Mais uma vez, a retoma adiada. O AC Milan até foi mostrando que era melhor do que o Sassuolo. Conseguiu criar várias oportunidades que nunca tiveram a conclusão que pediam, controlou a partida, teve muito mais posse. Só faltava mesmo aquele golo que conseguisse desbloquear a partida e que apareceu por Adrien Rabiot após assistência de Luka Modric. O mais complicado estava feito, o mais “fácil” viria a ser afinal o difícil da história: os rossoneri não conseguiram segurar a reação da equipa da casa, sofreram pouco depois o empate e arriscaram mesmo a perder a partida. Olhando para a classificação, não havia (ainda) razões para alarme. No entanto, e em seis partidas realizadas na Serie A, tinha três vitórias mas também três empates.
Mais do que nas análises feitas após a derrota com o Benfica, na pior série da época para o AC Milan, esses sinais de “preocupação” até surgiram mais na sequência da igualdade com o Sassuolo. Segundo o Gazzetta dello Sport, Gerry Cardinale, dono do clube, deixava sinais de impaciência por quatro problemas específicos: concentração para evitar a retoma do adversário no jogo, experiência para ter outro tipo de liderança em campo para essas fases mais exigentes da partida, pouca capacidade de criar chances de golo em comparação com a percentagem de posse que a equipa consegue e definição de uma verdadeira identidade, tendo em conta as variações até de sistema tático que tem mostrado entre o habitual 3x4x3 e uma linha a quatro.
Apesar de todo esse “ruído”, Ruben Amorim fazia questão de passar ao lado de tudo. Após ter acabado o jogo com o Sassuolo a dizer que preferia ter perdido se ganhasse os jogos seguintes em vez de manter o registo sem derrotas, o técnico apontava baterias ao primeiro triunfo na Liga Europa depois da entrada em falso na receção ao Benfica. As alterações na equipa eram inevitáveis, a necessidade de chegar à vitória também.
“O Salzburgo é uma equipa rápida e de qualidade, com jogadores habituados a vencer. Vai ser difícil. Mexidas na equipa? Assumo os riscos das mudanças na equipa titular. Os jogadores devem estar calmos. Críticas por ter apenas uma vitória nos últimos cinco jogos? Acho que é normal num clube de topo. Se não venceres, fica difícil. Tenho trabalho a fazer, por isso o ruído deixo para os outros”, comentou antes do jogo, falando ainda do encontro que teve com Gerry Cardinale. “Foi um dia normal. Falámos sobre o futuro”, referiu. “Não sou o Mozart, mas sim uma pessoa com ideias claras”, fez questão de acrescentar ainda Ruben Amorim, numa pergunta feita a propósito da cidade que recebia o jogo, onde nasceu Wolfgang Amadeus Mozart, e de uma frase do antigo técnico italiano Arrigo Sacchi: “A orquestra é mais importante do que os músicos”.
A revolução esperada aconteceu mesmo, o resultado desta vez não podia ser melhor: o AC Milan foi melhor, dominou, soube concretizar as oportunidadese saiu para o intervalo com uma vantagem confortável numa das exibições mais afirmativas dos rossoneri desde a chegada de Amorim. Mantendo a analogia musical, a orquestra funcionou mas teve um músico acima de todos os outros: Cissé inaugurou o marcador num desvio de cabeça na área apos cruzamento de Hutchinson do corredor direito (15′), viu o bis ser adiado logo a seguir com um corte em cima da linha após defesa de Zawieschitzky a remate de Loftus-Cheek (17′) mas marcou mesmo o 2-0 ainda no primeiro tempo na sequência de uma grande variação de jogo de Rabiot para a esquerda onde apareceu Bartesaghi a fazer a assistência para o desvio de primeira do jovem italiano (32′).
Apesar de ter trocado oito unidades em relação à partida com o Sassuolo, mantendo apenas na equipa Mike Maignan, Pavlovic e Rabiot, o AC Milan ia dando conta do recado e teve também a felicidade de marcar nos momentos certos, com Cissé a chegar ao hat-trick logo no arranque da segunda parte com um desvio na pequena área após assistência de Rabiot (49′). Tudo estava decidido, com a orquestra rossoneri a aproveitar para se soltar de todas as amarras e fantasmas e partir para um triunfo convincente que teve ainda mais um golo de Gonçalo Ramos, que substituiu Camarda aos 60′ e demorou menos de 15 minutos para marcar o segundo golo pelo AC Milan, que ainda viu Terracciano ser expulso nos minutos finais (84′).
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]