A manifestação no Porto contra os preços da habitação terminou, na madrugada desta sexta-feira, com uma ordem de desmobilização “imediata”, depois de o movimento ter denunciado a “infiltração de um grupo de extrema-direita”. A decisão foi tomada já depois da 1h00, na sequência de confrontos. Pedro Manuel, um dos porta-vozes do Movimento pela Habitação, acusou pelo menos seis pessoas de se terem infiltrado no protesto, que decorria na Praça D. João I. À Rádio Observador, o responsável afirmou ainda que alguns elementos do grupo teriam facas, informação que a PSP não confirma.

Cerca de 3.500 pessoas manifestaram-se, na noite desta quinta-feira, contra os preços da habitação e exigiram a demissão do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte. O protesto incluiu uma deslocação até aos Aliados, onde alguns manifestantes subiram as rampas de acesso à autarquia. Entre os cartazes, havia várias mensagens críticas ao autarca portuense: “Pedro Duarte, o implacável. Menos bastão, mais habitação”; “Pedro Duarte = Falso hipócrita”; e “Montenegro e Duarte = Cínicos brutos” eram algumas das frases erguidas pelos participantes. Na roda central, foram entoados gritos de protesto e pedidos de demissão do presidente da Câmara.

A denúncia de Pedro Manuel foi feita depois de um confronto entre pessoas presentes na manifestação, que levou ao encaminhamento de uma pessoa para o Hospital de Santo António. Segundo o porta-voz, as pessoas já tinham sido identificadas pela “equipa de segurança” do movimento antes do início da assembleia realizada no local.

“Pelo menos seis membros de extrema-direita” infiltraram-se em protesto no Porto

“Eles [grupo que se infiltrou nos protestos] estavam muito entusiasmados em gritar e em fazer provocações verbais após o fim da assembleia”, afirmou o porta-voz ao Observador, acrescentando que essas provocações passaram a “físicas” e que os elementos do grupo terão avançado contra outros manifestantes, levando a “equipa de segurança” a formar um cordão para proteger as pessoas presentes.

Pedro Manuel acrescentou que, perante esta situação, a organização pediu a desmobilização e alertou a polícia para a alegada presença dos elementos do grupo. “Já avisámos esta situação à polícia”, disse, questionando se as autoridades estavam efetivamente empenhadas em garantir a ordem pública.

“Juntos, em grupo, desmobilizar imediatamente para casa. Foi revertida a decisão”, explicou aos manifestantes Pedro Manuel, pela 01h20. Os manifestantes, que tinham votado permanecer e pernoitar no local, começaram a desmobilizar, apelando a uma nova mobilização para sábado.

PSP diz que não foi encontrada nenhuma arma após revista a 7 pessoas

A Polícia de Segurança Pública confirmou que identificou sete pessoas na noite de quinta-feira. À Rádio Observador, fonte oficial desta autoridade explicou que se tratava de manifestantes que se envolveram em confrontos, sem confirmar se pertenciam ou não a grupos de extrema-direita, como foi denunciado pela organização do protesto.

A mesma fonte confirmou ainda que a PSP realizou uma revista às pessoas identificadas e que não foi encontrada qualquer arma que pertencesse aos manifestantes.