Mais de duas dezenas de estudantes albaneses ficaram feridos e mais de 20 foram detidos após confrontos com a polícia na capital da Albânia durante um protesto para exigir a demissão do primeiro-ministro, Edi Rama. A polícia utilizou gás lacrimogéneo e canhões de água contra as centenas de estudantes que protestavam frente ao edifício do Ministério da Educação, em Tirana, numa manifestação contra o Governo e em que pediam também melhores condições de ensino na Albânia.
De acordo com os repórteres da agência France-Presse (AFP), os manifestantes atiraram pedras e partiram janelas do Ministério da Educação, derrubaram uma vedação e incendiaram painéis publicitários. Há informação sobre um incêndio que deflagrou esta quarta-feira em dois andares do edifício do Ministério da Educação da Albânia, após o lançamento de ‘cocktails molotov’ por estudantes que protestavam contra os custos da educação e a deterioração das instalações escolares.
Segundo os meios de comunicação locais, 23 manifestantes foram detidos e vinte ficaram feridos.
A polícia disse à AFP que um grupo de manifestantes cometeu atos de violência, danificando a vedação e o portão ao tentar entrar no pátio do edifício governamental. O ministro do Interior (correspondente ao Ministério da Administração Interna), Ervin Demo, pediu calma a todos os participantes afirmando que a violência é injustificável.
A guard post at Albania’s Education Ministry catches fire as students clash with police during protests in Tirana over corruption and conditions in education. pic.twitter.com/93KQdcK9fO
— Al Arabiya English (@AlArabiya_Eng) October 14, 2026
As tensões ocorreram após mais de quatro meses de protestos antigovernamentais, desencadeados por um projeto turístico de luxo ligado à família do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Desde o final de maio que os manifestantes se opõem a um projeto de construção de um hotel de luxo numa reserva natural na costa albanesa.
O projeto está diretamente ligado à filha de Donald Trump, Ivanka, e ao marido, Jared Kushner. A iniciativa gerou acusações de alegada corrupção e falta de transparência.
Student protests in Albania turned violent on Tuesday, as demonstrators smashed shops and rioted while police used tear gas to disperse the crowd.
Students joined anti-government movement Flamingo which is demanding resignation of prime minister Edi Rama following corruption… pic.twitter.com/cVWbFsf1ic
— The Associated Press (@AP) October 14, 2026
Total chaos in Tirana, Albania on the second day of riots as protesters attempted to storm the Parliament and Prime Minister Edi Rama’s office, shortly after storming and setting fire to at least three ministries. The protesters, mainly students, are demanding PM Rama’s… pic.twitter.com/1HM1Ipq4mj
— Xhemajl Rexha (@xhemajl_rexha) October 14, 2026
“O protesto é um direito legítimo, mas não pode ser usado como justificação para a violência”, diz vice-primeira-ministra
A vice-primeira-ministra, Albana Kociu, reconheceu o direito de protestar, mas pediu aos estudantes que se abstenham de cometer atos de vandalismo e de recorrer à violência, e denunciou os “interesses políticos” por detrás destas manifestações.
“O protesto é um direito legítimo, mas não pode ser usado como justificação para a violência, a destruição da cidade ou confrontos horríveis no meio da rua”, disse, numa mensagem publicada na rede social Facebook.
De acordo com o albanês Shekulli, os manifestantes também causaram danos no edifício do parlamento. No Facebook, Niko Peleshi, presidente do parlamento albanês, partilhou um vídeo em que manifestantes atingem o edifício do parlamento. “O facto de o edifício do parlamento e as instituições públicas serem alvo de ataques, bem como a transformação destes em alvos de uma raiva cega, é inaceitável”, escreveu.
“O vandalismo não tem nada a ver com os estudantes nem com o protesto democrático. A violência e a destruição não servem nenhuma causa, mas prejudicam o interesse público e a própria sociedade”, continuou. Apelou “às entidades políticas para que se distanciem dos incitamentos e dos apelos à violência”.
Antes disso, Peleshi publicou uma mensagem no X em que diz que “o protesto é um direito constitucional, mas deve ser exercido de forma pacífica e em respeito à lei”.
“Qualquer ato de violência ou vandalismo é inaceitável e não serve nem ao diálogo, nem ao interesse público”, escreveu. “No nosso caminho para a União Europeia, a responsabilidade, o diálogo e o respeito pela lei são valores que nos devem guiar em toda a circunstância, especialmente neste momento de importância extraordinária para a Albânia.”
[Annie conhece o ministro do Interior de Cuba há muito tempo, mas a paixão que os une é relativamente recente. É justamente nessa altura que Zé Manel, como ela lhe chama, vai ser implicado num dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro. O “Caso Ochoa” envolve droga, fuzilamento, prisão e o narcotraficante mais conhecido do mundo: Pablo Escobar. Já pode ouvir o quinto episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]