Fuzileiros navais moçambicanos abateram três supostos terroristas e detiveram outro numa operação em Mocímboa da Praia, província de Cabo Delgado, anunciou esta terça-feira a Marinha de Guerra de Moçambique (MGM).
Em comunicado, a MGM refere que a ação, no âmbito de uma operação desenvolvida desde 17 de outubro, foi conduzida pelos Fuzileiros Navais, com apoio da Esquadrilha Naval de Pemba, nas zonas marítimas e insulares daquele distrito do norte do país.
De acordo com o relatório operacional citado pela corporação, a operação resultou na morte de três alegados elementos terroristas e na captura de um suspeito, “totalizando quatro elementos colocados fora de circulação”.
As forças moçambicanas apreenderam ainda três armas de fogo do tipo AKM e diversos produtos não especificados, além de terem afundado uma embarcação alegadamente utilizada para apoio logístico aos insurgentes.
A Marinha refere que a operação demonstra a “prontidão operacional dos Fuzileiros Navais” e a coordenação com os meios da Esquadrilha Naval de Pemba no combate aos grupos armados que atuam em Cabo Delgado.
Segundo a corporação, a intervenção contribuiu para a segurança dos espaços marítimos e para a proteção das comunidades costeiras da região. “A Marinha de Guerra de Moçambique mantém o seu compromisso com a defesa da soberania nacional, a segurança marítima e os esforços de estabilização de Cabo Delgado”, acrescenta-se no comunicado.
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Desde outubro de 2017, Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada associada a grupos extremistas ligados ao Estado Islâmico, conflito que já provocou cerca de 6.600 mortos e 1,2 milhões de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.
Em entrevista à Lusa, em Maputo, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, agradeceu em julho aos Estados-membros da União Europeia (UE) pelo apoio a Moçambique no combate ao terrorismo e destacou o papel de Portugal, que liderou a anterior (2022 a 2024) Missão de Formação Militar da UE em Moçambique (EUTM-MOZ) e lidera a atual (desde 2024) missão de assistência militar EUMAM MOZ, que foi prorrogada, em maio, por mais seis meses, até final do ano.
“Terminámos a fase do apoio, no primeiro acordo, e agora estamos numa fase de negociação para a extensão, pelo menos por mais de dois anos, porque achamos que é extremamente importante”, afirmou o chefe de Estado moçambicano.
A anterior EUTM-MOZ formou, em dois anos, mais de 1.700 militares comandos e fuzileiros moçambicanos, atualmente integrados em 11 companhias de QRF destacadas para o combate à insurgência em Cabo Delgado.
O Conselho da União Europeia prorrogou em maio o mandato da EUMAM MOZ por mais seis meses, até 31 de dezembro de 2026. O objetivo é continuar os programas de capacitação das FADM, particularmente das Forças de Reação Rápida, incluindo formação, logística e manutenção.
Desde setembro de 2024, a EUMAM MOZ implementou mais de 40 programas de capacitação, envolvendo cerca de 1.200 militares moçambicanos. A missão, liderada por Portugal, conta com mais de 80 militares e civis de 11 Estados-membros da UE e da Sérvia.