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O ministro das Infraestruturas e Habitação considerou que o presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) fez esta sexta-feira as declarações “necessárias e suficientes” para esclarecer as afirmações sobre os jovens e o problema da habitação.

“Ainda ontem [quinta-feira] pedi esclarecimentos ao presidente do IHRU e esta sexta o presidente do IHRU, numa declaração pública, retratou-se, contextualizou as suas declarações e, mais importante que tudo, pediu desculpa aos jovens e a estas gerações”, disse Miguel Pinto Luz, na Guarda.

O ministro falava à margem da inauguração do Porto Seco, no terminal ferroviário de mercadorias da cidade, concessionado à APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo.

Para Miguel Pinto Luz, as declarações de Benjamim Pereira foram as “necessárias e suficientes – mas não diminuem a gravidade do que foi dito – para contextualização” das afirmações que o responsável do IHRU proferiu na quinta-feira, em Vila Nova de Gaia.

“Do meu ponto de vista, estão reunidas as condições para prosseguir o trabalho que o IHRU tem que fazer”, considerou.

O governante reiterou que as declarações do presidente do IHRU “foram infelizes e não traduzem a posição do atual Governo, que é muito clara”.

“Queremos reter talento, reter os jovens e temos a noção clara e absoluta do esforço coletivo que toda uma geração está a fazer para aceder à habitação. É um drama social nacional”, afirmou aos jornalistas.

Miguel Pinto Luz acrescentou que o Governo tem “respeito absoluto por quem se manifesta” e admitiu que a habitação é “um problema nacional” em que o executivo “tem vindo a trabalhar de forma afincada nos dois últimos anos”.

“O IHRU entregou 31.700 casas em agosto, pretendo entregar, em conjunto com os municípios, 40.000 casas até ao final do ano e 50.000 em 2027. É para isso que todos estamos a trabalhar”, indicou.

Além disso, recordou que “mais de 129.000 jovens acederam à habitação através da aquisição de casa com isenção de IMT e imposto de selo, 40.000 jovens acederam à garantia pública e há ainda o IRS jovem”.

“Temos uma política direcionada precisamente para esta geração, uma geração que foi convidada a sair por não ter condições e que nós, este Governo, está a fazer todos os esforços para reter este talento”, afirmou.

O governante defendeu que “o país não pode investir em gerações atrás de gerações e depois perder essas gerações para o estrangeiro”.

Instado pelos jornalistas sobre se Benjamim Pereira tem condições para continuar no cargo, o ministro respondeu que o presidente do IHRU está “em plenitude de funções e tem o mandato para concluir a obra que tem que concluir, que é urgente”.

“Já ultrapassou os limites do que tinha que fazer em agosto, eram 26 mil casas, como sabe atingimos perto de 32 mil e tencionamos, temos essa meta, atingir as 40 mil no final deste ano e 50 mil no final de 2027. Esse é o objetivo”, sublinhou.

Para Miguel Pinto Luz, “só há uma forma de combater o problema da habitação, é com mais oferta. Numa primeira fase, oferta pública, numa segunda fase, oferta privada”.

“No entretanto, temos de ajudar aqueles que mais precisam, com mais apoio às rendas, e este Governo está a investir mais do que qualquer outro desde o 25 de Abril, com mais apoio aos jovens para a aquisição de casas, com mais investimento em habitação e é isso que vamos continuar a fazer”, concluiu.

O presidente do IHRU, Benjamim Pereira, admitiu esta sexta-feira que expressões que utilizou sobre a capacidade de sacrifício dos jovens foram infelizes, esclarecendo que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.

“Aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei”, diz presidente do IHRU após polémica

“Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor”, afirmou o responsável, numa nota de esclarecimento.

Benjamim Pereira esclareceu ainda que “em momento algum disse que os jovens não tinham dificuldades ou que não estavam a sofrer consequências com a carência de habitação”.

“O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria”, acrescentou.

O presidente do IHRU destacou ainda que, quando falou dos portugueses que se sacrificaram para ter casa, foi “com tristeza” e “não com algum tipo de saudosismo”, considerando que “não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora”, pois tal significaria que o país em nada tinha conseguido melhorar em mais de 50 anos de democracia.

“Muito menos aludi, em momento algum, à emigração. Muito pelo contrário, não tivesse eu sofrido na pele a ausência dos familiares, exatamente nesse contexto de exigência que os forçou a sair”, acrescentou.

O responsável salientou que nas declarações também referiu o respeito “pelo direito de manifestação e a compreensão” pelas exigências dos manifestantes.

Na quinta-feira, em Vila Nova de Gaia, Benjamim Pereira disse não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, disse aos jornalistas.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o responsável do IHRU disse não querer ir “por esse caminho”.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, prosseguiu, e perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, afirmou que não estava “a dizer isso”.