A vereação do PS na Câmara do Porto propõe que a cidade tenha mais casas de banho públicas, pretendendo que estas sejam desenhadas por alunos das seis faculdades de arquitetura sediadas no concelho, foi esta segunda-feira conhecido.

De acordo com uma proposta que vai ser apresentada na reunião pública da Câmara do Porto na terça-feira de manhã, a que a Lusa teve acesso, o PS propõe “a abertura de concursos de conceção aos alunos de Arquitetura – mediante programa a desenvolver pelos serviços municipais competentes -, para futura construção de instalações sanitárias públicas em locais já identificados e a designar”.

A equipa liderada por Manuel Pizarro, que é oposição ao executivo de Pedro Duarte (eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL) e conta com cinco vereadores, recorda que “existem atualmente 22 sanitários públicos a funcionar na cidade do Porto” mas, “nos últimos anos, 15 outras instalações foram encerradas, sendo notória a falta de equipamentos deste género em vários pontos da cidade”.

a”Em 2022, os próprios serviços municipais chegaram a identificar estes lugares como prioritários: Campo dos Mártires da Pátria, Praça de Francisco Sá Carneiro, Rua do Infante D. Henrique (Ribeira), Esplanada do Molhe, Largo de Soares dos Reis (Prado Repouso), Avenida da Boavista (Parque da Cidade), Praça 9 de Abril e Praça de Mouzinho da Albuquerque (vulgo Rotunda da Boavista)”, recordam

Segundo o PS, “foi proposta a aquisição e instalação de oito instalações sanitárias, num concurso que haveria de ser lançado e contestado em 2023. Ultrapassado o impasse, adquiriram-se os equipamentos, tendo custado à autarquia 475.500 euros, dando-se início aos trabalhos infraestruturais em alguns locais”.

Porém, este ano “o processo de instalação foi revertido, sabendo-se que será dado outro destino aos equipamentos adquiridos”, pelo que “vários locais continuam sem um serviço público” que, para o PS, é “fundamental para a limpeza e salubridade da cidade”.

No dia 11 de setembro, o jornal Público noticiou que a Câmara do Porto “montou quiosques com casas de banho públicas” e “depois desmantelou-os”.

Em causa estavam equipamentos montados na Praça Mouzinho de Albuquerque (rotunda da Boavista) e na Rua do Ouro, confirmando o gabinete de imprensa que “com a tomada de posse do atual executivo municipal, uma revisão integral aos projetos correntes determinou que os equipamentos fossem afetos a outros projetos considerados prioritários”.

Em causa estão localizações como os serviços de fiscalização, o Regimento de Sapadores Bombeiros ou o futuro Centro de Pernoita.

“Tempos houve em que a estes equipamentos era dada a importância devida, sendo comum o seu desenho e construção de elevada qualidade, como é o caso da existente no Passeio Alegre”, referem os eleitos do PS/Porto.

Os socialistas dão mesmo o exemplo de Tóquio, “que convidou arquitetos/as de reconhecida qualidade para o desenho e construção de 17 instalações sanitárias na zona de Shibuya, e que hoje são inclusivamente pontos de atração turística e que inspiraram, por exemplo, Wim Wenders para o seu filme Dias Perfeitos”.

“Estando nós numa cidade internacionalmente reconhecida pela sua Arquitetura e formação académica da disciplina, seria interessante o envolvimento das diferentes Faculdades de Arquitetura do Porto na conceção para posterior construção de futuras instalações sanitárias públicas”, consideram.

Em causa estariam alunos da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP), Universidade Lusíada, Escola Superior Artística do Porto (ESAP), Universidade Lusófona, Universidade Portucalense e Universidade Fernando Pessoa.