O documentário “Fuck the Polis”, que a realizadora Rita Azevedo Gomes rodou em viagem pela Grécia, numa reflexão sobre cultura e civilização, estreia-se esta quinta-feira nos cinemas portugueses.

O filme chega aos cinemas um ano depois de ter sido distinguido com o grande prémio do Festival de Cinema de Marselha, em França, onde o júri o descreveu como “uma viagem de espírito livre através e para lá daquilo a que [se chama] Europa e um questionamento poderoso e com graça sobre a ideia de nação e civilização”.

“Fuck the Polis” resulta de uma viagem de Rita Azevedo Gomes às ilhas gregas, acompanhada por uma pequena equipa que registou relatos pessoais e documentou passagens literárias de outros autores.

No filme, com argumento de Rita Azevedo Gomes e Regina Guimarães inspirado num conto de João Miguel Fernandes Jorge, entram a realizadora, Bingham Bryant, Mauro Soares, João Sarantopoulos, Maria Novo, Loukianos Moshonas e a cantora grega Maria Farantouri.

A acompanhar imagens das paisagens gregas surgem excertos de autores como Konstandinos Kavafis, John Keats e Albert Camus.

O filme transporta o espectador “para o berço da civilização ocidental, para o esteio que sustenta os valores e as relações em sociedade, para a noção de tempo e de finitude”, refere a produtora Basilisco Filmes em nota de imprensa.

“Fuck the Polis” vai estar em exibição em Coimbra, Lisboa, Leiria, Porto e Setúbal.

Estão previstas várias sessões especiais com a presença de Rita Azevedo Gomes, nomeadamente esta quinta-feira, juntamente com o poeta João Miguel Fernandes Jorge, no Cinema Ideal, em Lisboa.

Casa do Cinema de Coimbra, Cinema Trindade, no Porto, e Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, na Lourinhã, são outras localidades onde Rita Azevedo Gomes estará presente.

Rita Azevedo Gomes, 74 anos, com formação em artes plásticas, trabalha em cinema desde os anos 1970 em várias funções, desde assistente de realização a figurinista.

Estreou-se na realização em 1990, com “O som da terra a tremer”, tendo feito, depois, obras como “Frágil como o mundo” (2001), “A vingança de uma mulher” (2012), “A portuguesa” (2018) e “Trio em Mi Bemol” (2022).

Em 2023 recebeu um prémio de carreira no Festival do Documentário e da Curta-Metragem de Bilbau (Zinebi), em Espanha.