Momentos-chave
- Depois de vários atrasos, a biblioteca António Lobo Antunes deverá estar pronta até ao verão, adianta a Câmara Municipal de Lisboa
- Câmara de Lisboa decreta luto municipal para o próximo sábado
- Dulce Maria Cardoso realça a forma como Lobo Antunes "pensou Portugal e o que é isto de ser português"
- Patrícia Reis: "O grande território da escrita de Lobo Antunes é a memória.
- Ana Margarida Carvalho recorda desafio de entrevistar Lobo Antunes: "Muitas vezes só respondia quando tinha algo brilhante para dizer"
- Afonso Reis Cabral acredita que Lobo Antunes deixa "um legado de fronteira da literatura"
- CEO da LeYa revela ter "novo projeto em mãos" com a obra de Lobo Antunes
- Presidente da República homenageia escritor com grande-colar da Ordem de Camões
- PS recorda Lobo Antunes como "um dos nomes maiores da nossa Literatura e da nossa Cultura"
- Maria da Piedade Ferreira lembra como era editar Lobo Antunes: "Ele ficava muito furioso comigo"
- Aguiar-Branco afirma que Lobo Antunes revolucionou a literatura nacional
- Francisco José Viegas: "Não há final para uma obra destas, para um homem destes"
- José Luís Carneiro diz que a morte de Lobo Antunes é uma "perda irreparável para a literatura e para a cultura portuguesas"
- Presidente da Assembleia da República lembra escritor que "revolucionou a literatura nacional"
- Lídia Jorge considera Lobo Antunes "o mais criativo" da sua geração. "Temos o Lobo Antunes entre nós"
- Luís Montenegro lamenta morte de Lobo Antunes, cujo "legado é uma crónica da humanidade e da originalidade do olhar português"
- Ministro dos Negócios Estrangeiros diz que morre "um enorme embaixador da língua portuguesa"
- Ordem dos Médicos expressa "profundo pesar" pela morte do médico e escritor António Lobo Antunes
- Ministra da Cultura lamenta morte de um escritor maior
- Editora Dom Quixote lembra "nome maior da literatura portuguesa, autor de romances que ficarão para sempre na memória dos seus leitores"
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Bom dia!
Encerramos aqui este liveblog. Esta sexta-feira o corpo de António Lobo Antunes vai estar em câmara ardente a partir das 16h00, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos.
As cerimónias fúnebres, no sábado, realizam-se a partir das 10h00, com a celebração de uma missa de corpo presente, pelas 12h00, após a qual o funeral seguirá para o Cemitério de Benfica, em Lisboa.
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Depois de vários atrasos, a biblioteca António Lobo Antunes deverá estar pronta até ao verão, adianta a Câmara Municipal de Lisboa
Segundo confirmou a Câmara Municipal de Lisboa ao Observador, a Biblioteca de Benfica – António Lobo Antunes — equipamento cultural a ser instalado no bairro onde o escritor nasceu e que acolherá o seu espólio literário — deverá finalmente ser inaugurada no verão.
“A empreitada da Biblioteca Lobo Antunes encontra-se a decorrer, estimando-se que fique concluída no final do primeiro semestre/início do segundo semestre do presente ano”, respondeu o departamento de comunicação do município, sem avançar, para já, com datas concretas.
“Oportunamente, será avançada a data prevista para a inauguração deste equipamento”, lê-se na resposta.
Anunciada em 2022, durante ainda o executivo de Fernando Medina à frente da autarquia, esta biblioteca teve 2024 como meta temporal para a sua abertura, o que acabou por não acontecer. O processo, aliás, foi alvo de críticas por parte da Junta de Freguesia de Benfica, que acusou a edilidade liderada por Carlos Moedas de “opacidade” na gestão do processo.
Quando questionada pelo Observador em novembro de 2024, a CML não adiantou datas nem providenciou explicações para o atraso, afirmando apenas que estavam “em curso procedimentos tendentes ao início das obras de adaptação”.
Entretanto, coordenadora da rede de bibliotecas de Lisboa, Edite Guimarães, revelou à revista Timeout em junho de 2025 que as obras só se iniciaram em fevereiro desse ano, apontando o primeiro semestre de 2026 como horizonte temporal para a inauguração. Já em setembro, a empresa que ganhou o concurso público para a empreitada, a Ressa, fez saber que as obras estavam a avançar “a bom ritmo” numa publicação no seu website oficial.
A resposta dada esta tarde ao Observador sugere que o prazo possa ter derrapado um pouco mais, estendendo-o para os meses de verão.
