Não foi preciso passar muito tempo para que a Cerealis voltasse às compras, desta vez em França, e reforçasse a sua posição e a sua dimensão. No início do ano tinha anunciado uma operação relevante em Espanha.

Esta sexta-feira foi anunciado que a dona das massas Milaneza e Nacional estava em negociações com o fundo de investimento CVC Partners para juntar numa nova empresa o seu negócio e o da francesa Panzani (detida pelo fundo).

A CVC Partners ficará com uma posição minoritária, não especificada, segundo um dos poucos pormenores da operação revelados. Indica-se que o negócio que resultará da combinação das duas empresas está avaliado em 1,8 mil milhões de euros e gerará um volume de negócios consolidado de cerca de mil milhões de euros. E terá cerca de 1.800 trabalhadores. A Cerealis gera receitas de 400 milhões de euros e a Panzani 600 milhões.

O comunicado especifica que o grupo que resultar da fusão vai ter geografia complementar, assim como o portefólio de produtos e conhecimento industrial. A Panzani tem presença em França, Países Baixos e Europa Central, enquanto a Cerealis está em Portugal, Espanha, Chéquia e Polónia.

Apesar de falarem em fusão, indica-se que as duas empresas manterão as operações descentralizadas e preservarão autonomia operacional e industrial. “A Panzani continuará a ser uma companhia francesa, com sede em Lyon, sob a liderança do atual presidente executivo (CEO) Albert Mathieu e a Cerealis manter-se-á uma companhia portuguesa com sede no Porto, sob a liderança da atual CEO Paula Meireles. Pedro Moreira da Silva, atualmente vice-presidente executivo da Cerealis, vai assumir a liderança global do grupo que resulta da combinação”.

Os acionistas da Cerealis, como a família Moreira da Silva, a família Domingues e a Sofina ficarão com participação no novo grupo, tal como a CVC.

Para a conclusão do negócio terão de se concluir as análises regulatórias e a consulta aos órgãos de representação dos trabalhadores.