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Ricardo Castelo/Observador

Ricardo Castelo/Observador

Marante: o cantor romântico que também foi craque da bola /premium

Na música é um cantor de amores, no futebol era o número 7 que enchia a ala esquerda do campo de Vidal Pinheiro. Do Salgueiros aos discos de ouro e platina, Marante conta a sua história de êxitos.

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Com o sol atrasado de São Martinho, António Marante recebeu o Observador em casa, no rés-do-chão de um prédio recatado em Fânzeres, Gondomar. “Não gosto de segundos, terceiros, quartos, quintos andares. Se houver algum problema, no rés-do-chão ponho-me a andar daqui para fora num instante!” graceja antes de nos acomodar no estúdio montado no lugar de um quarto.

Foi ali que Marante, isolado por paredes azuis de 10 cm de espessura e munido de guitarras, microfones e mesa de mistura, idealizou muitos dos grandes êxitos de uma carreira que conta já com mais de 40 anos e que ainda está para durar. “Vou cantar e fazer aquilo de que gosto até entender que já não consigo”. Será assim com a música, como o foi com o futebol.

Um susto em Barqueiros, um craque no Salgueiros

António Luís Cortez Marante nasceu a 20 de Agosto de 1948 em Barqueiros, uma freguesia sobre o rio Douro, erigida nas suas curvas com a destreza de um trapezista e distante de Mesão Frio em três ziguezagueantes quilómetros. Lá viveu apenas 6 anos, o suficiente para guardar algumas memórias inapagáveis. “Lembro, então não lembro desse tempo!” enfatiza com gravidade: “Posso dizer que com 5 anos estive para morrer afogado no tanque do meu avô.” – Era fundo?, perguntamos. “Não, eu é que era pequenino”, solta um riso ligeiro que atenua a tragédia que felizmente não aconteceu. Tudo se passou de forma rápida: “Estava a beber água com um amigo, ele era mais alto, desequilibrámo-nos e caímos no tanque”. A água tapava-lhe a cabeça, ao amigo não. “Nisto aparece uma senhora, a D. Angelina, que nos salvou”.

A legenda obrigatória nesta foto: Marante na tropa. É ele, em tronco nu

Esse episódio, bênção milagrosa, acompanhou-o até ao Porto, cidade para onde foi morar com os pais e com a irmã. A mãe era costureira, “e naquela altura as boas costureiras davam dias a trabalhar para as pessoas ricas”. O pai trabalhava na CP, “esteve lá 55 anos”. Ele e a irmã foram para uma escola em Campanhã, “raparigas de um lado, rapazes do outro”, freguesia onde chegou a representar o Desportivo de Portugal. “Subimos de divisão”, recorda referindo-se à época de 68/69. Nas quatro seguintes jogou de águia ao peito, não a Vitória do Benfica, mas a do Velho Salgueiral. “Joguei lá desde os 15”, um ano nos principiantes, outros dois nos juniores e um último como sénior.

O extremo-esquerdo deu nas vistas com o sete às costas, “o número do Ronaldo”, e até chegou a ser convocado para a seleção nacional de juniores, então treinada por David Sequerra. Contudo, uma lesão no joelho obrigou-o a ir para casa mais cedo, “naquela altura não havia recuperações e fui substituído por um jogador do Belenenses”. O destino parecia querer driblar Marante: primeiro a lesão, depois a tropa, mas ele não desistiu da bola. Nos dois anos que esteve em Angola participou no Torneio da Cuca, “o que na altura era equivalente à segunda divisão”: “Jogava no Cazenga, precisamente onde rebentou a guerra colonial”.

Quando falhava um passe ou um golo, cantava Tony de Matos, “o Vendaval”. Aviso para levantar a cabeça e brilhar no lance seguinte, sabia que ninguém mais haveria de rir-se dele. “Cantava para dentro, só para mim”. Aos 28 anos chateou-se com o futebol, pendurou as chuteiras e encarrilou na música, o seu eterno grande amor.