Esta tratar-se-á assim da 19ª biblioteca municipal de Lisboa, acolhendo um acervo de 20 mil obras, manuscritos e documentos cedidos por António Lobo Antunes, ato oficializado numa cerimónia em 2021.
Destes, porém, apenas 10 mil títulos ficarão disponíveis para consulta pública, como adiantou Edite Guimarães à Timeout. O restante acervo, noticiou a revista num artigo anterior, terá acesso reservado a académicos e investigadores.
Segundo a coordenadora da rede de bibliotecas de Lisboa, este equipamento terá cerca de 40.000 documentos no seu acervo integral. Segundo é possível verificar no Portal Base, para obter este volume de obras, a CML procedeu à aquisição de livros junto de quatro entidades distintas.
Ao todo, foram pagos 11,7 mil euros à FNAC, 15,7 mil euros às livrarias Almedina e 14,9 mil euros à Marka, tendo as compras sido efetuadas em regime de ajuste direto. A estas soma-se uma aquisição no valor de 29,9 mil euros à livraria Escada, efetuada após um processo de consulta prévia.
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Vitorino: “Nunca foi apenas o grande escritor que o mundo conheceu”
O cantor Vitorino lembrou que António Lobo Antunes, que morreu hoje aos 83 anos, “nunca foi apenas o grande escritor que o mundo conheceu”.
“Foi sempre o Senhor António — como gostava de ser chamado nas tabernas e restaurantes que frequentávamos —, um artesão das palavras que muitas vezes escrevia letras de canções em toalhas de papel, com uma Bic na mão”, recorda Vitorino Salomé, que musicou e gravou vários poemas de António Lobo Antunes, numa mensagem enviada à agência Lusa.
O cantor lembra também que, “mesmo sendo um escritor mundialmente reconhecido”, António Lobo Antunes “nunca esqueceu as raízes da cultura” portuguesa, “escrevendo textos para modas alentejanas e escolhendo para títulos dos seus livros nomes vindos do cancioneiro alentejano, como Eu hei-de amar uma pedra ou Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar”.
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Cerimónias fúnebres nos Jerónimos a partir de sexta-feira
O corpo de António Lobo Antunes vai estar em câmara ardente a partir das 16h00 de sexta-feira, na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, realizando-se o funeral no sábado, informou hoje a agência funerária.
As cerimónias fúnebres, no sábado, realizam-se a partir das 10h00, com a celebração de uma missa de corpo presente, pelas 12h00, após a qual o funeral seguirá para o Cemitério de Benfica, em Lisboa, acrescenta um comunicado da agência Servilusa.
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Câmara de Lisboa decreta luto municipal para o próximo sábado
A Câmara Municipal de Lisboa decretou um dia de luto municipal para o próximo sábado na sequência da morte do escritor António Lobo Antunes, de acordo com um comunicado da autarquia.
“A Câmara Municipal de Lisboa manifesta o seu mais profundo pesar pelo falecimento de António Lobo Antunes, um dos maiores escritores de língua portuguesa e da literatura contemporânea, e decreta Luto Municipal em sua homenagem”, diz a nota.
O comunicado cita ainda a mensagem de condolências do presidente da câmara, Carlos Moedas: “Tivemos a sorte e o privilégio de viver no tempo de António Lobo Antunes. Tivemos a sorte e o privilégio de ver o fruto da sua obsessão pela escrita. Tivemos a sorte e o privilégio de ver nele o maior intérprete do Portugal do nosso tempo: do fim do império, da experiência da guerra, da psicologia tão complexa deste nosso velho país.”
“Não tenho dúvidas de que Lobo Antunes faz hoje parte da rara aristocracia da literatura mundial, onde estão os grandes mestres que nos habituámos a admirar. Hoje só podemos dizer, com orgulho, que fomos a cidade e a pátria de António Lobo Antunes”, acrescenta ainda Moedas.
De acordo com o comunicado da autarquia, o luto de sábado traduz-se visivelmente na “colocação da bandeira do município a meia haste em todos os edifícios e equipamentos municipais”.
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Jornais franceses lamentam a morte de Lobo Antunes
Também a imprensa do país onde vive a maior comunidade portuguesa no estrangeiro manifestou o seu pesar pela morte de Lobo Antunes.
O Le Figaro deu um destaque considerável à notícia sobre “o escritor e psiquiatra português, nascido em 1942 em Lisboa, e considerado uma das grandes vozes do romance contemporâneo em língua portuguesa”, cuja obra declara “exigente, misturando romance, poesia e autobiografia com um estilo barroco e metafórico”. O artigo é de Thierry Clermont com a Agence France-Press.
