Carlão apresenta, em abril em Lisboa e no Porto, dois concertos que celebram um percurso na música “feito de diferentes momentos, linguagens, experiências e transformações”, em dois palcos nos quais se estreia em nome próprio.
De acordo com o agenciamento de Carlão, num comunicado divulgado esta quarta-feira, os dois concertos “únicos, criados de raiz”, estão marcados para 17 e 29 de abril, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e na Casa da Música, no Porto, respetivamente.
“Vidas” é o mote e nome destes espetáculos, os quais celebram o percurso de Carlão, na ideia e conceito de que, ao longo do tempo, se acumulam várias vidas, por vezes convergentes, paralelas ou até aparentemente opostas, que acabam por fazer parte da mesma história. É esse percurso, feito de diferentes momentos, linguagens, experiências e transformações, que Carlão traz para o presente”, lê-se no comunicado.
Embora os concertos celebrem o percurso de Carlão, “não se constroem, porém, apenas como uma retrospetiva”, sendo “o ponto de partida outro: aproximar diferentes tempos, perceber o que permanece e deixar que passado e presente coexistam no mesmo palco”. “Não quero fazer uma retrospetiva no sentido clássico. Interessa-me mais juntar épocas diferentes e perceber como continuam todas presentes, porventura à luz dos tempos que correm. As coisas mudam. O Mundo muda, nós mudamos, mas há muito do que vivemos que permanece connosco e faz de nós o que somos no presente”. ‘Vidas’ nasce dessa ideia”, explicou Carlão, citado no comunicado.
Carlão editou em março deste ano Quinta-Essência 75/25, álbum cuja sonoridade passa em revista mais de 30 anos de carreira feitos tanto a solo como em projetos como Algodão, Da Weasel, 5-30 e Os Dias de Raiva. Quinta-Essência 75/25, o terceiro álbum que Carlos Nobre, o Pacman dos Da Weasel, grava enquanto Carlão, surgiu a partir de “vários projetos que acabaram por não ver a luz do dia, separados em EPs”, contou, em entrevista à Lusa em março.
Os produtores que escolheu para construir o álbum são pessoas que o ajudaram a definir a sua identidade musical, “por muito diversa que ela seja”: João Nobre, o Jay dos Da Weasel e irmão de Carlão, Fred Ferreira, que fez parte de 5-30 e Os Dias de Raiva, Branko, “que foi muito importante nos últimos anos também”, e a dupla Stereossauro e DJ Ride, porque um dos EPs que acabou por não sair era feito com os dois.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]
Num álbum que atravessa vários estilos, entre rap, ‘spoken word’, eletrónica, hardcore e ritmos de Cabo Verde, as 18 faixas que o compõem estão ligadas pela voz de Carlão, “e a escrita talvez, apesar de ser muito diferente [de umas faixas para as outras]”, que neste álbum é marcada pela reflexão, crítica social e introspeção.
No novo álbum, Carlão aproxima-se um pouco mais das suas raízes, cantando uma música em crioulo, Nair ki Fla, que tinha sido inicialmente gravada para ALMA, um álbum feito de poemas de José Maria Neves, Presidente da República de Cabo Verde e primo de Carlão, editado em 2022.