A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho está confiante de que o Governo vai acolher a reivindicação de 300 milhões de euros para investir na rodovia, dando resposta ao crescimento económico da região, revelou esta segunda-feira o presidente.
“Tem de existir [uma resposta positiva do Governo]. Não tenho dúvidas absolutamente nenhumas. O ministro [das Infraestruturas] foi claro: disse que durante o ano de 2026 vai constar de uma resolução do Conselho de Ministros. Não pode ser de outra forma. Terá de ir ao encontro do documento apresentado pela CIM e olhando para a priorização aprovada pelos 10 autarcas, que conhecem como ninguém o território”, disse à Lusa o presidente da CIM e da Câmara de Monção, no distrito de Viana do Castelo.
António Barbosa assinala que existem, no território, concelhos que desde o último Recenseamento Geral da População começaram “de forma continuada a ganhar população” e que tornaram o território “altamente competitivo”.
Atualmente, diz o autarca, “qualquer coisa como cerca de 50% do trânsito rodoviário entre Portugal e Espanha é feito nas fronteiras do Alto Minho”.
“O Alto Minho hoje está a caminhar a passos largos para exportações no valor dos três mil milhões de euros. Portanto, estamos a falar de um território que soube fazer o seu caminho. Aquilo que pedimos aos nossos governantes é que respondam e estejam à altura daquilo que os autarcas colocaram no próprio território“, afirmou.
“Nós não pedimos rodovia para dar futuro aos territórios. Pedimos rodovia para responder àquilo que é hoje a economia do Alto Minho”, sublinhou.
Para António Barbosa, “quando 10 autarcas se entendem num documento e na forma de priorizar um documento, naturalmente não há dúvidas de que são esses os investimentos que têm de ser feitos”.
“Queremos que haja um sinal inequívoco. Para além de constar num documento, é imediatamente pormos mãos ao trabalho para garantir que ainda durante este mandato começamos a ter resultados objetivos nos investimentos“, defendeu.
O documento preparado para o Governo sobre as acessibilidades estruturantes do Alto Minho tem “o tamanho de uma folha A4”, colocando entre os problemas de resolução imediata a construção da Variante de Valença/Monção/Melgaço até Salvaterra (Galiza), “compreendendo uma nova ligação internacional que beneficiará da proximidade à A52, um eixo fundamental que liga a Galiza a Madrid e ao resto da rede rodoviária espanhola”.
Para resolução imediata é indicado ainda o prolongamento da A28 entre Vila Nova de Cerveira e o Nó de Sapardos ou até à futura variante em Valença.
No Eixo do Vale do Lima, é prioridade a ligação à fronteira da Madalena (Itinerário Complementar 28), com a requalificação da Estrada Nacional (EN) 203 e da EN 304-1, que liga Ponte da Barca a Lindoso.
Os autarcas querem também a Variante de Ponte de Lima e uma ligação ferroviária direta ao Porto de Mar de Viana do Castelo.
Quanto às “acessibilidades estruturantes”, os autarcas querem que sejam lançados já os estudos de base para uma nova travessia do rio Minho, entre Caminha e A Guarda, a construir, do lado português, na zona de Seixas.
O documento também se refere à requalificação e correção do traçado da EN 101 entre Arcos de Valdevez e Monção e à necessidade de soluções para Paredes de Coura nas várias vias de ligação aos concelhos vizinhos, nomeadamente para os estrangulamentos dos eixos de ligação a Ponte de Lima (EN 306), Arcos de Valdevez (EN 303) e Monção (EN 301).