Já no Le Monde, a jornalista Ariane Singer elogiou o “trabalhador incansável, autor prolífico com uma imaginação fértil e fervoroso defensor da liberdade de expressão”, “conhecido pela complexidade e exigência dos seus livros”, que o próprio argumentava serem um “reflexo da vida”. O diário destaca a obra marcada por “grande inventividade formal, mas também por um profundo sentido de ironia e um pessimismo sombrio”.
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Imprensa espanhola reage à morte de Lobo Antunes
Com um destaque considerável na imprensa espanhola, a notícia recebeu o lugar cimeiro das secções de Cultura dos jornais El País e El Mundo.
“O colosso das letras portuguesas que melhor indagou os traumas da história”, assim o descreve Tereixa Constenla no El País, a que acrescenta a qualidade “maiúscula, ciclópea e colossal” do autor, até na morte. “O esquecimento de Lobo Antunes é um dos pecados capitais da Academia sueca, que numa história de mais de um século ignorou a riqueza e heterogeneidade da literatura portuguesa”, reforça o diário espanhol, que equipara ainda a rivalidade com José Saramago — vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1998 — a um duelo “entre Benfica e Sporting”.
No El Mundo, o jornalista Antonio Lucas destaca a natureza “guerrilheira” do também psiquiatra e o “único do baralho de grandes escritores portugueses do último meio século” ainda vivo. No obituário que escreveu, enfatiza a mestria literária do autor que “mantinha uma relação canibal com as letras” e que “tudo devorava e convertia em Lobo Antunes”.
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Um “gigante” a quem é devida “gratidão profunda”, afirma Tiago Rodrigues
O diretor do Festival d’Avignon, Tiago Rodrigues, considerou hoje António Lobo Antunes “um gigante” a quem “é devida a gratidão profunda a que nos obriga a sua obra, mas também a paixão obsessiva pela escrita”.
A “paixão obsessiva pela escrita que gera escrita que se transforma em escrita porque não há senão a escrita”, escreve o dramaturgo e encenador na sua página na rede social Facebook.
A propósito da morte de António Lobo Antunes, hoje, aos 83 anos, Tiago Rodrigues acrescenta só se ter cruzado “meia dúzia de vezes com o génio gigante” que é o escritor.
“Mas a cada vez retirei lições que vieram confirmar a monumentalidade da sua obra literária. Desde a minha infância que o imaginava um gigante. Lendo-o, sempre li um gigante”, acrescenta.
E sublinha: “Quando me cruzei com ele, confirmei que era de facto um gigante. Hoje, cresce ainda, alçado aos cumes da torre da literatura. Gigante”, conclui o ator, encenador e dramaturgo, enviando um “abraço sentido” à família e amigos.
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Dulce Maria Cardoso realça a forma como Lobo Antunes "pensou Portugal e o que é isto de ser português"
Dulce Maria Cardoso disse, em entrevista à Rádio Observador, que António Lobo Antunes deixa-nos “uma obra importantíssima, especialmente para quem é português, apesar da dimensão internacional que teve”.
Dulce Maria Cardoso: “Deixa obra importantíssima especialmente para quem é português”
“O que interessa nele é a maneira como ele pensou Portugal e de o que é isto de ser português, e como nos ajudou a interpretar a história”, sublinhou a escritora.
Dulce Maria Cardoso afirmou que “através dos seus romances, conseguimos perceber o que é ser português e o que é Portugal”. “Deixou um incrível tratado sobre paixões humanas”, acrescentou.
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António Lobo Antunes. "Um grande escritor. Uma grande perda"
Alice Vieira recorda o escritor como um grande amigo, cuja homenagem é merecida. Lobo Antunes deixa um legado importante e “merece tudo”. A escritora confessa: “Não há nada dele que eu não gostasse”.
António Lobo Antunes. “Um grande escritor. Uma grande perda”
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Editora francesa revela tradução de livro a publicar em novembro
A editora Christian Bourgois, que tem traduzido António Lobo Antunes em França, lamentou hoje a morte do “grande escritor português”, considerando que a “sua contribuição para a literatura mundial é inestimável”.
Na rede social Instagram, a editora anunciou ainda que, em novembro, publicará uma das últimas obras do autor, “Diccionario da linguagem das flores”, com tradução de Dominique Nédellec.
