O Metropolitano de Lisboa vai estar encerrado esta quarta-feira, 14 de outubro, devido à greve convocada por seis estruturas sindicais representativas dos trabalhadores da empresa. A paralisação começa às 5h00 de quarta-feira e termina às 5h00 de quinta-feira, dia 15, com o serviço a ser retomado às 6h30, segundo um aviso publicado no site oficial do metro.

Os sindicatos mantêm a greve por considerarem que continuam por resolver problemas relacionados com a falta de trabalhadores, os atrasos nos processos de recrutamento e formação e o recurso continuado a trabalho suplementar e ao prolongamento de turnos. As estruturas sindicais denunciam, em comunicado, a “ausência de respostas efetivas para situações de pressão e condicionamento” dos trabalhadores.

Após uma reunião realizada na segunda-feira, a pedido da empresa, o conselho de administração reiterou que o acordo de 13 de abril (compromisso assinado entre a administração do Metro e os sindicatos para reforçar o pessoal, calendarizar novos recrutamentos e melhorar as escalas de serviço) está a ser cumprido e considerou a greve “desproporcionada”, apelando à sua desconvocação. No entanto, as estruturas sindicais entendem que continuam a faltar respostas e medidas concretas para resolver os problemas identificados, pelo que decidiram manter a paralisação.

Metro sem serviços mínimos. Relação diz que paralisação é menos intolerável do que a de outros meios (e deu força à decisão para esta greve)

O acordo de 13 de abril tinha permitido suspender uma greve marcada para o dia seguinte. Na altura, previa compromissos relativos ao preenchimento dos postos de trabalho, à abertura de processos de seleção, à formação de encarregados e inspetores e ao respeito pelas escalas de serviço. Contudo, segundo os sindicatos, “apenas alguns dias depois, as Organizações Sindicais voltaram a alertar o Conselho de Administração para situações que contrariavam o entendimento alcançado”.

Os sindicatos exigem, de acordo com o comunicado, o cumprimento integral do acordo, o reforço dos quadros do Posto de Comando Central (PCC) e da área da Tração, o respeito pelos períodos de descanso e a reposição das funções das chefias da Direção de Operações. Reivindicam ainda medidas para prevenir situações de pressão sobre os trabalhadores e prazos concretos para cumprir os compromissos assumidos.

O Tribunal Arbitral decidiu não fixar serviços mínimos de circulação durante a greve. Determinou, contudo, a manutenção dos serviços necessários à segurança e à conservação dos equipamentos e instalações, através de três trabalhadores no Posto de Comando Central: preferencialmente, um inspetor de movimento, um encarregado de movimento e um encarregado da sala de comando e de energia.

A decisão, tomada por unanimidade a 10 de outubro, estabelece ainda que os trabalhadores que aderirem à greve só podem ser chamados a assegurar estes serviços se não for possível garantir os serviços mínimos com trabalhadores não aderentes.

Metro de Lisboa garante disponibilidade para negociar com sindicatos

O Metropolitano de Lisboa considera que a greve dos trabalhadores é “desproporcional e desajustada” e garante que mantém a disponibilidade para negociar com os sindicatos. Em comunicado enviado às redações, a administração garante que apresentou “soluções de compromisso” nas reuniões com os sindicatos após o acordo de 13 de abril, incluindo propostas de recrutamento e formação, alteração de horários e gestão das escalas de trabalho, para resolver problemas que, segundo a empresa, se arrastam desde 2019.

A administração destaca ainda a redução dos pagamentos pelo trabalho suplementar no Posto de Comando Central e nos Postos de Tração. Entre abril e setembro de 2024 e de 2025, o valor foi de 372 mil euros, enquanto no mesmo período de 2026 foi de cerca de 53 mil euros.

Sobre as alegações de assédio laboral por parte de chefias, o Metro afirma ter uma política de “tolerância zero” perante estas situações. No entanto, sustenta que as denúncias foram feitas “de modo genérico e sem indicação de quaisquer factos concretos” e que não foram utilizados os canais internos disponíveis para apresentar queixas. A empresa acrescenta que, perante a gravidade das acusações, não hesitará em recorrer aos “mecanismos inspetivos ao seu dispor”.

Por fim, o Conselho de Administração reafirma “a disponibilidade para prosseguir o diálogo” com os sindicatos e “encontrar soluções” que garantam os direitos dos trabalhadores, a segurança dos passageiros e a continuidade do serviço público.

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