Os 42 comerciantes e artesãos do Mercado de Artesanato do Cais de Gaia têm até dezembro para deixar o local, pois a Câmara Municipal pretende instalar no local comércio de luxo, revelou hoje à Lusa o porta-voz dos vendedores.

Segundo Paulo Ferreira, há cerca de três semanas tiveram uma reunião com o vereador com o pelouro do Turismo, Fernando Machado, que lhes disse “que a saída era irreversível” e que “o presidente Luís Filipe Menezes (coligação PSD/CDS-PP/IL) queria instalar no local comércio de luxo para os clientes dos hotéis de cinco estrelas de Gaia”.

Passando das palavras aos atos, esta semana, continuou, os “comerciantes e artesãos receberam por mail a formalização da obrigatoriedade de sair até ao final do ano”, sendo também informados que estava aberta a candidatura para passarem a vender na Feira Municipal de Artesanato, que passará para o Jardim do Morro, junto ao tabuleiro superior da Ponte Luís I.

Paulo Ferreira lembrou que o mercado existe há mais de 20 anos, no período em que o espaço foi da gestão da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL), realidade alterada desde 21 de julho quando aquela entidade assinou com as autarquias do Porto e de Gaia a transferência de competências de gestão e manutenção das frentes ribeirinha e marítima.

“A maior parte das pessoas está aqui há 10 ou 20 anos, têm em média 60 anos e cerca de 80% não têm carta de artesão. Nunca foi preciso. E agora querem obrigar-nos a sair daqui e avançar com uma candidatura, sendo que quem não tem essa carta não sabe se a consegue em tempo útil? Estão a atirar-nos para o desemprego”, acusou o representante dos comerciantes que têm um abaixo-assinado que, pelas 18h50 desta sexta-feira, somava 518 assinaturas.

Acresce ao problema descrito, assinalou Paulo Ferreira, o facto de “apenas haver 40 vagas no Jardim do Morro, sendo que, entre os vendedores do mercado e da feira ao lado, deverão ser cerca de 100 pessoas a concorrer“.

Para além da petição, os comerciantes já reuniram com o PS, oposição na Câmara de Gaia, e vão estar na próxima assembleia municipal para “defender os argumentos” de quem quer continuar a trabalhar no Cais de Gaia.

No abaixo-assinado pedem à autarquia que “não proceda ao cancelamento do Mercado de Artesanato do Cais de Gaia”, que “garanta a continuidade do mercado e da atividade dos artesãos e comerciantes” e que “promova uma reunião com os comerciantes e artesãos para conhecer as suas preocupações e procurar soluções para eventuais problemas existentes”.

No texto lê-se ainda o pedido à autarquia para que “considere alternativas ao encerramento que permitam preservar o mercado, conciliando os interesses de todas as partes” e que “reconheça o valor económico, cultural e turístico que o mercado representa para a zona ribeirinha e para o concelho de Vila Nova de Gaia”.

Escrevem ainda os peticionários que “para além da sua importância económica, o mercado contribui para a divulgação dos produtos de artesanato regional, da criatividade e da identidade cultural local, enriquecendo a experiência de quem visita esta zona ribeirinha de Gaia”.

A Lusa tentou uma reação da Câmara de Gaia, mas até ao momento não foi possível.

Em junho, um dos promotores de uma petição contra a saída determinada pela autarquia da feira de artesanato do Cais de Gaia, que esteve, também, para ser deslocalizada para o Jardim do Morro, revelou à Lusa que vão manter-se no local atual, depois de as partes terem reconhecido ganhos mútuos com a manutenção desses comerciantes.