De regresso a Portugal em 1972, ainda fez mais três anos no Salgueiros, ao lado de jogadores como Germano, Santana ou Iúca, as estrelas vindas do Benfica. Ganhava €15 por mês, “o mesmo que o campeão europeu Mário João”, o que na altura dava para viver com algum desafogo. “Em toda a minha carreira segui rigorosamente a disciplina de um profissional.” Treinava todos os dias, deitava-se cedo, controlava o peso, “não podia andar por aí a transportar gorduras”, diz sobre os seus 65 quilos e 1,70 m de altura. “Nós olhamos para o Ronaldo e vemos que é um tipo seco, mas com força e músculos. Eu por acaso era dotado de uma composição muscular muito boa, isto dito pelos massagistas. E isso nota-se até na música, não consigo estar parado em cima do palco.”

A música sempre esteve com ele. Ainda no Salgueiros, Marante agarava-se à guitarra sempre que o ócio assim o deixava e de acorde em acorde ia fazendo as delícias dos companheiros de equipa. Até em campo tinha as suas canções bem definidas para cada momento do jogo: quando dava um golo a marcar, cantava Charles Azenavour, “era a La Mamma, porque era sinal que a mãe estava connosco”; quando marcava um golo, cantava Amália Rodrigues, “a Lágrima” e começa a entoar:

“Cheia de penas, cheia de penas me deito
E com mais penas, com mais penas me levanto”

— Mas porquê a ‘Lágrima´ quando marcava um golo, se a letra é tão triste?
— Tinha pena dos guarda-redes adversários

E volta ao início do verso, “Cheio de penas…”

Aquele senhor com a seta por cima da cabeça? Nem mais: Luís Marante, na equipa do Salgueiros

Quando falhava um passe ou um golo, cantava Tony de Matos, “O Vendaval”. Aviso para levantar a cabeça e brilhar no lance seguinte, sabia que ninguém mais haveria de rir-se dele. “Cantava para dentro, só para mim”.

Aos 28 anos chateou-se com o futebol, pendurou as chuteiras e encarrilou na música, o seu eterno grande amor.

O segundo lugar no TOP + que soube a primeiro

Ainda antes dos Diapasão, Marante formou o grupo Transformação: “Tocávamos covers portuguesas, italianas, inglesas… tudo o que havia de moderno, nós tocávamos, inclusivamente canções do eurofestival”. A aventura durou sete anos, entre festas e palcos mais discretos, até que em 1980 tudo mudou. “Uma coisa é fazer uma banda para tocar aos fins-de-semana e ganhar umas coroas para o gasóleo. Outra coisa é ter o objetivo de ser alguém musicalmente e de fazer cada vez melhor.”

Os Diapasão surgiram assim com vontade de deixar uma marca profunda na música portuguesa. “Fiz questão de entrevistar cada um dos elementos da banda” para garantir que estavam todos sintonizados na mesma ambição, conta. O primeiro disco dissipou qualquer réstia de dúvida. Gravado em Matosinhos, lançado pela editora Horizonte, Música de Baile – vol I vendeu mais de um milhão e meio de cassetes, “foi se calhar o disco que mais vendeu até hoje”, lembra. Um disco que incluía “Não quero mais trocar de amor”, que cantava assim:

“Nunca mais me deixes por favor
pois sem ti não sou capaz de amar”

“Quando apareceu o Emanuel com o 'Pimba-Pimba', foi tudo atrás dele com os mesmos ritmos, com os refrões que pegavam. Depois em 1995 surgiu 'A Bela Portuguesa', uma canção completamente distinta das outras", recorda Marante.

Os êxitos foram-se sucedendo com vertigem, “Dá-cá Dá-cá Dá-cá”, “Emigrante”, “Viagem de Postal”, “eles não se constroem, aparecem”, lembra, esclarecendo que nesta incerteza dos êxitos, o público é soberano. “O mais difícil não é subir, é manter. Essa é a maior responsabilidade e graças a Deus o nosso trabalho reflete-se no que já foi feito e no que ainda há a fazer”.

Entre os singles chorudos que os Diapasão foram colecionando, “A Bela Portuguesa” foi sem dúvida um dos mais mediáticos da carreira da banda. “É uma canção para todas as mulheres”, solta com um charme romântico sincero, de quem passou a vida a escrever e a falar de amor.

