As últimas semanas não têm sido fáceis para o Sporting. O calendário aperta, as ausências são muitas, o cansaço começa a apoderar-se da equipa e, pelo meio, os leões tiveram de trocar de treinador. Já com Rui Borges, perderam o segundo troféu da temporada — a Taça da Liga, depois da Supertaça — e, na última semana, caíram em Leipzig na penúltima jornada da fase de liga da Liga dos Campeões (2-1), o que adiou para a última jornada as contas do apuramento, quando o conjunto verde e branco tiver pela frente o Bolonha em Alvalade.

E era precisamente pelo anfiteatro leonino que passou o regresso aos jogos da Primeira Liga, com Sporting e Nacional a enfrentarem-se pela terceira vez, depois de a formação da casa ter levado a melhor na primeira volta (fora, 1-6) e nos quartos de final da Taça da Liga (casa, 3-1). A sorte acabaria por sorrir mais uma vez à turma de Rui Borges.

À procura de alcançar a tão procurada regularidade de resultados — e de exibições —, Rui Borges tinha pela frente a dura tarefa de manter o rendimento da equipa a meio de dois importantes compromissos europeus. Para isso contava desde já com os regressados Matheus Reis, Daniel Bragança e Hidemasa Morita, bem como o “limitado” Viktor Gyökeres, mas tinha de gerir a equipa com pinças, sob pena de voltar a aumentar o boletim clínico.

“Já tive oportunidade de defrontar o Nacional. É uma equipa muito bem organizada. Não se preocupa só em defender, gosta de ser pressionante. Gosta de jogar bem, é competente e competitiva. Em termos ofensivos, tem várias dinâmicas que eu gosto. Amanhã [sábado] provocará algumas dificuldades”, anteviu o técnico leonino.

Ficha de jogo

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Sporting-Nacional, 2-0

19.ª jornada da Primeira Liga

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Iancu Vasilica (AF Vila Real)

Sporting: Rui Silva; Iván Fresneda, Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo (Matheus Reis, 88’); Francisco Trincão (João Simões, 88’), Hidemasa Morita (Zeno Debast, 68’), Morten Hjulmand, Geovany Quenda; Daniel Bragança (Geny Catamo, 60’) e Viktor Gyökeres (Conrad Harder, 88’)

Suplentes não utilizados: Franco Israel; Ricardo Esgaio, Alexandre Brito e Mauro Couto

Treinador: Rui Borges

Nacional: Lucas França; Gustavo Garcia (João Aurélio, 79’), Ulisses, Zé Vitor, José Gomes; Bruno Costa (Daniel Penha, 74’), Matheus Dias, Luís Esteves (André Sousa, 79’); Chiheb Labidi (Paulinho Bóia, 46’), Isaac Tomich (Joel Tagueu, 46’) e Dudu

Suplentes não utilizados: Rui Encarnação; Rúben Macedo, Léo Santos e Arvin Appiah

Treinador: Tiago Margarido

Golos: Trincão (45+1’) e João Simões (90’)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Labidi (18’) e Debast (90+2’)

O Nacional chegava à capital a viver a melhor fase da temporada, com duas vitórias consecutivas, uma delas na receção ao FC Porto (2-0). O bom momento permitiu à equipa de Tiago Margarido respirar fundo e deixar os lugares de despromoção, numa fase em que ficou privada de Soumaré, elemento que tem sido peça chave no meio-campo, por acumulação de amarelos.

“Vamos encarar o próximo jogo com muita ambição. O nosso caminho, felizmente, tem sido de progresso, pois temos conseguido ultrapassar todas as dificuldades que encontrámos. Estamos num bom momento e vamos a Alvalade com muita ambição, com a ilusão de poder conquistar pontos, vincando a nossa identidade e o que temos produzido até agora”, referiu o treinador.

A revelação da ficha de jogo confirmou a rotação implementada por Borges, com Rui Silva a regressar a baliza visto que não está inscrito na Liga dos Campeões, e os “ex-lesionados” Gonçalo Inácio, Morita, Bragança e Gyökeres a entrarem para os lugares que foram de St. Juste, Geny Catamo, Zeno Debast e Conrad Harder. Na formação insular, Margarido foi mais contido e optou apenas por lançar Chiheb Labidi no lugar de Daniel Penha, para lá da troca forçada de Soumaré por Matheus Dias.

Na teoria, as mudanças não alteram o plano de jogo leonino, com Bragança a atuar nas costas de Gyökeres como elo de ligação entre o meio-campo e o ataque e Trincão a regressar ao flanco direito. Como seria expectável, o Sporting entrou dominador e a tentar encontrar espaços perante um Nacional que instalou um bloco de nove jogadores à frente da sua área. A pressão da equipa da casa acabou por não surtir efeito durante praticamente todo o primeiro tempo e só na parte final é que os leões ameaçaram o golo.

A primeira tentativa surgiu de uma perda de bola nacionalista à entrada da área e resultou num cruzamento perigoso de Morita à procura de Gyökeres, valendo a atenção de Lucas França a antecipar-se ao sueco e a cortar o perigo (31′). Do outro lado, o Nacional procurava atacar a baliza de Rui Silva através de rápidas transições, mas o sucesso foi inexistente.

Foi à lei da bomba que os leões desbloquearam a partida, com Trincão a desferir um grande remate de fora da área para o golo, com a bola a entrar no poste mais distante (45+1′). Logo a seguir, Gyökeres apareceu isolado, mas Lucas negou-lhe o golo com uma grande defesa (45+3′). Assim e apesar das dificuldades, o Sporting saiu para o intervalo na frente e cada vez mais líder (1-0).

Para a segunda parte, Tiago Margarido fez duas alterações, apostando em Joel Tagueu, uma ponta de lança mais rápido, e em Paulinho Bóia para o ataque, baixando Bruno Costa para o centro do terreno. As alterações acabaram por equilibrar a partida, com o Nacional a dispor de mais bola no arranque do segundo tempo e a ter as primeiras incursões na área de Rui Silva. Por outro lado, o espaço nas costas da defesa nacionalista começou a aparecer e, ciente disso, Rui Borges lançou Geny Catamo para tentar chegar ao golo da tranquilidade (60′).

Foi dessa forma que Maxi Araújo encontrou espaço para cruzar para um remate de primeira de Iván Fresneda que, por instinto, Lucas França conseguiu parar (63′). Pouco depois foi a vez de Morita ceder o seu lugar a Debast, confirmando-se a falta de preparação dos dois médios para realizarem um jogo completo nesta fase.

Essa entrada permitiu aos leões segurarem o meio-campo numa altura em que o jogo estava mais partido. A equipa conseguiu estabilizar, travou as saídas insulares para o ataque e foi coroada com o segundo golo novamente no fim, com João Simões a estrear-se a marcar na equipa principal dos leões depois de um passe de Geny (90′).

Com esta importante vitória, o Sporting cimentou a liderança da Primeira Liga e aumentou a distância para o segundo classificado que, à condição, pertence ao Benfica. Os leões têm mais seis pontos que o rival lisboeta mas, acima de tudo, são neste momento a única equipa a depender só de si para se sagrar campeã. Na próxima semana há nova receção, desta feita ao Farense.