Com uma escrita que acompanha de perto os meandros do pensamento, Lobo Antunes “nunca deixou de examinar as contradições da alma humana, as consequências da colonização, a violência das relações familiares e os malefícios do racismo e da violência”, acrescenta a editora.
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Patrícia Reis: "O grande território da escrita de Lobo Antunes é a memória.
Patrícia Reis disse em entrevista à Rádio Observador que a “autobiografia” de António Lobo Antunes encontra-se na sua obra publicada. “Está lá tudo, a tristeza, a melancolia, a importância da família.”
Patrícia Reis: “O grande território da escrita de Lobo Antunes é a memória”
“O grande território da escrita de Lobo Antunes é a memória. Talvez isso venha da sua vida de psiquiatra”, acrescentou a jornalista e escritora que entrevistou várias vezes o autor. Patrícia Reis lembrou como Lobo Antunes lhe pedia para desligar o seu gravador quando esta lhe fazia entrevistas e como o autor era “pouco dado a simpatias”.
“Não podemos apenas mitificar o autor e a sua obra”, alerta. António Lobo Antunes “não era uma estátua” e pertencia a “uma determinada geração”, sendo “por vezes conservador, por vezes difícil e pouco dado a simpatias”.
Patrícia Reis conta que António Lobo Antunes tinha “uma relação difícil com as mulheres escritoras, sempre naquela linha de tentar perceber a cabeça das mulheres”. Por outro lado, destaca a grande relação de amizade que tinha com o escritor José Cardoso Pires.
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Livro inédito de poemas vai ser publicado em abril
Um livro inédito de poemas de António Lobo Antunes, que o escritor que sempre lamentou não ter sido poeta foi escrevendo ao longo da vida, vai ser publicado em abril, anunciou hoje a sua editora, em comunicado.
“Poemas” é o título deste livro, em que a Dom Quixote estava a trabalhar, e que acaba por não ser publicado ainda em vida do escritor, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, que morreu hoje aos 83 anos.
A editora, que tem publicado toda a sua obra, “anuncia que publicará já em abril um inédito, não de prosa, o seu género favorito, mas de poesia, onde estarão reunidos os poemas que António Lobo Antunes foi escrevendo ao longo da sua vida. Ele que sempre lamentou não ter sido poeta”.
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Ana Margarida Carvalho recorda desafio de entrevistar Lobo Antunes: "Muitas vezes só respondia quando tinha algo brilhante para dizer"
Ana Margarida Carvalho considera que “a melhor maneira de recordar Lobo Antunes é ler os livros”, algo que na última década “aconteceu pouco”, argumenta. “Ele próprio apercebia-se disso”, diz em entrevista à Rádio Observador.
Ana Margarida Carvalho: “A melhor maneira de recordar Lobo Antunes é ler os livros”
A jornalista, que entrevistou várias vezes António Lobo Antunes e o acompanhou em viagens ao estrangeiro, conta que este tinha “um desprezo enorme por entrevistadores e jornalistas que iam lá a casa entrevistá-lo”. E prossegue: “Incluo-me nesse grupo, porque era extremamente difícil falar com ele”.
Ana Margarida Carvalho lembra os “comentários muito inconvenientes” do autor, em relação aos entrevistadores, que acompanhavam a sua genialidade — “ao mesmo tempo, ele era brilhante”. A também escritora conta que acabou por ficar com “uma ótima relação” com Lobo Antunes, apesar de nunca se ter atrevido a dar-lhe os seus próprios livros a ler.
O escritor tinha uma “cultura vastíssima”, que não assentava apenas sobre facto passados, porque este também estava “muito atento ao que se estava a fazer” a cada momento. “Muitas vezes só respondia quando tinha alguma coisa brilhante para dizer. Às, vezes fazíamos perguntas e ele só respondia à quinta ou sexta pergunta”, conta Ana Margarida Carvalho.
Isso obrigava a uma “espécie de colagem” nas entrevistas a Lobo Antunes porque “as conversas eram um pouco caóticas”, prossegue. Por fim, a jornalista acrescenta que o escritor “irritava-se muito” com a preferência do público pelos seus livros de crónicas porque era nos romances que “vertia o seu sangue todo”.
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Presidente da República de cabo-verdiano classifica Lobo Antunes como escritor imortal
O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, classificou hoje António Lobo Antunes como um escritor imortal, numa publicação na Internet a propósito da morte do autor português.
“Deixa uma vasta obra que prenuncia a sua imortalidade”, escreveu José Maria Neves na rede social Facebook.
O chefe de Estado assinalou dois títulos: De entre os seus mais de 30 romances, “Os Cus de Judas” (1979) e “Fado Alexandrino” (1983) “são considerados pela crítica os seus melhores livros”.
