A atriz e cantora lírica Helena Afonso, cuja carreira cruzou música, ópera, teatro, cinema, televisão e ensino, morreu aos 78 anos, anunciou esta quinta-feira a Casa do Artista, onde residia.

Nascida em 1948, em Lisboa, Helena Afonso, “atriz, cantora lírica e professora de Técnica Vocal, desenvolveu ao longo de várias décadas um percurso singular no cruzamento entre a música, a ópera, o teatro, o cinema, a televisão e o ensino”, recorda a Casa do Artista num comunicado partilhado nas redes sociais.

O percurso artístico de Helena Afonso, que se formou em Canto pelo Conservatório Nacional de Lisboa, começou pela música e a interpretação.

A Casa do Artista, onde residia desde o ano passado, recorda que Helena Afonso “foi uma das vozes dos Segréis de Lisboa, grupo fundamental na divulgação e interpretação da música antiga em Portugal”, tendo integrado, como soprano e percussionista, o álbum “A Música no Tempo de Camões”, editado em 1979.

Além disso, colaborou com a Banda do Casaco, tendo participado no álbum “Dos Benefícios de um Vendido no Reino dos Bonifácios”, editado em 1975, e integrou projetos de música contemporânea como “Depois de Tordesilhas…” (1994), com Elisabete Matos e Elsa Saque, e “Corda Bamba” (1997), de Luís Bragança Gil, com libreto de Luísa Costa Gomes, elenca a Casa da Música.

No teatro, trabalhou com encenadores como Luís Miguel Cintra, Filipe La Féria, João Lourenço, Ricardo Pais e Fernando Gomes e estruturas como o Teatro da Cornucópia, o Novo Grupo/Teatro Aberto, O Bando, o Teatro Politeama, os Lisbon Players, a Companhia de Música Teatral e o Teatro do Vestido.

Helena Afonso fez também parte do elenco de alguns filmes, entre os quais “Conversa Acabada” (1981), de João Botelho, “Silvestre” (1981), de João César Monteiro, e “Comboio Noturno para Lisboa” (2013), de Bille August.

A atriz e cantora lírica marcou também presença no pequeno ecrã, tendo nos anos 1980 participado em “Eu Show Nico”, “Cacau da Ribeira” e “Grande Noite”.

Depois, participou em séries e telenovelas como “Uma Aventura” (2000), “Morangos com Açúcar” (2003), “Até Amanhã, Camaradas” (2005), “Conta-me Como Foi” (2007), “Liberdade 21” (2008), “Laços de Sangue” (2010), “Destinos Cruzados” (2013–2014) e “Nazaré” (2019–21).

A Casa do Artista refere que a presença prolongada de Helena Afonso na televisão “testemunha a extraordinária longevidade do seu percurso artístico e a capacidade de trabalhar com diferentes gerações de atores, realizadores e criadores”.

“Em televisão, como no teatro e no cinema, Helena Afonso levou consigo a experiência de uma intérprete cuja formação musical e vocal se cruzava naturalmente com o trabalho de atriz”, lê-se no comunicado.

Em paralelo, Helena Afonso foi professora de Técnica Vocal na Escola Superior de Música de Lisboa, “transmitindo a sua experiência e conhecimento a sucessivas gerações de músicos e intérpretes”.