O atleta português Pedro Pichardo acusou este sábado o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) de ter sido parcial no seu processo contra o Benfica, numa altura em que ainda não foi anunciada a decisão final.
Numa publicação na rede social Instagram, o campeão olímpico do triplo salto em Tóquio2020 diz que sempre acreditou na lei portuguesa e que “não existia corrupção” nos tribunais, mas garante estar “a notar e a vivenciar desde o começo do processo” que no TAD estão “a favorecer a outra parte”.
“Só pelo facto de [o Benfica] ser uma grande entidade e por terem influência no país. Mesmo com todas as evidências nas suas mãos estão a tentar ignorar, favorecer e fingir que não existem argumentos suficientes. Mesmo depois de o próprio TAD durante o processo sugerir à outra parte chegar a um acordo. Chegou o dia da decisão final e o próprio TAD se retrata e toma uma decisão baseada em alegações e não nas provas que lhes foram entregues”, lamentou.
Pichardo, de 32 anos e nascido em Cuba, assegura que não vai ficar “de braços cruzados” e, se for necessário, vai “viajar e dormir às portas do Tribunal do Desporto Internacional, em Lausana.
“Não estão a ser imparciais no processo, apenas porque se trata do melhor clube do universo. […] Todos estes anos tive que viver em silêncio por recomendação dos meus advogados e porque existia um processo nos tribunais. Enquanto o país todo me viu como mau. Bato à porta dos tribunais a confiar na lei e vêm com esta brincadeira”, escreveu.
Fonte do Benfica revelou à agência Lusa que não foi reconhecida justa causa a Pichardo, nem reconhecida a existência de assédio, com o clube a ter de pagar apenas subsídios de férias devidos e de um tratamento que o saltador realizou.
Em causa está a ação apresentada por Pichardo, que além da medalha de ouro nos Mundiais Tóquio2025 conquistou ainda o título mundial em Oregon2022 e europeu em Munique2022, para indemnização e reconhecimento de justa causa na rescisão de contrato unilateral com o Benfica.
Pichardo avançou com esta ação, em 12 de março de 2025, contra o clube ‘encarnado’, que representou desde 26 de abril de 2017 e até 13 de janeiro de 2025, quando rescindiu contrato com o Benfica, que era válido até ao fim dos Jogos Los Angeles2028, alegando divergências irreconciliáveis.
O atleta reivindica 1,1 milhões de euros, por falta de cuidados médicos e ter ficado impedido de recorrer ao seguro de saúde, enquanto o Benfica, em resposta, reclama o pagamento de dois milhões de euros, alegando incumprimento das obrigações contratuais, danos de reputação e prejuízos desportivos na “imagem da maior instituição do país”, apesar de ter instaurado, no início do ano passado, um processo disciplinar a Pichardo, com vista ao seu “despedimento”.