Guitarrada, tecnobrega, cúmbia e música indígena cruzam-se na programação não erudita do ciclo dedicado à Amazónia pela Casa da Música, no Porto, entre 12 e 28 de novembro, percorrendo diferentes sonoridades e geografias daquele território.
“Queremos que as pessoas se sintam a escutar e a viver, a experienciar a Amazónia”, afirmou à Lusa Fernando Sousa, coordenador de programação de música não erudita da Casa da Música, antecipando a diversidade musical da região que vai habitar o Festival Amazónica-Girando Mundos, e que se estende a outras expressões artísticas com exposições, instalações e performances ao vivo.
“É quase como uma imersão”, observou, sugerindo o mergulho do público numa atmosfera cultural que também convida a refletir sobre a importância da Amazónia e sobre os desafios que esta enfrenta.
A programação de concertos arranca em 12 de novembro, na Sala 2, com Emanuel Cordeiro, mestre da guitarrada, género musical paraense, que convida a cantora Euterpe, oriunda de Roraima. Seguem-se os Curcumbia, projeto de influências peruanas e colombianas, que cruza sonoridades como as cúmbias e as xixas.
No dia seguinte, a música indígena do povo Puyanawa, do Acre, chega à Casa da Música através do coletivo Puwewere Puyanawa: “É uma estreia absoluta”, afirmou Fernando Sousa, sinalizando a oportunidade de ouvir ao vivo a música tradicional e ancestral deste povo.
A mesma noite inclui o pianista e compositor Jean Phi Dary, da Guiana Francesa, num projeto que cruza influências amazónicas, jazz, tradições afro-caribenhas e improvisação, e o Gangue do Eletro, grupo de referência do tecnobrega, género associado às festas populares e às aparelhagens da região amazónica.
[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
A programação inclui ainda propostas experimentais com os Ayahuasca Detectives, e atuações de vários DJ (Farofa, Damasound e Selecta Alice), prolongando a diversidade de linguagens musicais e a relação entre as tradições locais e as sonoridades eletrónicas.
No domingo, a cantora Zainara, representante de uma nova geração de artistas amazónicos, nomeada para os Grammy Latinos, antecede Fafá de Belém, nome da música popular brasileira, que regressa a Portugal após 11 anos de ausência.
Para lá dos concertos, a programação de música não erudita integra um ciclo mais vasto inspirado na obra Floresta do Amazonas, de Heitor Villa-Lobos, que a Casa da Música decidiu alargar a outros géneros e expressões artísticas.
“Não só à volta do Villa-Lobos, é certo, com essa inspiração da Floresta do Amazonas, mas percorrer esses caminhos, que não sejam só a música erudita inspirada nessa floresta”, afirmou o responsável.
O percurso identificado como Caminhos da Floresta estende-se assim às artes visuais e a instalações sonoras e audiovisuais, distribuídas pelos foyers e salas da Casa da Música, com acesso gratuito.
Entre as propostas está Telas da Amazónia, exposição do artista plástico e performer José Roberto Aguilar, que fará também uma performance de pintura ao vivo. A instalação Biomusic Vibrations, de um engenheiro português, “transforma em música medições da circulação da seiva nas plantas”, enquanto a dupla paraense Pinko Boto explora, através da escultura, a fauna e a flora da região.
O ciclo inclui também o projeto da dupla Altar Sonoro, que, através duma Jukebox Amazónica, selecionou 30 músicas e outras tantas propostas visuais.
“Não é só a música, mas terá a imagem também associada”, explicou Fernando Sousa, acrescentando que a seleção permite aos visitantes ouvir, ver ou contemplar os conteúdos ao seu próprio ritmo.
O objetivo é aproximar o público de uma realidade cultural que, apesar da sua importância ambiental, permanece muitas vezes distante da experiência quotidiana.
“Só se fala teoricamente, não se experiencia efetivamente o que é que vem dali”, disse Fernando Sousa, defendendo que a música e a criação artística podem contribuir para uma relação mais próxima com a Amazónia, e mais informada também.