“Morre um dos maiores escritores de língua portuguesa e um dos grandes da literatura mundial”, referiu.
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Afonso Reis Cabral acredita que Lobo Antunes deixa "um legado de fronteira da literatura"
Afonso Reis Cabral considera que António Lobo Antunes deixa “um legado de fronteira da literatura”, ou seja, perante aquilo que este escreveu “a literatura teve de definir maior aproximação, menor aproximação ou até de renegar”.
Afonso Reis Cabral: “Lobo Antunes deixa-nos legado de fronteira da literatura”
Esta obra “perante a qual muitos outros têm de se definir é uma coisa rara, que não acontece em todas as gerações”, argumenta em entrevista à Rádio Observador. Afonso Reis Cabral acredita que últimas obras de Lobo Antunes foram “muito afuniladas dentro do estilo dele, cada vez mais depuradas mas cada vez mais reflexo delas mesmas”. Ainda assim, considera que “toda a obra é absolutamente marcante”.
Afonso Reis Cabral conta um episódio que viveu com o autor, em que pediu a Lobo Antunes ajuda para melhorar a escrita dos diálogos nos seus romances. “Ele olhou assim com um olhar bastante malandro — ele tinha, às vezes, esse olhar de menino que se vai portar mal, olhar de cima e de baixo — e perguntou-me: ‘Mas por que é que você precisa de diálogo?’”
O escritor de “Pão de Açúcar” utiliza o episódio para dizer que os livros de Lobo Antunes são “um todo em que as vozes se confundem e em que tanto pode ser um elemento da família a falar como outro”. “Mesmo a ideia de diálogo, a certa altura da obra de Lobo Antunes, para ele, já não era importante”, conclui.
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Governo decreta luto nacional por Lobo Antunes para este sábado
O Conselho de Ministros presidido pelo Presidente da República aprovou esta manhã a proposta do Governo de luto nacional por António Lobo Antunes no dia 7 de março, este sábado.
Será também atribuído ao escritor, a título póstumo, do Grande Colar da Ordem de Camões.
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Livre recorda “escrita inquieta, exigente e humana”
O Livre lamentou hoje a morte de António Lobo Antunes, afirmando que o escritor foi “uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa” e recordando-o pela sua “escrita inquieta, exigente e humana”.
“O Livre lamenta a morte de António Lobo Antunes, uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa. A sua escrita inquieta, exigente e humana continuará a desafiar e a acompanhar leitores por muito tempo”, escreve o partido na sua conta oficial na rede social ‘X’.
Na mesma mensagem, o Livre endereça ainda as suas sentidas condolências à família e amigos do escritor, que morreu hoje aos 83 anos.
O LIVRE lamenta a morte de António Lobo Antunes, uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa. A sua escrita inquieta, exigente e humana continuará a desafiar e a acompanhar leitores por muito tempo.
À família e aos amigos, endereçamos as nossas sentidas condolências. pic.twitter.com/Jaz1JqLpKX
— LIVRE (@LIVREpt) March 5, 2026
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Sociedade Portuguesa de Autores recorda “autor resistente com uma obra notável”
O presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), José Jorge Letria, lamentou hoje a morte de António Lobo Antunes, “um autor resistente com uma obra notável”, que “ficará para sempre” na História da Literatura portuguesa.
O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu hoje aos 83 anos, confirmou à Lusa fonte editorial.
Contactado pela Lusa, o dirigente da SPA —da qual o autor era sócio desde 2004 — sublinhou que Lobo Antunes “deixa uma obra brilhante e longa, menos premiada do que se esperava”.
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CEO da LeYa revela ter "novo projeto em mãos" com a obra de Lobo Antunes
Ana Rita Bessa, CEO da LeYa, considera que a obra de Lobo Antunes, editada pelo seu grupo é “extensa, de leitura obrigatória e tem ainda muito para dizer-nos sobre os tempos que aí vêm”. “A sua obra perdurará nos seus livros e ele eternizar-se-á na palavra”, acrescentou em entrevista à Rádio Observador.
A líder do Grupo LeYa reafirma um “compromisso ativo e presente com a obra e com a sua família” e informa que todo o espólio do autor está atualmente disponível. Sem querer “desvendar grandes coisas”, Ana Rita Bessa disse que existe “um projeto novo em mãos que conhecerá a luz do dia nos próximos meses”.
Lobo Antunes. Ana Rita Bessa: “Obra ainda tem e terá muito para dizer”