[o vídeo de “A Bela Portuguesa”:]

“Quando apareceu o Emanuel com o ‘Pimba-Pimba’, foi tudo atrás dele com os mesmos ritmos, com os refrões que pegavam. Depois em 1995 surgiu ‘A Bela Portuguesa’, uma canção completamente distinta das outras.” À boleia dela, os Diapasão estiveram quatro meses em segundo lugar no TOP +: “Podia ter sido o Rui Veloso ou o Paulo Gonzo, que também andou não sei quantas semanas ou meses no top com o ‘Jardins Proibidos’, na versão que fez com o Olavo Bilac”, mas aquele era o Agrupamento Musical Diapasão. Chegaram à platina, venderam mais de 40 mil discos, mas nunca chegaram ao primeiro lugar, “esse esteve sempre tapado, ora era o Elton John com a ‘Nikita’, o Bryan Adams, o Stevie Wonder, ‘I just called to say i love you’… como é que nós podíamos chegar ao primeiro, era impossível não era?”

A carreira a solo

“Existem mundialmente cantores que têm uma carreira paralela com a banda”, começa por dizer. “Olhe o Phil Collins com os Genesis ou em Portugal o Miguel Ângelo com os Delfins.” Para Marante, o ponto de viragem aconteceu quando os Diapasão foram contratados pela Vidisco, em 1989, uma decisão que nega ter causado qualquer mal-estar no grupo: “Não causou e sabe porquê? Quando se trata de uma banda não chega ter bons músicos, há que ter boas pessoas também. Tudo aquilo que eu faço é do conhecimento de todos os outros elementos. Sou eu como podia ter sido outro”, refere, para depois acrescentar que também o filho, “o Jorge”, juntamente com o teclista e o guitarrista, têm um projeto paralelo de “danceterias”. “Mas isso não interfere em nada, primeiro estão sempre os Diapasão.”

Ricardo Castelo/Observador

A decisão, em parte, foi muito pragmática. Entre Abril e Setembro há muitos espectáculos, festas ao ar livre, águas nas quais os Diapasão nadam com toda a facilidade, “mas a partir de Setembro já são outro tipo de espectáculos”, de sala, mais intimistas, cenário para Marante entrar com as suas baladas românticas. “Quem faz os artistas são as mulheres, mas é que não duvide, as mulheres fazem um artista seja ele qual for!”

A sua poética está carregada de amor, o correspondido e o negado, aquele em que a mulher deixa o homem de coração partido e aquele em que a paixão asfixia de tão platónica que é. “A música tem que ter uma história, se não for assim, não prende.” E apesar de Marante prender vários corações às suas letras, não se considera um poeta como o amigo Jorge Fernando, d'”A Chuva” e “Rosas Brancas Para o Meu Amor”: “Tudo o que ele faz, faz bem. Eu olhe… de vez em quando lá faço alguma coisa. Não consigo escrever nada sem ser sobre o amor, sou um cantor romântico”.

42 anos de carreira: “Nunca imaginei nem pensei estabelecer recordes”

As coisas foram aparecendo, obra do acaso ou do destino, “sempre acreditei e vou sempre acreditar no destino”. Dos momentos altos da carreira, com mais de uma dúzia de álbuns lançados e ouros, “muitos ouros”, Marante destaca “Som de Cristal”, que lhe deu o primeiro disco de ouro, o “Obrigada Mãe Querida” e o “Garçon”, mais um êxito não anunciado. “O meu produtor, o António Lopes, chegou à minha beira e disse ‘temos que gravar esta música!’ Passaram-me uma cópia na segunda-feira, fui para casa ensaiar, tirar o tom e no dia seguinte já estava a gravar. A música saiu numa coletânea com vários êxitos e essa foi a primeira canção.” A original de Reginaldo Rossi, um dos maiores sucessos do brega brasileiro, poucos a conheciam, “havia sempre alguém a dizer, ‘olha, este está a cantar a canção do Marante’, mas era ao contrário.”

