O secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) afirmou esta segunda-feira que “o mundo vai precisar de mais 23% de energia primária até 2050” e defendeu a necessidade de investir em infraestruturas para o petróleo e o gás, bem como noutras fontes de energia.

“Continuamos a investir nos países membros da OPEP em petróleo e gás, em infraestruturas para o petróleo e o gás e nas apólices de seguro que precisamos de ter em vigor. Mas também investimos noutras fontes de energia, porque acreditamos que o mundo vai precisar de mais 23% de energia primária entre agora e 2050″, disse o secretário-geral da Organização, Haitham Al Ghais, na 25.ª edição do Congresso de Energia do Conselho Mundial do Petróleo (WPC, em inglês), na capital da Arábia Saudita.

A energia primária é aquela recolhida diretamente da natureza, como o petróleo, o vento ou o sol, enquanto a secundária é a transformação desta em gasolina ou eletricidade.

Numa sessão ministerial, Al Ghais afirmou que num dia não se pode dizer: “‘Olha, estou com escassez e vou construir uma nova refinaria para que comece a produzir imediatamente’. Não funciona assim”, já que se trata de uma indústria “com prazos de execução longos. Requer muito planeamento”.

Para justificar, Al Ghais explicou que “as pessoas não percebem que é preciso investir hoje para poder produzir dentro de cinco, seis ou sete anos, tanto nas atividades de exploração e produção como nas de refinação e distribuição” de petróleo.

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Porque a população mundial “vai aumentar em quase 2.000 milhões de pessoas de agora até 2050 (…) A urbanização, por si só, fará com que mais de 1.800 milhões de pessoas se mudem para novas cidades em todo o mundo entre agora e 2050. O tamanho da economia mundial vai duplicar em relação ao atual se considerarmos um crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) de 3%. Além disso, toda a gente fala sobre a inteligência artificial (IA), como se fosse a nova religião: os centros de dados de IA e tudo mais. Tudo isso exigirá muito mais energia”, enumerou.

Al Ghais atribuiu a “escassez” que o mundo sofre, atualmente, de “diesel, combustível para aviões e gasolina” à falta de investimento, “algo que ia acontecer. Era apenas uma questão de tempo. Era previsível. Estávamos há muitos, muitos anos a alertar para isto”.

O responsável lembrou como a OPEP estima que são necessários até 18 biliões de dólares norte-americanos de investimento nas atividades de exploração e produção, transporte e armazenamento, e refinação e distribuição, o que equivale a cerca de 700.000 milhões de dólares por ano.

E tudo isto num contexto em que, depois de revisões em baixa nos últimos meses devido à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão no dia 28 de fevereiro passado, agora prevê-se que “a procura deverá crescer este ano em 400.000 barris diários, contra uma estimativa de 1,4 milhões de barris diários no início do ano”.

“No entanto, para sermos justos, esta procura foi adiada para 2027, ano em que acreditamos que haverá uma procura acumulada pendente de se materializar. Agora situamos o crescimento da procura para 2027 em 1,7 milhões de barris diários”, concluiu.