O Parlamento aprovou esta quarta-feira, por unanimidade, um voto de pesar apresentado pelo presidente da Assembleia da República pela recente morte de Jorge Palma, em que se considera que o legado do músico “continuará a inspirar várias gerações”.
Nas galerias da Assembleia da República, a assistir à leitura do voto de pesar, ao qual se seguiu uma salva de palmas por parte de todos os deputados e um minuto de silêncio, estiveram presentes familiares e amigos de Jorge Palma.
No voto proposto por José Pedro Aguiar-Branco, refere-se que Jorge Palma, natural de Lisboa, “conheceu a música ainda em criança, e não mais se libertou da sua força”.
“Pianista, guitarrista, letrista e cantor, trazia no íntimo uma invulgar capacidade de verter a vida em versos e notas. Percorreu, a par dos estudos, a estrada sinuosa da música. Descobriu as inovações do rock’n’roll e a força vernácula da música folk. Aprendeu com Ary dos Santos a escrever e a pensar”, salienta-se.
No texto, assinala-se também que Jorge Palma se exilou na Dinamarca, em 1973, rejeitando o serviço militar obrigatório: “Com licença, meus amigos, mas para a guerra não vou”.
Jorge Palma “pertenceu à geração a quem Abril reabriu as portas do país. Regressou no verão de 1974 e fez-se orquestrador e instrumentista. Percorreu os bastidores da música, produzindo letras e arranjos, harmonias e colaborações, e cruzando o seu talento com o de vários nomes ilustres do panorama nacional. A estrada levou-o, depois, a um invulgar périplo europeu. Sentado no metropolitano de Paris, sustentava-se através da guitarra e da voz”, destaca-se também neste voto.
Na década de 80, segundo o texto proposto pelo presidente do Parlamento, o nome de Jorge Palma “alcançou maior reconhecimento público, e lançou, entre 1979 e 1991, sete álbuns em nome próprio, onde se incluem alguns dos seus maiores êxitos”.
“Dedicou-se, na década seguinte, a projetos coletivos de grande qualidade, entre os quais o grupo Rio Grande. Após a viragem do milénio, lançou vários outros discos, incluindo Voo Noturno, o mais vendido da carreira. Galardoado em 2020 com a Ordem do Infante D. Henrique, viveu uma vida larga e generosa. Partilhou talento, deixou obra, amou e desamou. Irreverente, inconformista, conhecedor da vida nas suas rodas altas e baixas, ensinou-nos muito sobre nós mesmos”, acrescenta-se no voto.