O diretor executivo da Agência Europeia de Defesa (AED) defendeu esta quinta-feira que a Europa precisa de mais investimento, compras conjuntas e encomendas duradouras para transformar inovação em capacidade militar até 2030.
“Precisamos de reforçar a indústria europeia de defesa”, que necessita “não apenas de sinais de procura, mas de encomendas firmes a longo prazo” para aumentar a capacidade de produção, afirmou André Denk, propondo ainda a simplificação das regras de aquisição de equipamentos militares.
O diretor da AED falava aos jornalistas durante uma visita ao exercício ARTEX 26 / HEDI OPEX 26, que decorre no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, distrito de Santarém, e reúne militares, empresas e entidades de investigação na experimentação de novas tecnologias de defesa em condições operacionais.
Segundo Denk, o reforço das capacidades militares exige maior cooperação entre Estados-membros, harmonização de requisitos e interoperabilidade entre forças armadas, permitindo ganhos de escala e uma resposta mais rápida.
Entre as áreas prioritárias destacou os drones, os ataques de precisão em profundidade, a defesa aérea e antimíssil e a guerra eletrónica, reconhecendo que existe “muito trabalho” para alcançar a prontidão militar europeia prevista para 2030.
Denk considerou que a invasão russa da Ucrânia, em 2022, alterou as prioridades europeias, evidenciando a necessidade de uma dissuasão credível, com forças bem treinadas e equipadas e uma indústria capaz de responder rapidamente.
“Temos de antecipar a guerra do futuro e estar preparados para a guerra do futuro“, afirmou, considerando que a Europa não investiu o suficiente na defesa nas últimas décadas, ressalvando que o atual ritmo de investimento e cooperação é “sem precedentes”.
Sobre as tecnologias experimentadas no Campo Militar de Santa Margarida, Denk revelou que algumas já foram utilizadas e comprovadas em combate na Ucrânia, salientando que estes sistemas exigem melhorias praticamente semanais para acompanhar a evolução das ameaças.
Durante a manhã, o responsável europeu percorreu as áreas de experimentação, observou demonstrações de drones e outros sistemas não tripulados, comunicações e tecnologias de apoio às operações militares, e conversou com militares, empresas e equipas envolvidas nos testes.
Denk destacou a importância de manter vantagem tecnológica sobre os adversários, defendendo soluções de aplicação imediata e tecnologias de desenvolvimento mais avançado.
O responsável elogiou as condições oferecidas por Portugal, considerando que o país está “perfeitamente posicionado” para acolher futuras campanhas europeias de experimentação, pela capacidade de testar soluções em cenários próximos da realidade do combate.
Também presente na visita, o Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, afirmou que a guerra na Ucrânia está a transformar a preparação militar portuguesa, desde a formação e treino até à integração de tecnologias nos procedimentos táticos.
“Mudámos a nossa mentalidade de tempo de paz para tempo de guerra”, afirmou, defendendo a necessidade de preparar os militares para novas ameaças e adaptar a forma como são ensinados e treinados.
Mendes Ferrão destacou a evolução do ARTEX, inicialmente um exercício nacional, para uma campanha integrada na experimentação europeia, permitindo ao Exército beneficiar da experiência, dos projetos e da rede de empresas e instituições associadas à EDA.
O general salientou que Portugal pretende reforçar o pilar europeu da NATO, contribuindo não apenas com forças militares, mas também com a engenharia, a academia e a indústria nacionais para projetos europeus de defesa.
O ARTEX 26 / HEDI OPEX 26 testa drones, sistemas terrestres não tripulados, sensores, comunicações e outras tecnologias em cenários operacionais, procurando acelerar a passagem da inovação para a utilização militar.