A três corridas do fecho da temporada, as contas do Mundial de Superbike estavam praticamente feitas. De forma incontornável, Nicolò Bulega (Aruba.it Racing–Ducati) chegou ao seu país confortavelmente na liderança do acumulado e podia sagrar-se campeão já neste Grande Prémio de Itália, dependendo do que fizesse o colega de equipa, Iker Lecuona. Ainda assim, o italiano chegou à corrida 2 com a conquista adiada, por conta da boa entrada em cena do espanhol, vencendo a corrida 1 e a superpole. Quanto a Miguel Oliveira, que vai continuar a representar a BMW no WSBK em 2027, ao lado de Brad Binder, o objetivo passava por responder em Cremona aos problemas de Magny-Cours, mas o fim de semana não começou bem para o falcão, que caiu na curva 2 na corrida de sábado, quando rodava em décimo.

A história de um fim de semana que começou bem e está a correr mal: Miguel Oliveira cai e abandona em Itália

“Fizemos muitas alterações de geometria para o Miguel. O Mikey [Van der Mark] tem conversado com os pilotos sobre aquilo que pensa que deve ser a base. Elevámos a posição dos pousa-pés do Miguel, a posição de altura da moto e a posição do assento. Não foram alterações enormes, mas algo que lhe desse confiança nas rápidas mudanças de direção, que aqui são muitas. Quando ele regressa e começa a falar sem parar, sabemos que é positivo, porque há muito para discutir em vez de ficar a olhar para o problema sem saber o que fazer. Quanto ao Danilo [Petrucci], tivemos um problema com ele. Fez uma volta de instalação e tivemos alguns pequenos problemas com o novo motor. Espero que isso o coloque numa posição melhor. O futuro dele está agora praticamente decidido. Queremos mantê-lo dentro do grupo BMW, mas poderá surgir uma oportunidade no estrangeiro”, revelou Shaun Muir, diretor da ROKiT BMW Motorrad WSBK.

“Viemos para aqui com uma atitude e uma mentalidade positivas depois do difícil fim de semana que tivemos em Magny-Cours. Essa é a única abordagem que podemos ter. O desafio é tirar o melhor partido do pacote que temos. Temos uma ideia sobre o motivo pelo qual foi tão difícil, mas é bastante complicado confirmá-lo neste momento porque não temos muitas oportunidades para fazer corridas seguidas e experimentar algumas coisas. Espero que tenhamos feito bem o nosso trabalho de casa e que tenhamos uma moto competitiva desde o primeiro treino livre. 2027? Será um bom ambiente. O Brad é um piloto muito competitivo e tem muito para mostrar e dar. É exatamente isso de que precisamos na garagem: uma atitude e uma mentalidade positivas, mesmo quando os tempos são difíceis”, disse o português na sexta-feira.

Apesar dos percalços da véspera, Miguel Oliveira entrou bem na corrida superpole realizada durante a manhã deste domingo, acabando a prova no oitavo lugar, depois de ter partido de nono. O português manteve-se no pelotão dos dez primeiros, próximo das posições intermédias, o que lhe permitiu ganhar confiança para a última prova do fim de semana em Cremona, na qual Nicolò Bulega precisava de terminar em quinto para se sagrar campeão. O arranque do falcão voltou a ser bastante bom, com o português a colocar-se no quinto lugar logo na primeira volta. Contudo, na volta seguinte, Oliveira não conseguiu travar na curva 10 e voltou a acabar na gravilha, abandonando a segunda corrida do fim de semana.

No decorrer da corrida, Lecuona e Bulega voltaram a distanciar-se da concorrência, com o italiano a controlar o segundo lugar que era suficiente para conquistar o título mundial pela primeira vez, ao passo que o espanhol conquistou mais uma vitória na temporada com uma vantagem substancial em relação ao colega de equipa. O último lugar do pódio ficou para Yari Montella (Barni Spark).