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INÊS LACERDA/OBSERVADOR

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As pressões abertas de Seguro na Região Centro

Presidente não poupou Governo e até prometeu levar reivindicações a Montenegro já na reunião desta terça-feira. Falou línguas, plantou uma árvore e diz que a democracia "também precisa de sombra".

António José Seguro ainda não tinha começado a agenda oficial das Presidências Abertas quando se deparou com dezenas de manifestantes pediam a reabertura de um troço encerrado da Nacional 2, com um cartaz em letras garrafais: “Presidente. Precisamos de ajuda. Pela nossa sobrevivência.” O Presidente parou de imediato o carro. Primeira paragem, primeira pressão ao Governo. Seguro lembrou, de forma pedagógica, que “não depende” dele a “decisão”, mas que pode “dar voz e apresentar uma reivindicação que é justa.” E prometeu exercer essa pressão ao mais alto nível: “Amanhã mesmo, na reunião semanal com o primeiro-ministro, levantarei essa questão.”

Nem meia hora depois, após uma visita ao Hotel Montanha, em Pedrógão Pequeno, Seguro mantinha a bitola de exigência ao Executivo de Luís Montenegro. O Presidente mantinha alta a pressão: “Venho ouvir para depois falar. O que correu bem, o que correu mal. Os apoios que estão a chegar e os que estão a tardar”. Segunda pressão.

No mesmo discurso, pedia mais velocidade ao Governo: “Pretendo fazer acelerar os apoios para que possam chegar o mais rapidamente possível e estimular a recuperação”. A velocidade é importante, como chegou a comentar durante a visita, porque “há negócios que, se não abrem rapidamente, depois torna-se mais difícil manterem atividade”. Terceira pressão.

É verdade que Seguro fez um esforço por não fazer um ataque permanente ao Governo, dizendo, por exemplo, que “a responsabilidade é do Estado, como um todo”. Em determinado momento, diz que ouviu do proprietário do hotel em reconstrução que os apoios ao lay off e da Segurança Social chegaram, mas os do “Banco do Fomento estão atrasados”. Ora, quem tutela o Banco do Fomento é o ministério da Economia. Quarta pressão.

António José Seguro ainda anunciou que já na próxima semana irá promover “uma reunião com especialistas, a partir dos relatos que tirar desta presidência aberta, para se retirarem ilações e prevenir situações futuras onde o Estado possa dar uma resposta melhor e mais eficaz”. Quinta pressão.

Poliglota, as diferenças para Macron e o homem do Governo fora da guest

António José Seguro visitou depois o Parque de Campismo de Oleiros, onde muitas das estruturas já estão recuperadas. Junto a um riacho, foi abordado por uma imigrante portuguesa em França, que se mostrou agradada com o acesso. “Lá em França quando está o Presidente fecham tudo, nem nos conseguimos aproximar”, comentou. Seguro retorquiu: “Aqui não. Eu gosto de estar com as pessoas”. Junto à imigrante estavam mais duas pessoas e o Presidente tinha conversa de circunstância para ambas: uma delas era de Penamacor, a sua terra (“estamos em todo o lado”), a outra era o marido da imigrante, um francês, com quem Seguro aproveitou para falar na língua de Molière.

Já dentro do Parque, Seguro cruzou-se com uma família de espanhóis. O Presidente, pela proximidade de Penamacor com a fronteira, domina bem a língua e aproveitou para mostrar os seus conhecimentos de castelhano. Aos campistas fez questão de dizer que o rei foi muito amável em ter vindo à sua posse e que a primeira visita de Estado será a Madrid em abril.

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Dali seguiu para o PEPA, o Parque Industrial que tinha visitado na segunda volta da campanha presidencial e onde tinha prometido voltar. Plantou um medronheiro e desafiou os jornalistas e os deputados a fazerem o mesmo. Enquanto regava o que acabara de plantar, foi desafiado dizer se a própria democracia precisa de ser regada, dando uma resposta lacónica: “A democracia precisa sempre de ser bem tratada, regada, apanhar sol, apanhar também sombra”.

Seguro passaria ainda em Vila de Rei para assistir a trabalhos das Forças Armadas na limpeza de uma via ainda obstruída por árvores. E ainda entrou numa casa para ver o bolor. Ao longo das visitas esteve sempre acompanhado pelo coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes. Sempre que um autarca ou um empresário se queixaram de apoios, Paulo Fernandes assumia uma espécie de papel de advogado de defesa do Governo e do próprio trabalho e atirava: “Já lançámos as candidaturas”; “Esse apoio está em análise”.

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Apesar de ter estado ao lado de António José Seguro durante todas essas visitas, o homem apontado pelo Governo para a estrutura de missão não conseguiu ter privilégios especiais. Ao tentar entrar na Casa dos Tetos, sede temporária da Presidência da República durante esta semana, os agentes da PSP no local barraram Paulo Fernandes. Não estava na lista dada pela Presidência da República e teve de procurar outro local. Valeu-lhe a esplanada do café Legenda Medieval, não muito longe dali.

Luís Neves, o (primeiro) ministro presente

Quando as Presidências abertas se tornaram mais fechadas, com reuniões privadas, chegou também a chuva. Depois de uma reunião com os responsáveis pelas comunicações, António José Seguro foi recebido na esquadra da PSP de Tomar e tinha à sua espera o ministro da Administração Interna. Apesar do secretário de Estado do Turismo já ter estado durante a manhã com o Presidente, Luís Neves — que antes de ser governante da AD era visto como alguém próximo do PS — foi o primeiro ministro a participar neste périplo de Seguro.

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Depois da intervenção da manhã, Seguro não falou mais. Amanhã há mais. E é dia de receber Luís Montenegro, que se deslocará de propósito de Lisboa a Tomar para a reunião das terças-feiras.

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