Um vídeo surgiu nas redes sociais no início do mês de Agosto e relatava o seguinte: “Funcionária do Tribunal Superior Eleitoral relatou a vulnerabilidade do sistema eleitoral brasileiro”. A alegada notícia foi vendida como uma autêntica “bomba” que promete assombrar o próximo ato eleitoral no Brasil, a decorrer no mês de outubro. São apenas 40 segundos que fazem parte da já decorrente campanha eleitoral brasileira muito presente na internet, que irá opor dois principais candidatos: o atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o seu opositor, Lula da Silva. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.
Publicação alega que mulher de TSE garante que sistema eleitoral é fraudulento. É falso.
“Estou desde 2002 no TSE, onde fiscalizo o código fonte na primeira etapa. Analiso os códigos que saem de lá e vêm para os Estados brasileiros. Nós divulgamos sempre que existem vulnerabilidades, o sistema é fraco, inconfiável e inauditável”. Estas são as palavras de uma mulher não identificada que surgem no tal vídeo e que foram partilhadas milhares de vezes, em especial no Brasil. Ainda assim, e apesar do estilo alarmista da publicação, mais nenhuma informação é prestada. Nem sobre a mulher, nem onde decorreu o vídeo nem em que circunstâncias.
Ora, utilizando diferentes imagens de identificação de imagem e de vídeo como o Google Images, percebe-se que estas imagens não são recentes. Fazem, sim, parte do programa “Programa Direito e Justiça em Foco” e foi publicado no Youtube em novembro de 2014. O título é o seguinte: “Manipulação nas urnas eletrónicas e impeachment de Dilma Rousseff”. Ou seja, muito antes de 2022, onde nenhum dos agora candidatos estava na presidência.
A mulher em causa dá pelo nome de Maria Aparecida da Rocha Cortiz e é alegadamente advogada. Se for feita uma pesquisa pelo nome desta advogada, é possível encontrar notícias relacionadas com esta mulher, mas nenhuma garante que se trata de uma funcionária do TSE.
Por exemplo, num artigo de 2015, Maria Aparecida da Rocha Cortiz surge como membro do Conselho Multidisciplinar Independente (CMind), uma “organização não governamental que aponta fragilidades no sistema”. Portanto, apesar de estar a falar sobre o sistema eleitoral brasileiro naquela altura, não o fazia como funcionária do TSE. Noutros artigos, neste caso fact-checks feitos pela imprensa brasileira, percebe-se, que, de facto, não existe nenhuma prova de que a advogada faça parte daquela instituição.
A AFP chega mesmo à conclusão de que Maria Aparecida da Rocha Cortiz não surge na “lista de agentes públicos” do TSE, na sua mais recente atualização que data do passado dia 18 de agosto deste ano. Por outro lado, à Globo, que também verificou esta publicação e a considerou como falsa, foi dada a garantia por parte do TSE de que a advogada nunca fez parte daquela instituição e que o sistema eleitoral possui um “elevadíssimo padrão de segurança”, sendo também auditado previamente, ao contrário do que é alegado. Claro que isso não impede que possam ser feitas melhorias no sistema eleitoral no Brasil, tal como noutros países, mas daí a garantir de que existem fraudes — sem as provar em apenas quarenta segundos de vídeo — vai uma longa distância.
Conclusão
Não é verdade que uma funcionária do Tribunal do Sistema Eleitoral do Brasil tenha garantido que o sistema eleitoral daquele país seja fraco e, por causa disso, decorram fraudes cada vez que a população brasileira vai a votos. Por outro lado, o vídeo não é de agora mas sim de 2014. Não ficou provado nas várias pesquisas efetuadas nem no cruzamento de informações com outros fact-checkers internacionais, que a advogada em questão tenha qualquer relação com aquela instituição brasileira.
Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.