A história relatada em várias publicações escritas em português e em inglês conta que, no campo de concentração de Auschwitz, segundo publicações nas redes sociais, haveria alegadamente um homem chamado Henek que “foi forçado a entrar na orquestra do campo”.

O homem teria uma função: “Tocar música enquanto os companheiros eram levados para as câmaras de gás”. Henek tocaria a canção A Serenata de Schubert “com lágrimas a escorrer pelo rosto” e o “arco a tremer na mão”.

De acordo com as mesmas publicações, que são acompanhadas por uma imagem de um homem muito magro com um violino na mão, uma rapariga no campo de concentração teria uma vez agradecido a Henek por a música que tocava ser a “última coisa” que ia ouvir.

“Henek sobreviveu à guerra. Mas nunca mais tocou a tocar um violino”, alegam ainda as publicações nas redes sociais.

A alegada fotografia de Henek que se vê nas redes sociais, juntamente com as publicações, foi gerada através de inteligência artificial (IA), como revelam os detetores daquela tecnologia. Além disso, não há quaisquer registos históricos de que tenha havido um violinista chamado Henek em Auschwitz que tocasse antes da entrada dos prisioneiros em câmaras de gás.

Estas publicações levaram o próprio museu de Auschwitz e Birkenau a emitir uma nota nas redes sociais sobre o assunto. Em primeiro lugar, a instituição cultural polaca criticou a publicação de imagens geradas por inteligência artificial: “Publicar fotos geradas por IA não é apenas uma distorção perigosa [da História]. Também desrespeita as vítimas e perturba a sua memória.”

Em concreto, sobre a história de Henek, o museu acredita que a história tem tudo para ser “falsa”, apontando para várias incongruências. “’Henek’ é uma forma mal escrita do nome ‘Heniek’ que vem do nome polaco ‘Henryk’”, começa por desmontar a instituição cultural.

Depois, o museu recorda que as orquestras em Auschwitz, apesar de terem existido no campo de concentração, não “tocavam” enquanto homens, mulheres e crianças se dirigiam rumo às câmaras de gás: “O seu principal trabalho consistia em tocar o instrumento quando colunas de prisioneiros saíam para trabalhar e marchavam de volta para o campo” de concentração.

O museu de Auschwitz-Birkenau aponta outra inconsistência na história publicada nas redes sociais: “A orquestra dos homens tocava no secção masculina do campo — e a história de uma rapariga a passar pela orquestra masculina não é muito provável.”

Conclusão

Não existe qualquer evidência histórica que prove que existiu um homem chamado Henek no campo de concentração de Auschwitz que tocava violino quando os prisioneiros eram levados para as câmaras de gás. O museu de Auschwitz-Birkenau esclarece que a história é muito provavelmente “falsa”. A imagem divulgada nas publicações das redes sociais foi também gerada através de inteligência artificial.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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