[“Som de Cristal”, no Canal Q:]

No mais recente trabalho, Meus 40 anos, editado em 2016, Marante voltou a inspirar-se no Brasil para gravar um novo sucesso, “Vida Real”. O tom de amor estilhaçado é muito idêntico a Garçon, na sua narrativa de um homem desfeito, sentado numa mesa de bar, a pedir um ombro amigo para desabafar:

“Amigo, o que você quer beber?
Eu vou de uísque, e você?
Pede aí o que você quiser
Amigo, te chamei p’ra conversar
Eu quero desabafar
O assunto hoje é mulher”

“Eu gostei dessa música”, começa por dizer sobre “Vida Real”: “É uma música do Marciano que ele cantou ao vivo com o Rick”. No álbum de Marante, o tema é interpretado ao lado de Zé Amaro, “fiz um espectáculo com ele no Multiusos de Guimarães e convidei-o para gravar comigo”; e de Celso, “um luso-brasileiro de Valadares que passa muito tempo no Brasil e tem proximidade com os melhores cantores brasileiros, o Leonardo, o Zézé di Camargo, o Edson e Hudson, o Arnaldo Baptista… ele conhece todos!”

Marante continua a dar concertos quase todos os fins-de-semana, a solo e com os Diapasão, “ainda hoje os nossos espectáculos são para 15, 20, 30 mil pessoas”, diz com o vigor de um artista em início de carreira: “Por que razão me haveria de cansar? Se gostam de nós por aquilo que fazemos, nós temos que ir!”

O disco era para ter ainda outra colaboração especial, na faixa “Chora Coração”, “é um tema de bossa-nova”. Nisto Marante para, debruça-se com o cotovelo sobre os joelhos, “você ouviu o disco?” e ao aceno de cabeça afirmativo, recosta-se na cadeira e continua. “Ora bem, para essa canção eu tinha falado com o Zambujo, mas depois ele estava a gravar no Brasil e não podia. Pensei, ‘agora vai ser um problema, porque já é tarde’, portanto resolvi gravá-la eu”. Estavam fechadas as 12 faixas dos Meus 40 anos. “A feitura de um disco não pode ter uma canção bonita e o resto para encher. Uma pessoa tem que fazer 10 músicas, 11 músicas e deixar o público na incógnita sem saber qual é a melhor.”

“Por que razão me haveria de cansar?”

Marante continua a dar concertos quase todos os fins-de-semana, a solo e com os Diapasão, “ainda hoje os nossos espectáculos são para 15, 20, 30 mil pessoas”, diz com o vigor de um artista em início de carreira: “Por que razão me haveria de cansar? Se gostam de nós por aquilo que fazemos, nós temos que ir!” Paris, Lausanne, Zurique são paragens recorrentes nas suas digressões e que o vão ocupar até ao Natal. Pelo meio, ainda tem uns concertos em Portugal: “Dia 9 vou estar em Ovar, 15 nas Caldas da Rainha, 16 em Santarém”, enumera com a ajuda dos dedos e do calendário que tem afixado na memória.

O que lhe custa mais, admite, é fazer travessias longas, como quando vai atuar em Toronto ou Nova Iorque, “mas no final, a ver televisão e uns filmes, aquilo passa depressa”. É tudo uma questão de mentalização, diz, e sobre se alguma vez teve medo de andar de avião, Marante é perentório: “Depois de levantar não adianta ter medo nem deixar de ter medo. Abanar, já sei que todos abanam!”, lança uma gargalhada e volta ao futebol para recordar Dennis Bergkamp: “Foi dos melhores jogadores do mundo, mas não andava de avião, era impossível. Se ele fosse obrigado a entrar num avião, se calhar morria logo! Dava-lhe qualquer coisa na cabeça”.

