O líder do PS foi esta noite claro sobre a necessidade de uma “remodelação na Administração Interna”. No meio de mais uma polémica a envolver o ministro Luís Neves, com a saída intempestiva do secretário-geral do MAI, José Luís Carneiro surge a dizer que não vê como “o primeiro-ministro possa tomar uma decisão que não seja a remodelação na Administração Interna.”
Numa entrevista à RTP, Carneiro dramatizou o caso, ao dizer que o país não pode “continuar com um dos mais importantes ministérios de soberania a viver esta intranquilidade” e que “é insustentável a situação de intranquilidade e instabilidade permanente no Ministério da Administração Interna”.
O líder do PS considera que a situação tem “efeitos nocivos na confiança dos cidadãos nas instituições democráticas”. Os socialistas chamaram ao Parlamento, com carácter de urgência, o ministro e o ex-secretário-geral do MAI, Ricardo Carrilho.
Viver em duodécimos “seria impensável”
Numa altura em que já confirmou que vai propor à Comissão Política Nacional do PS a viabilização do Orçamento para o próximo ano (o órgão de direção que tem de validar esta decisão), Carneiro afirmou que “seria impensável” o país viver em duodécimos no atual momento, apontando o risco da conjuntura internacional e da pressão desta sobre a economia.
E desliga o PS de uma crise política. Não só garante que o partido “não estará na origem de qualquer crise política”, como também assegura que as propostas que levará à especialidade “serão sustentáveis do ponto de vista orçamental”.
Neste capítulo diz que o PS vai ter como prioridade “responder ao custo de vida”, voltando às propostas que já apresentou por considerar “insuficientes” as propostas que o Governo aprovou. Mantém mesmo a defesa do IVA zero no cabaz alimentar e as propostas para baixar a fiscalidade sobre os combustíveis.
Assegura já ter contas feitas às propostas que quer introduzir na especialidade e defende que se use a verba que vier a ser recuperada da cobrança fiscal: “Se tivermos outra eficácia em cobrança fiscal, se formos para os níveis de 2023, vamos conseguir ir buscar 1.300 milhões de euros de receita ativa não cobrada por parte da máquina fiscal.” Já à direita do PSD, diz que vê “grande irresponsabilidade” nas propostas e que se as propostas de alteração que apresentou no último OE tivessem sido aprovadas, o país “já estava na bancarrota”.
Ainda deixou uma reforma em carteira, prometendo abrir esse debate no Parlamento à margem do Orçamento: a revisão da fórmula de cálculo das pensões. A lógica defendida por Carneiro é substituir os bónus que têm sido dados no final do ano — e que classifica de “esmolas” — por um aumento permanente. Na ótica do líder do PS, é importante pensar na revisão da fórmula, para que venha a atualizar pensões em função da inflação e que, em função do crescimento, passe a existir uma discriminação positiva das pensões mais baixas.
Na entrevista, o líder socialista ainda foi confrontado com a entrevista dada este domingo por Pedro Passos Coelho e a defesa que o antigo primeiro-ministro fez de um acordo com o Chega. “Isso é para andar para trás, para o tempo dos três Salazares”, comentou.
Também disse ser “bom que personalidades como Passos Coelho possam dar o seu contributo”, admitindo que o social-democrata “sinta que a sua voz não está a ser respeitada por quem está no Governo”. Mas também disse que Passos “não tem uma ideia nova para o futuro do país” e que “é importante que alguém que tem contributo para dar para o futuro do país não esteja concentrado no passado”. “Era importante ouvir Passos Coelho, não como alguém que vem ao seu oráculo pronunciar-se sobre a vida política, mas também poder falar sobre o futuro do país”, atirou.
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]