O Plano Geral de Drenagem de Albufeira, lançado pela autarquia algarvia em 2016, vai ser retomado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e contará com um investimento de 46 milhões de euros, anunciou esta quarta-feira a ministra do Ambiente.
Este plano foi apresentado originalmente em 2016 pela câmara de Albufeira, no distrito de Faro, como resposta às cheias de 1 de novembro de 2015, e incluía a construção de um túnel para desviar o caudal da ribeira que atravessa a cidade diretamente para o mar, obra que nunca chegou a avançar.
A partir de agora, o plano de drenagem “é feito em colaboração com a autarquia, mas está a ser dirigido pela Agência Portuguesa do Ambiente”, revelou a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, aos jornalistas, na Quarteira, no concelho de Loulé, durante uma conferência de imprensa sobre investimentos no setor no Algarve.
É “um grande projeto, talvez dos maiores a nível nacional, tirando o de Lisboa, que é um projeto muito grande, mas é quase comparável a esse”, considerou, frisando que vai resolver o problema de uma das zonas mais expostas a cheias na região algarvia.
A governante adiantou que o plano terá um custo de 46 milhões de euros, que será suportado pelo Sustentável 2030, programa dedicado a obras de ação climática e sustentabilidade e financiado pelo Fundo de Coesão.
“Era um plano que já estava previsto. A boa notícia é que já tem maturidade, já há um projeto, que terá de ser sujeito à avaliação de impacte ambiental”, complementou o presidente da APA, que acompanhou a ministra na conferência de imprensa.
Segundo José Pimenta Machado, a principal obra do plano de drenagem de Albufeira será um túnel no valor de 33 milhões de euros, um aumento de mais de 100% face aos 15 milhões de euros de investimento que estavam projetados para este projeto específico há 10 anos.
O túnel, com uma extensão de 1,5 quilómetros, permitirá desviar o caudal da ribeira de Albufeira e libertar as zonas baixas da cidade, canalizando a água diretamente para o oceano, explicou em 2016 José Saldanha Matos, professor catedrático do Instituto Superior Técnico que desenvolveu o plano de drenagem.
A intempérie de 1 de novembro de 2015 afetou sobretudo a baixa de Albufeira, onde, em alguns casos, a água atingiu 1,80 metros de altura, causando danos na via pública e prejuízos de milhares de euros a comerciantes e empresários.
No âmbito do plano de drenagem, foram já construídas a estação elevatória da Praça dos Pescadores e o coletor de meia encosta poente, uma infraestrutura de drenagem pluvial na zona do Cerro Grande, entre outras intervenções, estando por construir ainda, além do túnel, outro coletor a nascente.
Na visita ao Algarve, a ministra do Ambiente preside esta tarde em Faro ao ato de assinatura da primeira tranche de pagamento do Fundo Ambiental, no valor de 3,7 milhões de euros, para investimentos na gestão inteligente da água na região.
Os projetos serão financiados em 40% pelo Fundo Ambiental, com a restante parcela a ser assegurada pelo programa operacional Algarve 2030, estando previsto um total de 120 milhões de euros de investimento até 2028, declarou Maria da Graça Carvalho na Quarteira.
O objetivo passa por reduzir as perdas de água nas redes de abastecimento público de 20% para 15%, acrescentou.
Quanto ao litoral algarvio, estão previstos cerca de 32 milhões de euros de investimento nos concelhos de Loulé, Faro, Portimão, Lagos e Albufeira, apontou.
Estas obras envolvem a reposição dos areais, a reabilitação de arribas e a reestruturação dos molhes de Quarteira, para diminuir o impacto da erosão costeira, indicou o presidente da APA.