O músico britânico Conrad Thomas Lant, vocalista e baixista dos pioneiros do metal Venom, morreu esta quinta-feira aos 63 anos, anunciou a família nas redes sociais.
“Durante mais de quatro décadas, a voz de Conrad, o seu baixo e a sua visão estiveram no centro de Venom. Desde os primeiros murmúrios de Welcome to Hell passando por Black Metal, At War with Satan, Possessed e mais, criou algo que mudou a música pesada para sempre”, pode ler-se na mensagem publicada nas redes sociais.
Na mesma publicação, é citado o filho Nathan com uma mensagem de gratidão a todos os que apoiaram Conrad Lant, mais conhecido por Cronos, ao longo dos anos: “Sei que ele vos apreciou a todos. Pousou a sua alma e a sua música vai perdurar. A lenda de Cronos não morrerá nunca”.
Nas reações, no Instagram, músicos de outras bandas históricas do metal lamentaram a morte de Lant, desde Danny Lilker (de Anthrax e Brutal Truth) a Gary Holt (de Exodus) passando por Stephen O’Malley (de Sunn O)))) ou bandas como Evoken e Ulver.
No obituário publicado pela especializada Decibel, pode ler-se que “é impossível subestimar” o que a banda fez para coletivamente mudar o rumo do metal.
“Talvez sejam mais conhecidos como a banda que empurrou a imagética satânica para lá de todas as fronteiras do bom gosto e da aceitação. Também fizeram algo muito mais importante: democratizaram a música para futuras gerações”, acrescentou a revista.
No livro Louder Than Hell, Cronos explica que os Venom costumavam dizer que eram uma junção de todas as suas bandas favoritas: “o lado espetacular de Kiss, as letras de Sabbath, a velocidade de Motörhead, a aparência de Judas Priest”.
“Estávamos a tentar usar o máximo de influências possíveis para fazer a derradeira banda de metal, ao mesmo tempo que éramos originais”, afirmou o músico.
No mesmo livro, o músico John Gallagher, de Raven, que partilhavam editora com Venom, explica que o objetivo de Venom era “nunca tocar ao vivo e construir uma mística, algo que alcançaram, em grande parte”.
“Havia uma grande procura para que tocassem ao vivo. Quando finalmente o fizeram, pagaram-lhes valores absurdos de dinheiro. Quando vieram pela primeira vez aos Estados Unidos, trouxeram pó negro explosivo no avião. Tentem isso hoje e vão presos por 25 anos”, acrescentou.
Igualmente, Scott Ian, de Anthrax, conta como o disco de estreia de Venom (Welcome to Hell, de 1981) foi um momento de “abrir olhos”: “Era tão, tão maléfico. Trouxe um novo tipo de loucura”.
“Venom não era parecido a nada na altura. As pessoas atribuem-nos a responsabilidade pelo começo do movimento thrash metal, mas a verdade é que acho que era inevitável. O punk tinha morrido. O metal era foleiro. Só havia uma forma de fazer isto: fazer com que as bandas de metal ganhassem tomates outra vez”, afirmou Cronos.
Os autores do livro Louder Than Hell, que é uma história do género, reconhecem a influência performativa de Venom, mas ressalvam que a banda era “musicalmente limitada”, o que significava que “quando tentavam fazer algo mais do que ser uns Motorhead maléficos, falhavam redondamente”.
Esse lado performativo – sem uma convicção correspondente – foi anos depois adotado por toda uma nova geração de músicos a partir do segundo disco da banda britânica, intitulado Black Metal, de 1982, que em múltiplas ocasiões é visto como o momento de nascimento do movimento artístico a que deu nome.
Apesar de Cronos salientar que não tinha qualquer intenção de “pregar satanismo, ocultismo, bruxaria ou algo do género” e que para si o rock era apenas entretenimento, músicos em países como a Noruega levaram a sério os ensinamentos da banda.
Como afirmou o músico Abbath, de Immortal: “bandas como Iron Maiden, Kiss e Black Sabbath tinham sempre problemas com os cristãos, que se queixavam do rock’n’roll. E todos diziam ‘não, não somos satânicos’, mas os Venom não queriam saber. Diziam ‘Salvé Satanás’, que era uma declaração contra todas essas pessoas”.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]