As necessidades do mercado de trabalho estão a mudar e cada vez mais os profissionais valorizam diferentes fatores na escolha da empresa para a qual trabalham. Os próprios trabalhadores olham para o ambiente laboral que os rodeia e outras necessidades são levantadas. Já lá vai o tempo em que líderes podiam apenas desempenhar um cargo. Hoje, é preciso ir mais além. São hoje exigidas às Lideranças novas responsabilidades como procurar entregar a todos os colaboradores oportunidades, suporte no seu desenvolvimento e um sentido que lhes permita olhar para o trabalho, e para a vida, com outro propósito e compromisso.

A ARGO lança este ano a primeira edição da iniciativa Meaningful Leaders, com o objetivo de destacar os melhores talentos do mercado nacional, inspirados pelo modelo de Meaningful Leadership, desenvolvido pelo Professor Milton de Sousa, da Nova SBE. Pretende-se também com esta iniciativa dar destaque a outros setores de atividade que nem sempre têm a devida visibilidade, bem como a líderes cujo contributo possa não ter ainda a valorização devida.

Mas comecemos por entender o modelo

“Passamos um terço da nossa vida a trabalhar e custa-me ver tantas pessoas desmotivadas no trabalho. É um desperdício de vida. Para além, claro, do que isso implica em termos de produtividade para as organizações e consequentemente para a economia. O sentido que damos ao trabalho é um fator fundamental para nos sentirmos motivados, com implicações várias também na qualidade da nossa vida como um todo”, quem o diz é Milton de Sousa, dando uso às suas palavras para explicar no que consiste este modelo. “A liderança pelo sentido envolve a capacidade para influenciar os outros de forma positiva, através de uma narrativa organizacional significativa, com propósito e coerência, permitindo que as pessoas ajam em conformidade e orientando-as para um trabalho com sentido. Começa num mindset de elevada responsabilidade, focado na motivação para servir as pessoas e uma enorme dedicação e coragem para transformar as organizações”. Para o professor, e a partir desta forma de estar, o líder assume três papéis, enquanto “storyteller, facilitador da ação e como mentor para que cada colaborador possa encontrar no seu trabalho uma fonte de sentido”.

O que é certo é que o mundo está em mudança. Qualquer que seja o ramo ou setor onde estejamos inseridos, a forma como encaramos o trabalho também terá de mudar. Numa altura em que a luta entre o trabalho e a vida pessoal é crescente, como poderemos encontrar espaço para um equilíbrio? “Nos programas de liderança que damos, há dois grandes desafios recorrentes por parte dos líderes. Primeiro, não ter tempo para se dedicarem às pessoas nas suas equipas pelas constantes solicitações da direção ou dos clientes. Segundo, estarem permanentemente em modo de alerta relativamente ao que acontece no trabalho. Isto é, os líderes estão excessivamente em modo operacional”, afirma o professor. Neste campo, as tecnologias de informação assumem um papel de destaque, bem como a ideia de que a presença do líder é imprescindível para que o trabalho aconteça. “Não é um exercício fácil, mas se investirmos mais do nosso tempo enquanto líderes a cuidar de nós próprios e a capacitar as pessoas para que decidam por si, vamos ganhar imenso tempo para o pensamento estratégico e para a inovação. Um líder deve trabalhar de forma a tornar-se quase desnecessário na operação”, acrescenta, focando-se ainda no papel da Inteligência Artificial como uma oportunidade neste sentido: permitindo automatizar algum trabalho de menor valor acrescentado, como uma ferramenta que nos ajuda a conhecer melhor as pessoas com quem trabalhamos, bem como a nós próprios.

Poderá estar a perguntar-se. Num mundo em constante mudança onde os resultados são, por vezes, o fator mais importante, o que faz de um líder um bom líder, afinal? “Eu vejo uma boa liderança numa perspetiva que concilia resultados práticos e uma ética humanista centrada nas pessoas. Isto é sempre complexo e há muitos fatores de contexto relevantes. Mas os estudos parecem bastante evidentes. Para que uma organização atinja resultados de forma sustentada a longo prazo, é fundamental criar uma cultura centrada nas pessoas. Uma cultura onde cada um sente que a missão da organização e o seu trabalho em particular faz sentido”, reforça Milton de Sousa, rematando com a importância da iniciativa da ARGO Partners neste caminho: “Importa encontrar e promover exemplos de líderes que demonstrem que é possível atingir alto desempenho organizacional sustentado e, simultaneamente, focar nas pessoas e no seu sentido pessoal. A iniciativa da ARGO vem reforçar esta mensagem e é extremamente pertinente neste momento tão conturbado”.

