Entre todas as possibilidades que estavam em cima da mesa, não foi o cenário mais fácil mas também esteve longe de ser o mais complicado. Após um “susto” na primeira fase da qualificação europeia para o Mundial-2027 do Brasil, com uma derrota por 3-1 na Finlândia a não impedir a primeira posição do grupo apesar de todas as dificuldades sofridas em Tampere, Portugal entrou no primeiro de dois playoffs de apuramento com um caminho que podia dar origem a um cruzamento na ronda final com a Islândia, que teria pela frente a Croácia. Ainda assim, antes de pensar mais à frente numa eliminatória que podia ser histórica com a segunda qualificação de sempre para a fase final de um Campeonato do Mundo, estava agora a Irlanda do Norte.

“Vamos procurar impor o nosso jogo, sabendo que vai ser sempre difícil quando jogamos fora. Precisamos ter maturidade e saber que haverá momentos em que temos de saber sofrer. A Irlanda do Norte é uma equipa que mudou recentemente de treinador, está a assimilar os processos, tem apresentado um nível bastante competitivo, principalmente em casa, e prova disso são os resultados com a Suíça e com a Turquia. É uma equipa que gosta de pressionar, que gosta de empurrar as equipas adversárias para trás. Tem algumas referências individuais, gosta de um jogo mais vertical, de ganhar primeiras e segundas bolas, que gosta das bolas paradas. Já alertámos as nossas jogadoras para isso”, apontara Francisco Neto na antecâmara do jogo.

“Queremos tirar partido daquilo que são as melhores características das nossas jogadoras. Gostaríamos de contar com todas, infelizmente não o conseguimos por lesões, mas estou muito confiante com o grupo que aqui temos. É capaz, muito experiente, tem uma base de jogadoras que já esteve em Europeus e Mundiais. Por isso, está preparado para este tipo de jogos. Relvado? Apesar de na nossa Liga já não jogarmos em sintético, todas têm um passado de sintético e o relvado exigiria sempre um tempo de adaptação. As jogadoras têm de perceber como é que a bola rola, como é que travam, a velocidade. É o trabalho que têm de fazer e nós, equipa técnica, devemos estimulá-las nesse sentido”, acrescentara ainda o selecionador nacional.

Estavam lançadas as bases da partida, que funcionava também como reencontro depois dos dois triunfos de Portugal frente à Irlanda do Norte na qualificação para o Europeu de 2025 (4-0 em casa, 2-1 fora), naqueles que foram os únicos encontros de carácter oficial entre as equipas até agora. Mais: em termos históricos, e num total de sete partidas, a Seleção levava cinco triunfos contra apenas dois das britânicas, o que adensava um ligeiro favoritismo teórico para o conjunto nacional neste arranque do playoff 1 de apuramento.

Após uma subida de Catarina Amado pela direita com um cruzamento rasteiro que ficou nas mãos da guarda-redes contrária, Portugal não demorou a inaugurar o marcador em Larne, com Sarah McMaster a cortar com a mão uma recarga de Jéssica Silva na área com depois de uma tentativa de Andreia Jacinto que bateu numa adversária e Telma Encarnação a não perdoar de grande penalidade (8′). A Irlanda do Norte ainda foi depois à procura de uma reação mas a capacidade que Portugal mostrava de construir por dentro para criar de seguida o desequilíbrio por fora continuava a causar mossa, com Jéssica Silva a aumentar por 2-0 com um desvio ao primeiro poste após assistência de Telma Encarnação numa jogada que começou em Joana Marchão na esquerda (22′) e Rebecca Holloway a marcar na própria baliza depois de desviar de forma involuntária um cruzamento de Catarina Amado na direita (28′). A vitória parecia estar “assegurada”.

Portugal manteve o encontro controlado na segunda parte, tendo mesmo algumas aproximações com perigo sem finalização que podiam ter ampliado a vantagem sempre com Telma Encarnação a ser protagonista das ações mas a expulsão de Catarina Amado por acumulação de cartões amarelos (65′) acabou por mudar essa tendência, com a Irlanda do Norte a arriscar um pouco mais na frente e a ter uma boa oportunidade para reduzir por Chambers, que atirou na área para grande defesa de Inês Pereira (72′). Ainda assim, e depois das entradas de Lúcia Alves e Andreia Norton, percebeu-se que Portugal foi conseguindo estabilizar apesar da desvantagem numérica, chegando mesmo ao 4-0 num remate de fora da área de Fátima Pinto (83′) antes de uma expulsão para a equipa da casa, neste caso para Chambers após agarrar o cabelo de Carolina Correia.