Era um encontro que tinha tudo para recentrar o mais importante: estádio cheio, a possibilidade de vencer com uma exibição que espantasse todos os fantasmas que se tinham criado, um cenário que permitisse fazer as pazes entre jogadores nucleares como Vinícius Jr. ou Kylian Mbappé com os adeptos. Ao invés, e depois do final da receção ao Villarreal, sobrou apenas uma nota positiva: a vitória. E numa fase mais complicada em termos de calendário, não só na La Liga como na Champions, o Real Madrid chegava sob pressão a Roma para o esperado reencontro de José Mourinho com os giallorossi em pleno Olímpico já depois de ter defrontado uma antiga equipa, neste caso o Inter, no arranque da primeira fase da Liga dos Campeões (2-1).

Mourinho andou a correr pelo campo mas teve tudo menos festa: Real vence mas Vinícius Jr. entra e é expulso

Aliás, bastou perceber os temas da conferência de imprensa de antevisão para se perceber que havia muito ainda da última partida na mente. Yan Diomande estreou-se a marcar pelos merengues mas, de resto, nada foi positivo: Vinícius Jr. saiu do banco para marcar num lance que seria anulado e motivaria a expulsão do brasileiro (que deve falhar o clássico com o Barcelona daqui a uma semana e meia), Mbappé não conseguiu o golo que tanto procurou, Courtois voltou a ser determinante a segurar o triunfo após o assédio final feito pelo Villarreal, o Santiago Bernabéu despediu-se da equipa com assobios. Mourinho sabia que o cenário não era fácil mas tentava esvaziar a pressão extra sobre o conjunto de Madrid apontando de novo às arbitragens.

“Comentários sobre o jogo com o Villarreal? Nada, nada… Agora é jogo de Champions. Não tenho nada a comentar sobre o jogo da Liga”, referiu numa primeira instância, na primeira presença em conferências após o encontro depois de ter falhado a presença no final da última partida. “Já disse ao seu colega que não queria comentar mas vou tentar fazer com que esta seja a última vez. Convido-vos a assistirem apenas ao primeiro minuto do jogo contra o Villarreal. Se quiserem, no sábado comentamos. O primeiro minuto é suficiente para quem entende do assunto”, acrescentou mais tarde, arrumando o assunto com uma “farpa”.

Já passei por todo o tipo de situação. A única coisa que me faz torcer o nariz é quando se sabe o nome do árbitro, que deveria ser divulgado 24 horas antes, com umas três semanas de antecedência. É a única coisa que me incomoda. Tirando isso, estou confiante e espero que tudo corra bem para as três equipas. Não tenho nenhum sentimento negativo”, comentou Mourinho.

Já em relação ao regresso a Roma, o técnico português desfez-se em elogios sobre um período que deixou saudades e uma marca positiva nos adeptos, como se foi percebendo na antecâmara da partida. “O carinho que recebi aqui é porque sempre fui eu mesmo. Os interesses dos adeptos e dos jogadores estão sempre acima dos meus e as pessoas valorizam isso. Se os fazes felizes ganhando algo, é ainda melhor. Aqui não vencemos a Champions, mas jogámos duas finais europeias e trouxemos uma Liga Conferência para casa. Não escondo o facto de que os adeptos da Roma são especiais. Trataram-me bem em muitos clubes mas estas pessoas são realmente especiais. Para mim, seria melhor vir aqui não como adversário. Durante 90 minutos somos adversários mas se quiserem dar-me uma saudação especial, também gostaria de abraçar os adeptos da Roma. Vou tentar controlar-me”, salientou, sem deixar de apontar à vitória no Olímpico.

Do outro lado, Gian Piero Gasperini, agora treinador da Roma, admitia a marca que Mourinho tinha deixado no clube entre uma “farpa” irónica sobre o português, apoiando-se numa campanha ainda sem derrotas para manter a ambição de chegar ao primeiro triunfo na Champions. “É justo que haja essa homenagem a Mourinho. Havia um profundo carinho por ele e merece todo o reconhecimento possível. São sentimentos que as pessoas têm e que não podem ser contidos. Os resultados dele falam por si, ele é um dos treinadores mais vitoriosos de todos os tempos. Roubaria a empatia dele e a sua capacidade de fazer com que os clubes gastem dinheiro e contratem jogadores extraordinários”, referiu o italiano na antecâmara de um dos jogos grandes desta jornada da Champions, onde um triunfo era fulcral para os dois conjuntos.

Num jogo marcado pelas muitas homenagens do Olímpico a Mourinho, que foi acenando de forma muito emocionada para o topo onde se concentram as claques dos giallorossi, tudo parecia encaminhado para um novo revés para o Real. Com Vinícius Jr. a ser aposta inicial apesar da expulsão com o Villarreal, De Roon inaugurou o marcador (20′) mas Kylian Mbappé conseguiu empatar ainda antes do intervalo depois de uma assistência de Diomande (25′). Problema? Malen, um dos avançados com melhor início da temporada, bisou apenas em seis minutos, num dos golos após passe de Rodrigo Mora que substituiu Paulo Dybala no início do segundo tempo (51′ e 57′). A primeira derrota na Champions parecia estar certa para os espanhóis.

Foi aí que Mourinho começou a procurar novas soluções do banco, trocando numa primeira instância Vini Jr. e Dumfries por Arda Güler e Endrick e esgotando depois as alterações com as entradas de Bernardo Silva, Álvaro Carreras e Carlos Espí. Todas as apostas foram em cheio: o avançado espanhol reduziu a desvantagem a sete minutos do final, Endrick empatou pouco depois com a segunda assistência de Güler (85′) e Rüdiger, em cima do minuto 90, carimbou a reviravolta na noite em que Mourinho voltou a ser Special One.

[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]