Depois do modelo, o júri

Ao longo de todas as fases do projeto, os elementos do Júri terão um papel fundamental na escolha dos profissionais capacitados para esta distinção. Este painel, formado por um conjunto de figuras de destaque dos principais setores de atividade em análise irá ajudar a identificar e selecionar os líderes de destaque para posterior avaliação. Conheça os elementos do Júri da primeira edição dos Meaningful Leaders:

António Lobo Xavier

António Lobo Xavier é, desde 2016, Conselheiro de Estado. Com uma opinião marcada e validada em assuntos políticos e económicos, foi comentador residente em vários programas de debate político semanais. É Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, administrador não executivo da NOS e da BA Glass, e vogal do BPI. Licenciado em Direito e mestre em Ciências Jurídico-Económicas, construiu um caminho académico de grande relevo, assumindo cargos como Professor Universitário de Política Económica, Finanças Públicas, Direito Fiscal e Direito Administrativo na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

Carlos Moreira da Silva

Licenciado em Engenharia Mecânica pela Universidade do Porto e doutorado em Industrial Management pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, Carlos Moreira da Silva iniciou a sua carreira profissional como docente, na sua primeira “casa” académica. Foi administrador da EDP, integrou o Conselho de Administração da Sonae, assumiu a presidência da Sonae Indústria e criou a sub-holding de Retalho Especializado, responsável pelo lançamento das lojas Sport Zone e Vobis. Atualmente, é CEO da Teak Capital, detentor de vários cargos nas empresas do grupo. Desde 2024, junta à lista de funções a de Presidente da Direção da Associação Business Roundtable Portugal.

WWW.NUMO.PT

Conceição Zagalo

Do fim da linha até ao seu início, Conceição Zagalo desenvolveu uma grande fatia da sua carreira na IBM. Aqui, ascendeu a diretora de Marketing, Comunicações e Cidadania e, em 2011, integrou o seu conselho de administração. Em 2000, foi membro fundadora do GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial -, fomentando a responsabilidade social corporativa. Atualmente, preside ao seu Conselho Consultivo. A comunicação e a cidadania foram, desde sempre, áreas do seu interesse e nas quais ficou conhecida por diversos prémios e distinções. Entre eles, está o prémio da Mulher da Década, atribuído em 2024 pela G100, e a atribuição pela Amnistia Internacional, juntamente com outras vinte e cinco mulheres em todo o mundo, pela sua especial dedicação às causas sociais. Atualmente, é ao voluntariado, à gestão associativa e a atividades docentes que dedica o seu tempo, sendo reconhecida pelo seu compromisso com causas sociais, o empreendedorismo feminino e a promoção de uma cidadania ativa.

Elvira Fortunato

Licenciada em Física e Engenharia de Materiais e doutorada em Microeletrónica e Optoelectrónica pela Universidade NOVA de Lisboa, Elvira Fortunado tornou-se numa das cientistas portuguesas mais reconhecidas, quer a nível nacional como internacional. É pioneira mundial na eletrónica de papel, sendo a criadora do transístor de papel, e especialista em transístores, memórias, baterias, ecrãs transparentes, antenas e painéis solares leves, flexíveis e portáteis. Com mais de 800 publicações científicas no currículo, recebeu dezenas de prémios e distinções internacionais. Entre 2022 e 2023, assumiu o cargo de Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, reconhecida pela promoção do desenvolvimento da ciência em Portugal. Atualmente, é professora catedrática no Departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa e Sub-coordenadora do Laboratório Associado Instituto de Nanomateriais, Nanofabricação e Nanomodelação.

