O secretário-geral da Fesap manifestou preocupação com o adiamento para novembro das respostas do Governo às propostas de aumentos salariais e do subsídio de refeição, admitindo protestos sindicais caso não haja avanços.

Em declarações aos jornalistas, no final da segunda reunião com o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e com a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa Garrido, no Ministério das Finanças, em Lisboa, no âmbito do processo negocial anual, José Abraão lamentou a ausência de respostas concretas às reivindicações dos trabalhadores da Administração Pública.

“Saímos daqui hoje […] muito preocupados”, afirmou o dirigente sindical, considerando que a reunião ficou marcada pelo adiamento das decisões sobre matérias de natureza pecuniária, nomeadamente salários e subsídio de refeição, numa altura em que o aumento do custo de vida pressiona os rendimentos dos trabalhadores.

Segundo José Abraão, o Governo indicou que estas questões poderão ter uma resposta na primeira ou segunda semana de novembro, quando as partes voltarem a reunir-se.

A Federação de Sindicatos da Administração Pública (Fesap) pretende que o executivo vá além do que está previsto no acordo em vigor, defendendo medidas que evitem a perda de poder de compra e respondam às dificuldades sentidas pelos trabalhadores.

“Esperamos que o Governo possa ir mais além”, afirmou José Abraão, referindo-se ao subsídio de refeição, cujo aumento previsto de 15 cêntimos considerou insuficiente para fazer face à subida dos preços.

O dirigente sindical salientou ainda que a proposta de aumento do salário mínimo na Administração Pública para 1.050 euros não é exagerada, defendendo que o Governo deve apresentar respostas concretas às reivindicações sindicais.

“Se não houver resposta, certamente teremos que reequacionar tudo aquilo que tem sido a nossa postura até agora”, avisou, acrescentando que os protestos nunca estiveram fora de hipótese e que a federação não deixará de dar voz aos trabalhadores caso estes decidam lutar pelas suas reivindicações.

O secretário-geral da Fesap criticou ainda o adiamento de decisões sobre questões que considera urgentes, sublinhando que os custos com a alimentação e os transportes aumentaram sem que tenha havido uma atualização das ajudas de custo.

Para a próxima reunião, José Abraão espera que o Governo apresente propostas concretas, e não apenas um calendário negocial, que permitam avaliar eventuais melhorias ao acordo existente e evitar a degradação dos salários e a perda de poder de compra dos trabalhadores da Administração Pública.

A Fesap, afeta à UGT, propõe que a base remuneratória na administração pública suba para 1.050 euros em 2027 e uma atualização mínima de 6,5% ou 95 euros para todos os trabalhadores.

A estrutura liderada por José Abraão, à semelhança do ano passado, volta a exigir que o subsídio de alimentação seja aumentado para 10 euros por dia, isento de impostos.

O novo acordo em vigor dita que o subsídio de refeição, cujo valor se situa atualmente nos 6,15 euros, seja aumentado em 15 cêntimos por ano até 2029.

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