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Nas viagens, não gosta de ir à janela, “o lugar em que gosto de ir é no corredor”, atira como se estivesse com um quadro de treinador de futebol na mão a apontar com uma caneta a sua posição em campo no 4x3x3. “Quando vou com os Diapasão num avião, se o meu lugar nem é C nem é D, tenho que trocar logo com alguém.” Nos aviões grandes, com cinco lugares no meio, nem se fala: “A pessoa que estiver no meio dos cinco vai ao quarto de banho, já viu o problema?” E depois não é só isso, prossegue – há todo um plano bem esquematizado para contornar qualquer situação desagradável que possa advir de uma travessia transatlântica. “Nas viagens de longo curso há sempre um almoço e um jantar mais completo, mas eles agora fizeram uma restrição de digestivos no voo. Eu viro-me para o comandante – quase todos me conhecem — ‘então já sei que hoje vou comer bem e depois paciência!’. Passado um bocado lá passa alguém com um copinho de whiskey”, missão cumprida.

A aventura com o “Deixem o Pimba em Paz” e o sonho de cantar ao lado do Rei

A menção ao digestivo levou-nos para outro tema – a conversa foi saltando de memória em memória, sem paragens e com todos os parênteses que se espera de alguém que tem histórias ricas para contar. “Marante”, perguntamos nós com a cadência de uma dúvida que já nos persegue há muito tempo, “lembra-se daquelas bolachas que ofereceu ao Bruno Nogueira com Vinho do Porto? Porque é que eram as melhores do mundo?”.

[o momento das bolachas no Cinco para a Meia Noite:]

Foi talvez a gargalhada mais forte daquela tarde, já com Kenzo ao nosso lado – o Xau Xau preto felpudo que o músico tem a saltar pelo terraço grande lá de casa – “porque é que eram as melhores do mundo?”, repete num eco ainda não totalmente recomposto: “Porque eram as que estavam mais à mão!”. Ainda não foi desta que ficámos a saber a marca das ditas bolachas, a despensa estava vazia, mas ficou a promessa de nos dar a provar mais tarde: “Quando estiverem a passar por esta zona, digam coisas”.

“Um dueto com o Roberto Carlos? Gostava, gostava…” para, desvia o olhar para o lado, “mas é mesmo impossível”. Nova pausa prolongada, “se há alguém que gosta muito de Roberto Carlos sou eu.” Do Rei tem a melhor das impressões, “ele já cantou com várias figuras, até com o Michel Teló cantou 'Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo', mas se calhar era um prazer maior para mim cantar com ele do que ao contrário".

Num tom mais sério, continuamos com Bruno Nogueira e o projeto “Deixem o Pimba em Paz”. “Não estão bem a ver… o Tivoli, o Coliseu de Lisboa completamente esgotados com Orquestra, foi uma coisa que nunca tinha passado antes por mim! Devo ter sido dos poucos cantores em Portugal, no estilo que eu canto, a ser acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa.” No primeiro espectáculo, lembra, sentiu um nervoso miudinho, “olhar para trás e ver uma orquestra de 35 elementos não é fácil” mas depois foi-se acomodando na companhia da Manuela Azevedo — “aquela mulher canta tudo bem, não há nada que ela cante mal” — do Jorge Palma e da Sara Tavares que interpretou “Não És Homem Para Mim”: “Ela cantou e de que maneira! Aquilo foi um sucesso e continua a ser”.

Tantas coisas memoráveis e ainda assim há um sonho que Marante guarda com esperança. Fala dele baixinho, como um segredo que tem de ser estimado no íntimo e só no íntimo, para que um dia possa ser realizado. “Um dueto com o Roberto Carlos? Gostava, gostava…” para, desvia o olhar para o lado, “mas é mesmo impossível”. Nova pausa prolongada, “se há alguém que gosta muito de Roberto Carlos sou eu.” Do Rei tem a melhor das impressões, “ele já cantou com várias figuras, até com o Michel Teló cantou ‘Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo’, mas se calhar era um prazer maior para mim cantar com ele do que ao contrário. Eu até lhe podia ter feito o pedido, ele esteve aqui perto”. Não será a última oportunidade, “ah ele vem aqui outra vez?”, vamos à agenda de concertos e confirmamos que sim, que em 2019 Roberto Carlos estará em Lisboa e ali bem perto, em Gondomar. Marante espevita o olhar, “então se calhar até lhe vou pedir mesmo!” Ficamos à espera desse ‘momento lindo’.

Fotografias de Ricardo Castelo

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