Filipe Santos

Doutorado em Ciências da Gestão e Engenharia pela Universidade de Stanford, Filipe Santos recebeu o prémio Lieberman pelas suas contribuições à universidade. Com uma carreira focada no empreendedorismo e inovação social foi, durante 12 anos, professor no INSEAD, onde dirigiu o Centro de Empreendedorismo e fundou a Iniciativa em Empreendedorismo Social. Já em 2019, assumiu a função de Diretor (Dean) na CATÓLICA-LISBON, instituição onde promove o desenvolvimento do ensino e investigação na área do impacto social. À parte do mundo académico, destaca-se pela cofundação do IES-Social Business School e liderança do Portugal Inovação Social, juntamente com o MAZE. Atualmente, é Presidente da European Venture Philanthropy Association (EVPA) e membro de diversos comités de inovação social na Europa.

Milton de Sousa

Licenciado em engenharia eletrotécnica e de computadores pela Universidade do Porto e com um MBA pela Universidade de Bradford, Milton de Sousa é Professor na Nova SBE, instituição onde leciona e faz investigação nos temas da liderança e utilização da Inteligência Artificial nas organizações. Trabalhou como engenheiro, gestor, consultor e empreendedor nos Países Baixos e em Portugal, tendo feito posteriormente um doutoramento em gestão, na Rotterdam School of Management. De olhos postos na liderança com sentido, o seu propósito é o de contribuir para um trabalho com mais intenção e organizações mais humanas. Autor do livro “O Líder pelo sentido”, encabeça o modelo Meaningful Leadership e tem como missão promover uma liderança mais centrada nas pessoas, com o apoio da tecnologia, promovendo o sentido organizacional e pessoal.

Pedro Castro e Almeida

Licenciado em Gestão de Empresas pelo ISEG, enriqueceu o seu percurso ao frequentar várias escolas de negócios na Europa e nos Estados Unidos. Atualmente, é Presidente da Comissão Executiva do Santander em Portugal, cargo que ocupa desde 2019. Desde o ano de 2010, integra a Comissão Executiva e o Conselho de Administração do Santander Portugal e é, simultaneamente, administrador não executivo do Santander UK Group Holdings plc e do Santander UK plc. Entre 2023 e 2024, como Santander Regional Head of Europe, impulsionou com sucesso o crescimento do negócio na região, reforçou a integração dos mercados europeus com as divisões globais do Grupo e acelerou os esforços de transformação.

Pedro Ginjeira do Nascimento

Com uma licenciatura em Economia, pela Nova School of Business and Economics, Pedro Ginjeira é, atualmente, Secretário-Geral da Associação Business Roundtable Portugal. Mas o seu percurso não se pauta apenas por este cargo. Anteriormente, foi reconhecido pelo trabalho que prestou a três Governos diferentes, inicialmente numa pasta setorial, no Ministério das Finanças e no Gabinete do Primeiro-Ministro. A Crise Financeira, a Crise Soberana e o período de assistência externa a Portugal são marcos pelos quais passou e durante os quais exerceu funções. Para além de empreendedor, trabalhou em empresas de internet e startups, tendo iniciado a sua carreira em consultoria estratégica, com trabalhos em Portugal e no Brasil.

Paulo Alexandrino

Sara Aguiar

Inovação, tecnologia e empreendedorismo são as áreas de especialização de Sara Aguiar, com mais de sete anos de experiência em seis países diferentes. Com uma carreira internacional, conta com o currículo pautado por organizações como: a Direção-Geral de Investigação & Inovação da Comissão Europeia e a equipa de Startups do gigante tecnológico, Amazon Web Services. Em Portugal, passou pela Católica SBE e pelo ISEG e cofundou iniciativas de impacto social como o Ponto Zero e o Coletivo Matéria, promovendo o desenvolvimento do talento jovem e a diversidade nas lideranças em Portugal. Nos dias de hoje, lidera projetos globais de inovação digital na Procter & Gamble, em Genebra, enquanto continua a expandir o seu impacto através da participação em projetos como os Global Shapers do Fórum Económico Mundial, o Conselho Consultivo da Business Roundtable Portugal ou o Conselho da Diáspora Portuguesa. A tudo isto, acresce ainda a autoria do livro “O Acelerador de Carreiras”.

Acompanhe a iniciativa e fique a par dos próximos passos. Afinal, termos Líderes inspiradores é hoje em dia mais importante do que nunca!