Portugal não vai atingir este ano a meta imposta pela União Europeia para a reciclagem de embalagens de vidro, reconheceu esta quarta-feira a presidente executiva da Sociedade Ponto Verde (SPV), Ana Trigo Morais.

“Infelizmente, não vamos chegar à meta”, que é reciclar 65% das embalagens de vidro recolhidas pelo Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE), disse a responsável em declarações à agência Lusa.

Ana Trigo Morais falava no final de uma visita de trabalho às instalações da empresa intermunicipal Ambilital, sediada em Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal.

De acordo com a presidente da SPV, o não cumprimento das metas de reciclagem de embalagens de vidro em Portugal deve-se, “sobretudo, à falta de investimento na recolha”.

E concretamente numa “recolha mais dedicada para a produção de resíduos fora de casa, o que acontece nos hotéis, na restauração, nos cafés, que precisam que a recolha seja pensada para dar resposta à quantidade de vidro que produzem no final do dia”, frisou.

Por isso, continuou, “para Portugal cumprir metas já sabemos todos como é que se faz”.

“Uns [sistemas de gestão de resíduos] já estão a fazer mais depressa, os outros precisam de fazer mais depressa para cumprirmos as metas de reciclagem”, afirmou a CEO da SPV.

Na visita de trabalho às suas instalações, a Ambilital deu a conhecer os resultados da estratégia implementada na sua operação desde 2023.

“A grande transformação que a empresa teve nestes últimos anos, acima de tudo, foi um compromisso que os municípios assumiram em querer cumprir as metas [europeias] e apostar nisso”, disse à Lusa o diretor-geral da Ambilital, Carlos Teles.

Segundo o gestor, esta transformação está a ser feita em duas vias: “Tanto por via dos investimentos, mas também ao nível dos recursos humanos, em que tivemos um grande incremento”.

Entre 2023 e 2025, a Ambilital investiu cerca de 16,3 milhões de euros, montante a que se juntam mais 11,8 milhões este ano e perto de 20,6 milhões previstos para 2027.

A par do investimento, a empresa reforçou a sua equipa, tendo passado de 55 colaboradores, em 2022, para 176, em 2026.

Ao nível do volume de negócios, a empresa tem registado um crescimento, passando de quatro milhões de euros, em 2022, para uma previsão de 10,7 milhões de euros, no final deste ano.

Em 2030, a empresa prevê registar uma faturação na ordem dos 14,8 milhões de euros, tratando 80 mil toneladas de resíduos e contando com 210 colaboradores.

Entre as metas a alcançar até esse ano estão igualmente uma taxa de deposição em aterro inferior a 10% e uma taxa de preparação para reutilização e reciclagem de 55% do total dos resíduos urbanos.

A Ambilital é a responsável pela gestão do sistema integrado de recolha, tratamento e valorização dos resíduos urbanos nos concelhos de Aljustrel, Ferreira do Alentejo e Odemira, todos no distrito de Beja, assim como nos de Alcácer do Sal, Grândola, Santiago do Cacém e Sines, no de Setúbal.

Estes municípios integram a AMAGRA — Associação de Municípios Alentejanos para a Gestão Regional do Ambiente.

A empresa serve cerca de 136 mil habitantes, numa área total de 6.415 quilómetros quadrados.