Lisboa tem atualmente 11.704 alojamentos locais, menos 37% do que em 2025, sobretudo devido à limpeza de registos sem atividade, mas essas casas não chegaram ao mercado de habitação, revelou esta sexta-feira a associação Vizinhos em Lisboa.

Esta é uma das conclusões da Radiografia do Alojamento Local em Lisboa 2023-2026, divulgada pela associação de moradores, uma análise que cruza quatro extrações do Registo Nacional de Alojamento Local (RNAL) com os Censos 2021 do Instituto Nacional de Estatística (INE).

No início deste ano, a Câmara Municipal de Lisboa (CML) cancelou 6.765 registos de alojamento local (AL), o que representava cerca de 40% do total, por falta do seguro de responsabilidade civil obrigatório.

“Lisboa tem 11.704 AL e 69.070 camas. Respetivamente, menos 37% e menos 36% do que em 2025”, observou a análise, concluindo que “a queda é sobretudo uma limpeza de registos sem atividade: 81% dos AL ativos foram registados entre 2015 e 2019, e desde 2023 entraram apenas 332 novos”.

No entanto, a associação verificou uma amostra aleatória de prédios com AL cancelado na freguesia de Santa Maria Maior e apenas 11% tiveram anúncios de venda ou arrendamento na plataforma imobiliária Idealista no último ano, enquanto na freguesia da Ajuda, onde foram verificados todos os prédios, a percentagem ficou entre 6% e 8%.

“Por outro lado, e talvez ainda mais revelador: as contagens globais de anúncios em Lisboa estão hoje em linha com as de há um ano”, realçou, o que significa que “essas casas não chegaram ao mercado de habitação“.

Os dados recolhidos revelam que o centro histórico da capital continua saturado, com as freguesias de Santa Maria Maior e Misericórdia a registar mais camas de AL do que moradores e, em conjunto com as freguesias de São Vicente e Santo António, a concentrar 61% dos AL da cidade.

No caso de Santa Maria Maior, a proporção é de 69 AL por cada 100 casas habitadas, enquanto a média da cidade é de cinco, apontou a análise.

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A associação recordou que os Censos 2021 contaram 48.018 casas vagas em Lisboa, quatro vezes o número atual de AL, que “poderiam acolher cerca de 105 mil pessoas”.

Adicionalmente, a Vizinhos em Lisboa denunciou indícios de AL a funcionar sem registo, após um teste com pedidos de reserva, em que pelo menos 4% dos AL “cancelados” continuavam a aceitar hóspedes.

Neste sentido, a associação propôs à CML que mantenha a contenção do AL nas freguesias saturadas, acompanhe a “nova fronteira de expansão em Penha de França, Campo de Ourique e Alvalade”, mobilize o parque habitacional vazio e reponha “a transparência dos dados abertos do Turismo de Portugal repondo os emails e adicionando os NIF [números de identificação fiscal] das empresas que operam alojamentos locais”.