O fotógrafo Bruno Pereira Ribeiro venceu a segunda edição do Prémio Narrativa – Fujifilm, com o projeto “Westernmost“, desenvolvido a partir da paisagem da ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, anunciou esta terça-feira a organização.

Constituído por Yael Martinez, Ana Rocha e Mário Cruz, o júri atribuiu ainda duas menções honrosas aos projetos “Secret Garden“, de Tatiana Iartseva, e “Parque“, de David Henriques, segundo um comunicado divulgado pela associação cultural Narrativa.

O projeto vencedor aborda a relação entre a paisagem e a intervenção humana na ilha de Santo Antão, explorando as fronteiras e os contrastes de um território insular através de uma narrativa fotográfica que cruza observação documental e reflexão sobre o espaço.

O vencedor receberá um prémio de 3.500 euros e apresentará “Westernmost” numa exposição individual na Narrativa, em Lisboa, com inauguração prevista para janeiro de 2027, refere, acrescentando que as duas menções honrosas serão também apresentadas ao público numa sessão aberta, no mesmo espaço, embora não tenham sido ainda divulgadas datas.

Os distinguidos – selecionados entre 175 candidaturas – reúnem abordagens distintas à imagem, entre o ensaio social, a fotografia documental e a investigação autoral, “dando conta da diversidade de práticas presentes nesta edição”, indica a Narrativa.

Em “Secret Garden“, Tatiana Iartseva parte da autorrepresentação e do próprio corpo para explorar questões de identidade e aspetos da natureza humana que tendem a ser reprimidos ou rejeitados, recorrendo a técnicas artesanais de impressão com elementos naturais, criando imagens que exploram a transformação da figura e a sua relação com o meio envolvente.

Já “Parque“, de David Henriques, aborda as transformações do Algarve associadas à exploração turística, a partir de um condomínio onde o fotógrafo vive, e cuja história está ligada à sua família há várias gerações.

Este projeto observa a coexistência entre habitação permanente e alojamento temporário, questionando a transformação da identidade dos lugares perante a atividade turística, descreve o mesmo comunicado da organização.

Dirigido a fotógrafos com 18 ou mais anos, o prémio distingue projetos inéditos de fotografia contemporânea, de autores em diferentes fases do percurso artístico.

A Narrativa, associação cultural sem fins lucrativos criada em Lisboa em 2022 como espaço dedicado à fotografia, dispõe de galeria, ateliê e biblioteca de acesso livre.

[Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Na reconstituição dos movimentos dele, a polícia percebe que o advogado nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detetados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suiço. Um deles liga várias vezes para a casa da milionária. Já pode ouvir o terceiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

O projeto nasceu em 2018 como uma masterclass orientada pelo fotógrafo e fotojornalista Mário Cruz, nascido em Lisboa, em 1987, que trabalhou na agência Lusa e na European Pressphoto Agency.

Mário Cruz foi distinguido duas vezes pelo World Press Photo: em 2016, pelo projeto “Talibes: Modern Day Slaves“, sobre a exploração de crianças no Senegal e na Guiné-Bissau, e em 2019, por “Living Among What’s Left Behind“, tendo recebido ainda o prémio Magnum 30 Under 30, em 2015.