A artista Beatriz Rosário vai apresentar, até ao final do ano, uma trilogia musical que escreveu a partir de Coimbra e que propõe uma viagem pelo presente, passado e futuro, numa reflexão sobre identidade, memória e transformação pessoal.
“Como não queria fazer apenas canções, criei uma história à volta de três capítulos que para mim fazem total sentido. Gosto muito de viajar e olhei para o relógio como uma viagem entre o presente, que é o ponto de partida, o passado de quem nós já fomos e o futuro de quem podemos ser amanhã”, explicou Beatriz Rosário.
Em declarações à agência Lusa, a artista, natural de Coimbra, explicou que a sua viagem interior entre três tempos deu origem a três temas, que escreveu depois da meia-noite, um momento que considera propício à introspeção.
“Dei por mim à meia-noite, quando o mundo acalma e o mundo abranda, em que nós realmente ficamos com a mente mais consciente, a viajar entre o eu presente, o eu do passado e o eu futuro. E surgiram estes três capítulos”, revelou.
Depois do álbum “ALFA”, editado em 2025 como uma viagem entre Coimbra e Lisboa, a cantora apresenta na próxima sexta-feira o primeiro capítulo da sua trilogia.
Intitulado “O Meu Fado”, este capítulo produzido por MIGZ e Ariel cruza elementos da tradição musical portuguesa com uma produção contemporânea, numa fusão que pretende aproximar diferentes gerações e linguagens musicais.
“A sonoridade é portuguesa, mas com ritmos modernos. Portanto é uma mescla entre a base tradicional portuguesa com produção e sonoridade moderna”, indicou.
Segundo a artista, este tema foi escrito com Ella Nor e abre com palavras de Fernando Pessoa, interpretadas pela sua mãe.
“Peguei numas palavras de Fernando Pessoa e pedi à minha mãe para ler as palavras. A música começa mesmo assim”, referiu.
A canção aborda a identidade portuguesa, a aceitação pessoal e a esperança, afastando-se da visão melancólica tradicionalmente associada ao fado.
“É uma música que fala sobre esperança, fala sobre superação, não num tom triste, mas num tom alegre”, afirmou.
O videoclipe foi gravado em Alfama, na cidade de Lisboa, com a participação de habitantes locais, numa homenagem à portugalidade e às raízes culturais que a artista procura refletir neste novo trabalho.
Os dois capítulos seguintes da trilogia, dedicados ao passado e ao futuro, serão lançados em novembro e dezembro, respetivamente, e contarão com uma colaboração lusófona a anunciar.
Beatriz Rosário, de 26 anos, lançou o seu primeiro trabalho – EP “Rosário” – em 2022.
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