O Presidente brasileiro, Lula da Silva, inicia esta segunda-feira a última semana da campanha eleitoral para as presidenciais numa ação no Rio Grande do Sul, estado sulista bastião do ‘bolsonarismo’, para tentar encurtar a desvantagem da primeira volta.
“É muito difícil, muito dura, mas ela é alcançável”, disse à Lusa o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de Porto Alegre, Rodrigo Dilelio, sobre a meta de reduzir a desvantagem de Lula no Rio Grande do Sul de cerca de 1,3 milhões para 800 mil a 900 mil votos.
“Precisamos diminuir desses um milhão e 300, tentar retornar aos 800 mil votos, talvez 900 mil votos”, frisou.
Lula estará esta segunda-feira em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul onde venceu na primeira volta, uma espécie de aldeia gaulesa de Astérix e Obélix que resiste num território dominado eleitoralmente pelos simpatizantes do seu rival, Flávio Bolsonaro.
Na primeira volta a 04 de outubro, Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), obteve 55,64% dos votos válidos no estado, contra 35,73% de Lula, uma vantagem de 1.279.024 votos.
O senador e filho mais velho de Jair Bolsonaro venceu em 455 dos 497 municípios gaúchos, enquanto o Presidente se impôs em 42, entre os quais Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande.
“No contexto de hoje, 2026, ele é um ato de resistência, mas também é preciso considerar que a esquerda aqui, ela é muito consolidada”, disse Rodrigo Dilelio, falando da cidade fundada em 1752 por cerca de 60 casais portugueses açorianos que ali chegaram através do Tratado de Madrid, assinado entre o rei de Portugal D. João V e o espanhol rei Fernando VI para reajustar os limites territoriais entre as colónias na América do Sul.
A mobilização dos abstencionistas é outra das apostas da campanha de Lula da Silva para a segunda volta, agendada para domingo.
Para o dirigente, a degradação do debate político afasta os eleitores menos envolvidos: “a nossa tese é que a maior parte dos que se abstêm são as pessoas que potencialmente poderiam votar no Presidente Lula“.
“Se tu não consegues defender uma posição política, tu implodes o debate e ele torna-se insuportável a ponto de só participarem do debate as pessoas mais mobilizadas”, afirmou.
“Isso se deve a um trabalho muito meticuloso da extrema-direita de implodir o debate político de ideias”, criticou.
“O Presidente Lula vem para energizar, para compartilhar connosco a grande motivação que ele tem para essa reta final”, afirmou Dilelio, que espera dezenas de milhares de pessoas no centro de Porto Alegre, numa concentração do público agendada para o Largo dos Açorianos, no centro da cidade.
O dirigente pretende também alargar o número de vitórias na região metropolitana: “Hoje, no tecido metropolitano de Porto Alegre, nós vencemos somente em duas cidades. Nós queremos vencer no segundo turno em pelo menos mais quatro ou cinco cidades”.
A estratégia insere-se numa expectativa mais ampla da direção do PT de recuperar terreno noutras regiões decisivas onde o Presidente brasileiro também perdeu na primeira volta.
“Em Minas Gerais a nossa expectativa é inverter o cenário, nós vencermos a eleição lá”, disse, apontando também como objetivo diminuir a diferença em São Paulo.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.