verstappen sejam sempre nomes a ter em conta em toda a matemática, parece cada vez mais que o Mundial de Fórmula 1 só escapa a Antonelli num cenário de culpa própria.

Este fim de semana, o italiano da Mercedes acabou por não ultrapassar um acidente logo na Q1 que danificou a suspensão, não voltou à pista e arrancava apenas em 16.º. George Russell aproveitou para ficar com a pole-position, seguido de Charles Leclerc e Oscar Piastri, com Isack Hadjar a resgatar uma ótima quarta posição no regresso à competição depois de uma lesão no pulso — e bem à frente de Max Verstappen, que era apenas oitavo.

“Nada acaba até ao momento em que passas a linha da meta. É como no ténis, um ponto de cada vez… Aqui é uma corrida de cada vez. Quanto mais depressa acabar, melhor. Ainda falta muito caminho e não vai ser fácil. Vai ser intenso, mas estou preparado para dar o meu melhor e continuar a divertir-me”, disse Kimi Antonelli na antevisão da corrida deste sábado e já depois de Russell ter garantido que vai “continuar a lutar pelo título até ser matematicamente possível”.

Em Baku, George Russell arrancou muito bem e agarrou desde logo a liderança, cavando seis segundos de vantagem para Oscar Piastri nas primeiras voltas. O australiano da McLaren segurou a segunda posição, mas tanto Isack Hadjar como Max Verstappen registaram um belo arranque e deixaram claro que a Red Bull era uma clara candidata ao pódio. Mais atrás, Kimi Antonelli ia fazendo o que podia e depois da volta 20 já era nono.

Verstappen acabou por deixar Hadjar para trás, colocando-se no terceiro lugar e no encalço de Piastri, enquanto que Russell ia acumulando voltas mais rápidas. Já depois da volta 30, Alexander Albon teve um acidente, saindo pelo próprio pé do Williams, e o safety-car que entrou em pista abriu a porta às idas à box do grupo da frente. No recomeço, porém, Lando Norris envolveu-se num acidente com Pierre Gasly e Franco Colapinto, os dois Alpine, e o safety-car regressou — com o abandono garantido para os três.

Ao mesmo tempo, Piastri foi ultrapassado por Verstappen e também não fugiu a Hadjar, caindo para o quarto lugar e deixando os dois Red Bull com apenas Russell pela frente. O australiano acabou por autossabotar-se, com uma travagem errada que o fez cair aos trambolhões pela classificação, e Charles Leclerc e Lewis Hamilton aproveitaram. Antonelli ainda conseguiu chegar a tempo de superar o britânico da Ferrari, mas já não teve tempo para se aproximar do monegasco.

Verstappen ainda forçou um eventual erro de Russell até ao fim, mas não deu: o britânico da Mercedes venceu o Grande Prémio do Azerbaijão por uma décima, com Max Verstappen e Isack Hadjar a garantirem o duplo pódio para a Red Bull, seguidos de Charles Leclerc, Kimi Antonelli e Lewis Hamilton. Tal como ele próprio disse, George Russell vai lutar pela conquista do título até ser matematicamente possível.