Os diretores escolares pediram esta terça-feira mais técnicos especializados e mais participação das famílias para travar o aumento dos crimes nas escolas, que dizem ser reflexo de uma sociedade cada vez mais agressiva e menos tolerante.
Em declarações à Lusa a propósito dos dados do programa Escola Segura, da PSP, que aponta para o maior número de crimes de ofensas corporais no ambiente escolar nos últimos cinco anos, Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas, disse que o problema é estrutural.
“Estes números refletem, na verdade, aquilo que se passa na sociedade: estamos numa sociedade cada vez menos tolerante, cada vez mais agressiva, cada vez com menos paciência“, afirmou o responsável, que reconheceu que os dados refletem também a maior atenção dada pelos professores a estas situações.
O relatório do Programa Escola Segura (PES) da PSP do ano letivo 2025/26, hoje divulgado e a que Lusa teve acesso, revela que o número de crimes de ofensas corporais e de armas cometidos nas escolas no último ano letivo foi o maior dos últimos cinco anos.
Segundo o documento, a maioria dos crimes registados no âmbito do PES está relacionada com ofensas corporais (1.426) e de injúrias e ameaças (920), tendo estas ocorrências aumentado 10,5% e 3,1%, respetivamente, em relação ao ano letivo anterior.
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Questionado pela Lusa, Filinto Lima disse que a falta de diálogo e de paciência para resolver alguns problemas do dia a dia é transversal à sociedade atual, assim como a maior agressividade e falta de tolerância, que os alunos acabam por transportar para dentro das escolas.
“Isto também se reflete no dia a dia das famílias e dos nossos alunos, que transportam para as escolas estas circunstâncias que nós tentamos debelar, tentamos que elas não sucedam, e quando sucedem temos um caminho único, é tratar delas e, em muitos casos, de facto, denunciar”, admitiu.
Filinto Lima disse que as escolas combatem estas situações e têm programas próprios, dirigidos ao ‘bullying’ e à violência no namoro, por exemplo, mas precisam de mais técnicos especializados, como psicólogos e assistentes sociais.
“Sobretudo nas grandes regiões de Lisboa e Porto, é necessário em algumas escolas reforçar o número destes técnicos especializados”, apelou.
Filinto Lima falou ainda da necessidade de maior participação das famílias para conseguir ter uma resposta integrada a estas situações: “não é a maioria, mas há uma franja de famílias que devia colaborar mais com as escolas e isso nem sempre acontece”.