Quando o sorteio das duas rondas de qualificação para o Mundial saiu, sobravam também duas garantias em relação às ambições nacionais: 1) dentro do leque de possíveis opositores no primeiro playoff, após ganhar o grupo B3 que permitiu recolocar a Seleção entre as 16 melhores europeias com o regresso à Liga A, a Irlanda do Norte não era a mais acessível mas era uma das mais acessíveis; 2) dentro dos possíveis cruzamentos na ronda decisiva, neste caso com conjuntos que ocupam rankings FIFA acima do nacional, a Islândia também não era o opositor teoricamente mais complicado – mesmo partindo com o ligeiro favoritismo que pertencia às islandesas. O que faltava? Passar essa primeira eliminatória. E tudo estava bem encaminhado.

Da mesma forma como a Islândia ganhou fora por 4-0 à Croácia, Portugal conseguiu o mesmo resultado em Larne, com uma meia hora que praticamente decidiu o encontro com golos de Telma Encarnação e Jéssica Silva além de um autogolo. Ainda assim, Francisco Neto, selecionador nacional, colocava a tónica na mesma ideia: nada estava ainda ganho. “Refletimos sobre o jogo, tivemos um dos encontros fora onde fomos mais competentes, gostei da expressão que usou a Tatiana [Pinto] de que fomos mais sólidos e amanhã [terça-feira] teremos que repetir. É uma responsabilidade nossa. Ser Portugal e representar o nosso país é ver em cada jogo uma oportunidade de sermos melhores”, apontara na antecâmara da partida.

“Estamos no intervalo da eliminatória. Queremos ter competência suficiente para finalizarmos as coisas nos próximos 90 minutos, é essa a nossa ambição e foi para isso que temos vindo a falar com as jogadoras. A Irlanda do Norte virá à procura de uma coisa diferente. Não sou treinador da Irlanda do Norte mas achamos que podem diversificar algumas abordagens técnicas que puseram em prática connosco ou podem ir no caminho de olhar mais à frente e começar a preparar as jogadoras mais novas para o futuro. Acredito que irão numa fase inicial tentar perceber o que o jogo vai dar, ser mais agressivos e fazer pressão alta, ir à procura de algum golo. Temos de nos preocupar connosco e não permitir esse tipo de situações, jogando com a mesma concentração e rigor do último jogo”, acrescentara o técnico nacional antes do jogo.

Portugal tinha um pé e meio (ou até mais) no playoff final de qualificação para o seu segundo Mundial de sempre, depois de uma presença na fase final de 2023, na Austrália e na Nova Zelândia, que só não deu para mais porque a Seleção teve uma bola no poste à beira do fim diante dos Estados Unidos (que poderiam assim ter ficado eliminados). No entanto, faltava esse passo, mais ou menos pequeno, para o mais do que provável duelo com a Islândia, naquela que seria também uma oportunidade para fazer experiências em jogo.

No arranque, as várias alterações promovidas acabaram por não ter impacto, com Portugal a ter algumas aproximações com perigo mas sem oportunidades flagrantes e a Irlanda do Norte a aproveitar uma das raras incursões até à área nacional para inaugurar mesmo o marcador por Kess Elmore (30′). No entanto, seria uma questão de tempo até imperar a lei do mais forte, com Carolina Santiago a empatar em cima do intervalo na recarga a um primeiro remate ao poste (45′), Jéssica Silva a marcar o 2-1 depois de uma grande arrancada de Telma Encarnação descaída sobre a esquerda (74′) e Carole Costa a fechar o 3-1 final na marcação de uma grande penalidade (83′). Estava confirmada mais uma vitória diante das britânicas, estava confirmado o playoff 2 frente à Islândia, que voltou a golear em casa a Croácia agora por 5-0.